10/06/2015

Quero dormir!

A  noite foi de vendaval, ouvi a chuva a cair, e o bebé do vizinho de cima. 
Tenho dormido pouco, o meu rosto sucumbe a preponderância das minhas olheiras, sinto-me em combate para que elas não se afundem até bem perto do meu nariz. 
Sair da cama pela manhã tem sido tarefa helénica, o meu corpo assume dimensões de mamute e o meu colchão ganha cola, e para tornar tudo mais difícil, esse habito que ganhaste sem saber de mal ouvir o despertador e te virares para me agarrares a ti... agarra-me com super-cola ao lençol.
os dias não têm sido fáceis, entre o desgaste físico e o carburador psicológico acelerado, a cama ganhou toda uma nova importância na minha vida, talvez porque passe pouco tempo com ela...
entre as borboletas na barriga e o furor dos dias que passam, corremos de um lado para o outro, nasce um sol, vai-se para o lado de lá, mostra-se a lua, esconde-se até ao outro anoitecer. Acompanhamos com passadas largas o movimento do universo, e ousamos pensar em parar um pouco e descansar.
Desafiamos o corpo, a mente e damos elástico ao nosso tempo onde encaixamos o que conseguimos e suspiramos por dias com tantos menos para fazer.
Nos segundos de intervalos das coisas, respiramos, olhamos um para o outro, e lá dizemos em jeito de pessoas sérias que brincam - a sorte, é que eu gosto muito de ti!
Que sorte gigante, bebemos dela energia, e lá vamos nós...dali a uma qualquer inspiração profunda, começa tudo de novo.

E suspiro por um tempo para dormir, efectivo, em que o meu corpo acelerado se desligue e não se lembre de quer de sonhar. eu penso:  em breve terei tempo para dormir... e não falo de mais dez minutos pela manhã, mas de horas gigantes de vida a acontecer, onde eu estarei somente a dormir.

Respiro fundo, acompanho esta maratona dos dias, e elevo a fasquia, quero ir, apanhar um avião cruzar um espaço mais próximo do sol, mas longe daqui, e ir, cansar o meu corpo com horas de entusiasmo e curiosidade, horas que não cansam, horas que renascem.
Queroum por do sol perfeito, e um tempo lento, cheio de luz, depois de entrar no avião, quero prolongar os sonos, e os descansos, aproveitar os comboios para ler, e os barcos para não fazer nada, quero ter olheiras de alegria e dores do corpo de excesso de danças loucas. Quero dores de barriga e espasmos nas bochechas de tanto ir. quero que tempos sem intervalos. quero ir... mas antes... algures num espacinho livre dos dias quero dormir...

8/24/2015

perfeito é caminhar!

Obrigado aos caminhos que nunca se acabam... 
São connosco o que mais perfeito podemos ser... 
Perfeitos impermanentes, numa existência onde podemos sempre mudar. Onde saber a direcção para caminhar é motor para um caminho e para o amanhã, seja ela como for, venha ele como vier, na mesma ou noutro direcção qualquer! Perfeito não é o caminho, é querer e poder caminhar...




8/03/2015

Embalas-me no tempo!

O meu rosto embargado olha o céu enquanto os meus pulmões revelam o meu respirar mais profundo... 
Momento estranho, reflexão imensa, entre algumas lágrimas, porque  aqui e ali, tem de existir sal neste caminho,  sinto por perto a simplicidade das fatalidades mais pequenas do ser... quase crueldades momentâneas que nos lembram que nestas coisas da vida nem  sempre é tudo  fácil... verdade é que  podia ser triliões de vezes pior! 

Eu, o tempo, as coisas ali...
E como o ar mais leve que  possa respirar, atiras a mim o teu colo, como que se voasses,  envolves-me com os teus braços e ali mesmo no meio da rua dançamos como se o Amanhã fosse a música que toca e o mundo fosse nada mais que já!  Saio do chão, e tenho asas!
Embalas-me no tempo, e somos patetas e parvos, e estou descalça a dançar no meio da rua, agarrada a ti, no meio de uma música parva, que nem costumamos ouvir, enche-nos a parvoíce do momento. O meu rosto embargado, se foi... E estou embalada no teu tempo, no nosso tempo, aquele! 
Às vezes o amor é simples, fácil, leve, cheira a tempo novo, respira música ruim e danças imensas entre braços e colos perfeitos!  
A felicidade pode morar na parvoíce, brotar do contratempo e estar já ali, bailando num empo que ainda agora era menos bom!  
Basta dançar, ter um pássaro para voar e
Sorrir...

Obrigada... E é só isso...

7/23/2015

O tempo que não interessa para nada, deixou de interessar, para ser o tempo que me falta para tudo... sinais de um tempo a passar por mim, sinais de um vida que quero muito, ainda mais, sinal de um caminho que quero fazer contigo, com mais um passo, e outro, e outro, e mais um lugar e outro e outro.... e reticências de horas sem fim.

o tempo a quem peço tempo, a quem peço calma, a quem peço mais... 
o tempo da criança que fui e que não interessava para nada era o tempo todo do mundo... o mesmo tempo, da criança que sou, que é o tempo que tenho para tanto que ainda falta... 

tempo, não deixes de o ser, ser só mais, e maior, e bom como agora, e se acaso pensares em deixar de ser, carrega no repeat, ou num pseudopause, e tempo leva-nos contigo muito tempo fora....




7/17/2015

ir

às vezes a vida abre chapéus de sol, sem termos pedido...
às vezes muitas partes ficam debaixo deles, 
às vezes a vida rouba-nos o sol num ou noutro ponto...

às vezes o para onde é mais um guarda sol, às vezes não interessa mais nada, às vezes só importa ir...
sair debaixo do chapéu e ir,

mesmo que o sol que tu és esteja sempre lá, mesmo que ele brilhe mais na ponta do meus pés... 
ir, sair com o sol o que tu és, e o que me dás... 

ir não importa para onde, mas ir....


6/28/2015

Domingos no terraço!


Finalmente a mesa apareceu no terraço, ainda não temos umas cadeiras confortáveis, mas temos onde nos sentar! 
Faz fresco, não precisamos de tv, ouvimos muitas do bairro da picheleira mesmo ali atrás, a da senhora que leva os  dias a virar a roupa que estende aos molhos, está sempre na SIC. Às vezes aviões a chegar interrompem a música que toca, o nosso silêncio frente a frente na mesa de madeira ou a nossa música que toca!

A senhora da roupa espreita na janela entre aberta , estamos a jantar, estou de pijama... Esqueço que estou de pijama, esqueço que alguém mora ali...

A mesa chegou, trouxe o chapéu que a tapa de todos os olhares dos vizinhos de cima, falta a rede e uns cadeirões gigantes...ando a sonhar com eles.

A mesa  que chegou trouxe as tardes aqui ao terraço, a frescura das bebidas que escorrem, do jantar por aqui, do entardecer fresco e da lua que se  vê ali tão em cima do rio! 
Domingos, casa, agora terraço, despretensioso, simples, com vista  para um jardim que ainda não existe, mas tão bom... Para te ouvir, para falar, para trabalhar, para estar por aqui, quando a nossa casa é mesmo na nossa casa e antes de a levarmos connosco para outro lugar nosso qualquer! 

6/17/2015

às vezes não sei o caminho...

 às vezes não sei o caminho,
 às vezes não quero saber....

às vezes deixo que o mundo me guie, outras faço  de conta que estou eu a guiá-lo, como e caminhasse dona de uma certeza absoluta de saber onde vou chegar...

às vezes deixo que me guies...
às vezes não importa o caminho a seguir, o caminho que escolhemos, às vezes a sua escolha é vertiginosamente o mais importante...


nenhuma luz durante o dia é igual, nenhuma certeza se extingue numa única verdade, nenhum caminho é só um!

6/09/2015

infinitos


há qualquer coisa bucólica em tanto verde; 
uma ideia que nos chega para nos levar para a imaginação; as imagens que retivemos de filmes, onde não sentimos os cheiros, mas imaginávamos que fossem exactamente assim... e são.
olhamos e é tudo diferente, é  muito verde, verde a perder de vista num oceano azul  infinito... 
infinitos naturais, onde o tic-tac acelerado da minha vida se perde, ou melhor se encontra com um ritmo novo... 
estou assim, há dois dias meio perdida entre o sons e brisas, entre a bigamia predominante destas duas cores que se deitam constantemente uma com a outra. 

o meu corpo acalma, e começa a repor as horas de sono em falta... os meus pulmões respiram bem abertos, e a minha pele sente, como se pessoas diferentes em mim pudessem simplesmente coexistir... 

adoro infinitos, muitos, mais que um, a sua diferença desmedida, o seu tamanho incerto. o nada que podem ser, quando temos a mania que eles são mais que tudo. 

verde, azul, infinitos a muitos tons...


6/08/2015

um quarto com vista... para um descanso

ouve-se o mar. a força das ondas a embater na rocha escura pro vezes parece uma chuva que não para de cair. 
as gaivotas cantam, ou choram, não sei bem, fazem-se sentir, misturaram-se com os sons do vento, de outros pássaros e o mais intenso de todos, o som do mar. 
ao longe a luz de um sol que se põe do outro lado da ilha, e o tempo, o tempo que não pesa, e não se sente. 

voltas na cama, dormir sem despertador, sem estores nas janelas, respirar devagar, correr de manhã, ou nunca, ou de tarde, ou talvez depois. aproveitar o despretensioso lugar com uma infame vista. fazer amor, rir do nada, gargalhar de um tudo que é estúpido, que só lembramos na ausência daquele misto de coisas e informações que deixámos em Lisboa...

respiramos devagar, ouvimos um cão que ladra ao vento que passa... saímos do quarto que também é casa, e lugar para ficar estes dias, olhamos o infinito... tão simples este lugar, tão imensa esta vista, vista para um descanso, um qualquer, simples e merecido. 
encontras um saca rolhas, abres um vinho da ilha, fresco com a brisa da noite que chega... com vista para este descanso vamos bebê-lo. 

olho-te,olho em frente, e penso tão bom este tanto nada para fazer... 


( e peço para a minha sede de energia não o esgote rápido)

6/01/2015

há sempre...

há sempre mais tu.
há sempre um lugar diferente, maior, mais escuro, com mais paz, para onde podes ir, quando não te encaixas em lugar nenhum...
hás sempre o teu sofá que te afoga de beijos e abraços, quando não os tens de mais ninguém, o sofá que te embebeda de preguiça e te permite levitar, fugir sem ir a nenhum lugar... e por aí fora...
há sempre as tuas lágrimas a mostrarem que o teu corpo está vivo, e reage...
há sempre as tuas gargalhadas a mostrarem que que o teu corpo, está vivo, e sabe...
há sempre alguém, que, como, ....(um espaço aberto para completares com o que quiseres)
há sempre mais eu
há sempre tanto, e tantos dias, de tanta coisa, e coisa nenhuma
há sempre demasiada confusão no barulho, demasiada confusão no silêncio,
há sempre lugares, viagens, percurso do ar que entra e sai entre ti e mundo, há sempre o espaço, o vazio, a perplexidade do que conseguimos que ele comporte!
há sempre o tu, o teu corpo,  a tua carne, onde toco com vontade, onde o há sentir renasce;
há sempre os sonhos, vontades, mentiras, verdades;
há sempre tão pouco tempo para tudo, e tanto tempo para nada;
há sempre o nós,
e depois de nós pode não ficar o nada, ou pode ficar o eterno que o que há pode ser.
há sempre mais, mais além, mais horizonte, mais saber, mais sentir, mais não querer!


há tanto que podia escrever todas as horas do verbo haver, por vezes a somar, outras a subtrair.

há dias em que deixamos de acreditar no que há, e ainda mais do que pode haver...
mas a memória, conjuga-se no verbo ser para nos  relembrar num toque de midas da nossa existência, do há  de que somos parte...onde tantas e muitas vezes há o medo...

há o mais além,  há o infinito, que nos sossega o medo, do tempo em que não há mais nada!
há o mais além, há o infinito, e às vezes basta!





5/27/2015

À tua espera...

A noite chega tarde, o sol do verão que ainda não chegou mostra-se num alongar demorado. Os dias estão maiores...
O meu corpo entre papéis, confusão e ficheiros, letras e ideias soltas, pousa-se sobre um ar abafado, que anuncia trovoada e vai pedindo devagar para dormir. 

Irrito-me com este cansaço, esta espécie de apatia física que se instala de maneira demolidora e me retira objectividade. 
Quero dormir, sei que não posso, na hora de ir para a cama vou lembrar-me do sono que perdi, e que contadas umas horas que  não sei para onde foram, mas  desapareceram, esqueceram-se por aqui  do cansaço. Esse ficou....
Sento-me no sofá, os sapatos juntam-se a outros espalhados no chão já ontem... Sento-me só...Sinto a brisa fresca da casa e não me importa o sol que teimosamente permanece escostado do lado de fora da janela fechada ....contemplo a escuridão da sala, fecho os olhos, perco noção do tempo, viajo...

Sinto o calor, como se brisa fosse, passa-me junto ao pescoço, entre os vestígios de pequenos cabelos mal apanhados... E voo algures, longe, perto, para onde o tempo não conta. 
Na ausência ainda agora só, sem que saiba como chegas, a tua mão agarra o meu cabelo com uma força delicada, e no silêncio da nossa casa  agarras a minha mão, que pousas sobre o teu peito. Todo o meu corpo sente o bater do teu coração que me invade mão a dentro. 
Tocamos-nos num beijo, a solidão desaparece... A casa fica invadida da luz do fim do dia, do vento que passa, cheia de nós!
Sinto...E é tão bom chegar a casa.

....

Continuo no sofá, a casa continua só, eu ali com ela, deixo a luz entrar, deixo o dia lá fora, preparo-me para sair do sofá...respiro fundo e instala-se a tranquilidade... Estou feliz, estou à tua espera! 




5/18/2015

sexta

Abre a porta e olha, respira fundo... põe a música a tocar, tira e espalha a roupa pela casa, bebe um copo, muitos...apaga a luz, acende as luzes...solta o cabelo, respira rápido...outra vez, outras vezes, muitas; dança, gira em voltas...esquece que há amanhã, encaixa o balanço da tua anca (algures), faz deslizar as tuas mãos.... E respira.... é sexta... e , inspira, e como numa segunda qualquer faz o que mais te apetecer!

5/04/2015

a minha história de amor

a minha história de amor, podia ser contada ao som de um samba, do Caetano, do Gilberto, entre letras de Vinicius...e o som do mar... 
o samba, que se dança na solidão das ondas de um corpo, que dispara para o balanço, ou nos braços e pernas de quem em sincronia nos toma pelas ancas e nos faz voar ao som de toda a música. 
a minha história de amor podia ser um samba de louvor à saudade, à tristeza das águas que correm, ou  à alegria dos ventos que sopram, e das palavras com luz... 
a minha história de amor é um caminho, começou algures num tempo diferente do que gostaria, e mostrou-me a minha música, no momento em que eu era mesmo boa a ouvir a música dos outros. 
é um história pequena, que quero longa, imensa, e sempre intensa...capaz de me electrizar de tanta energia, capaz de se fazer ouvir como bolhas de ar de uma garrafa de oxigénio dentro de água.
não consigo por cor a este amor, nem  medir a intensidade destas minhocas a rastejar nas entranhas do meu corpo. 
dizem que o amor não se explica, e muitas vezes fico baralhada, não se explicando porque se contam,se vendem e se recordam as histórias de amor?

verdade é, que esta história existe, como eu também, verdade que não a sei contar no detalhe, nem percorrer de trás para a frente em memórias nítidas. sei falar  deste amor, uma amor pequenino com uma força gigante, com uma determinação atroz que luta tantas vezes com o lado mais forte e teimoso do que sou, para me levar mais além, para me ensinar a dar passos e terreno forrado a mimos, esperança, liberdade e ar puro.
esta história resulta de uma luta tão feroz, intensa e violenta que tantas vezes levou para fora de mim o meu melhor, resulta de batalhas diárias, e lágrimas e desejos e sonhos, e muita muita esperança... resulta de pequenos passos e encruzilhadas que nunca podem parar....
este amor que me deu livre arbítrio, escolha mais feliz de ser... ser melhor, mesmo que em passos de pequeno ser. este amor que me dá vontades de partir, de chegar, mesmo sem saber bem onde, e como, que me mostra diversidade em tanta, mas tanta  coisa que  durante tanto tempo não vi. este amor, esta história, que me deixam falar, cair, ser imperfeita, sem que isso seja o pior, deu-me um trabalheira de um caraças difícil, daqueles que pede para comer todos os dias...

a minha história de amor, começou algures num tempo meu... e ainda não terminou! certamente não poderá ter fim este amor que se constrói peça a peça sobre a segurança de podermos ser sempre melhores, e de sermos sempre quem somos! 


a minha história de amor, foi o encontrar de uma caminho, encontrar o meu caminho....
aprender a amar-me um desafio imenso, que me  faz hoje mais capaz de chegar ao infinito...
a minha história de amor comigo, fez de mim uma pessoa melhor, conhecer este amor trouxe-me o amor do mundo, o teu amor, a tranquilidade para aceitar o impermanente, uma força maior para chegar às minhas metas, potenciar e aceitar mudanças.... 
a minha história de amor, trouxe-me muito amor, o meu, o teu, o nosso, a certeza que a minha história, a nossa história, e tantas e o mundo, e cada uma das minhas viagens, nunca será em vão...

desejo que esta história acabe comigo, ou possa nunca acabar, que este amor por mim permaneça como eu, neste infinito tão  particular, mas que só faz sentido com todos os outros...os que como eu têm uma história de amor comigo, seja eu como for!

4/25/2015

liberdade

liberdade é como uma sorte grande, mas maior... 
é escolher tratar de nós, dos outros, do mundo, é escolher poder viver o que se escolhe!
liberdade é correr por caminhos novos, voltar e repetir os antigos, é um som de abril que emerge nos corações que quem o sente no vento que passa, na chuva que cai. 
a liberdade é simples, sabe a ventos do norte e a brisas de sul...
liberdade maior é ser como sou, respeitar-me por isso, aprender a amar-me... liberdade é um amor maior, é escolher o que se ama, e amar, amar muito, porque pode o amor verdadeiro, ser errado, estar enganado? a liberdade diz que não... 
liberdade é ter as ideias de esquerda na cabeça, e ter na direita os melhores amigos, liberdade é discutir com Deus como se de um demónio se tratasse, mesmo quando se acredita nele. liberdade é cantar à desgarrada casa fora e sentir que se canta bem, mesmo que os vidros comecem a quebrar. liberdade é ir ao lixo de pijama, ir estrada fora com molas no nariz, e a cara pintada de verde... ou outra coisa qualquer...
esta coisa da liberdade é uma coisa que não é de medos, e quando os há, usa-os para caminhar em frente. 
é uma coisa de gargalhas sonoras, ou sorrisos simples, de silêncios cúmplices e beijos longos e cheios de saliva. 
liberdade é dizer,  é fazer, é ser... ser pessoa, ser do mundo. pegar na mochila, ir pelo caminho e ter a sorte de escolher alguém para o caminhar, e ter a sorte de ser escolhido para o fazer... liberdade maior é este mundo que nos espera, nos encontra, pelo qual entramos todos os dias sem pedir licença... e que bom que é ser do mundo e respirá-lo, livre de amarras e censuras, ditaduras politicas, sociais, de griffe ou imagem... que bom que é sonhar livre... e poder dizê-lo...

todos os dias travo batalhas para ser livre, na minha cabeça, ao meu redor, fora e longe de mim... todos os dias dou graças e admiro todos os que em revoluções pequenas, grandes, politicas, pacificas, rebeldes e sofridas se libertaram, e ajudaram a libertar os outros... encontraram caminhos, construiriam laços...
não sei se é verdade, mas hoje tenho para mim que a liberdade é uma mulher, a quem não importa a existência do útero, a missão de procriar, a função de cuidar do lar, a forma como quer amar, a escolha de ter uma carreira, de ter os filhos numa creche até às nove, ou abdicar de tudo para estar com eles... tenho para mim que é uma mulher que podia ser um homem, a quem importa o ser!
tenho para mim que apesar das amarras e prisões deste mundo global, sou uma pessoa de sorte, uma pessoa de braços abertos para o mundo, para o amor que ama, sou uma pequena amostra de liberdade... 
obrigada ao Abril do meu país, obrigada pessoas deste Abril, pelo contributo!

4/20/2015

quero respirar com leveza...

quero respirar com leveza...
encontrar o meu lugar no mundo, 
e no mundo dos que gosto...
quero caminhar perto de mim
e perto de tudo o que posso ser, 
quebrar os limites, estrangular barreiras,
ir além e acreditar...
amar a vida, amar demais,
quero amar, viver de amor, 
amar-me como sou, como serei, 
entender o que fui e guardá-lo com amor, 
quero gritar gargalhar e chorar 
com os pulmões abertos, 

quero andar, sem destino, 
para a frente, para lá, 
para lugar nenhum, 
quero aprender a ser eu, 
a ser eu de todas as formas, 
quero respeitar quem sou, 
saber que sou mais do lugar onde estou, 
e sou tanto, 
quero viver do amor, 
de nuvens repletas de chuva feliz, 
e sol de imensa luz, 
quero respirar com leveza, 
e encontrar pelo mundo cada lugar meu! 

3/24/2015

há um céu para nós!


há lugares onde me levas sem saberes, ou sonhares... não imaginas como lá chego, se lá vou e fico, mas levas-me, e no silêncio dos silêncios perfeitos e mudos, gosto "imensidões" de lá ir, e voltar.... há lugares em que me levas pela mão... e puxas, e me amparas e me ajudas.... e sabes com a aquela certeza, certa,que é para lá que estou a ir... 

há lugares, e tantos, e outros... e o melhor de os haver, é que ainda continuam a existir lugares para irmos juntos!

há um céu para nós, feito do que somos, do que construímos, feito das nuvens de cada um dos nossos eus, e das luas que damos ao mundo! 

3/15/2015

Simples

Há um quê de inteligência, na simplicidade da estupidez! 

Obrigada às coisas mais simples!obrigada! 

Há um quê de inteligência, na simplicidade da estupidez!
Obrigada às coisas mais simples!obrigada! 

3/12/2015

Trocado

Antes não vivíamos e arrependíamos-nos de não ter vivido, agora vivemos td para depois nos arrependermos de termos vivido rápido demais! 
Antes os comprimidos não tinham contesindicacoes, e o cancro,  não matava, ninguém sabia que existia! O mundo trocou-se, como se de um ciclo se tratasse, e andássemos num tempo que se move entre hemisférios e lados distintos e se adapta, e se estranha e depois se entrenha... Para que no tempo a seguir o próprio mundo o ache errado e o mude.

Anda tudo trocado, o certo, o errado, bebemos bebendo como se néctar secretariasse, deitamos o melhor no lixo sem hipótese de reciclagem... 
Trocamos o nosso mundo melhor pela hipótese de ele nunca existir, porque ele se trocou no seu caminho, entre o bem e o mal, que deixou de os conseguir ver! Deus esqueceu a cura, e o demónio já não conhece venenos... E o mundo esqueceu-se de quem é! 

3/11/2015

o dia em que soube que ias casar comigo!

há coisas que queremos tanto, que às vezes falar delas tira-nos o medo da barriga e passa-o para o nosso peito... respirações e toques que nos colocam em diferentes dimensões.

depois há a ilusão dos momentos, a perfeição que do significa algo para uns que pode estar aquém do que significa para os outros. mas, de formas diferentes, a medida de desejos de diferentes pessoas, que em algum momento se cruzam, são momentos, e desejos perfeitos ...

o certo é, que há coisas que sabemos, como se de uma intuição maior se tratasse, mesmo que represente as maiores mentiras naquele instante são para nós as verdades, as únicas verdades. coisas que não são ditas, nem ouvidas, que existem guardadas no silêncio de onde ainda não saíram, mas onde já sabem que existem.

houve um dia, tão simples, como os demais dias são, que a minha casa aumentou a muralha que separa a minha tranquilidade do caos do mundo lá fora; aumentou a certeza que existe a minha casa, em qualquer lado do mundo onde possamos estar juntos, não importa o espaço, o tempo, se vamos de bilhete na mão ou em busca do desconhecido.

naquele dia de outubro, acabados de chegar da cidade onde consigo ser o ser vivo mais feliz do planeta e respirando beleza e frescura a cada raio de sol dourado que acumulamos na pele, com todos os meus sonos trocados, ali mesmo em casa, com o cheiro a avião na pele e roupa suja na mala, estava eu  a caminho do banho e tu  puseste aquela música a tocar....
vieste ao meu encontro, ali mesmo na porta, entre o quarto e o corredor, estacas ali, ,atrás de mim, num abraço,  tiraste-me para dançar e em segundos eternos, disseste amo-te.
ficamos ali tu e eu, o meu frio na barriga, a nossa casa, perfeito forte do imperfeito que também somos, ficámos ali, num para sempre que se prolongava no som da música a tocar,  (estavas ali na minha tranquilidade feliz)...dançávamos entre o quarto e o corredor, ficámos, eu e e tu, nós, e o dia em que o meu corpo sobe o que já sabia, mesmo sem o ter ouvido, soube que algures no nosso destino, ias pedir para casar comigo! <3 br="">

.... ( e um dia aconteceu.)




#PassaPorLá
photo: goldendays , quinta da cerca

3/01/2015

Ir à terra!

Viajar por umas horas e encontrar memórias e cheiros, matar saudades, fugir de algo que já não somos mas com o que gostamos sempre de nos encontrar. Comer a comida da avó, ter vontade de chamar a mãe chata, o pai entusiasta demais... Viajar para encontrar uma calma, que no fundo nada mais é que uma confusão diferente...

Ir à terra de quando em vez, e de cada vez que se vai, perceber que tudo mudou... Alguém morreu, alguém nasceu, uma rua que mudou desenrugo, uma casa que caiu ao abandono, um café acabado de abrir, um filme no cinema com meses de atraso, um espetáculo por cinco euros que em Lisboa custaria vinte... Comer o típico e demais.... 
Ir à terra, matar saudades, encontrar memórias, correr de manha com
O frio, a humidade, os pássaros, o vento e os cães, respirar um arcarem carros e cheio de brisa...
Ir à terra, encontrar confiryo nos vivos, calor, o melhor da confusão que muda, envontrar memórias e recordações de quem não está ou está com um
tempo bem à frente do nosso, evidente nas marcas do rosto, no pesar do corpo... Ir à terra, contar as novidades a que está, sussurra-las no silêncio a quem
jà foi. Ir à terra, é ver quem somos, o que somos, de onde vimos, com quem contamos, ir à terra é para crescidos  que gostam de respirar a imensidão junto da paz dos que na terra já estão...





2/08/2015

ousar

há um esperança escondida atrás de cada respirar, um novo caminho para lá dos passos que vamos a caminho de dar, um lugar para cada coisa que nos vai integrar...
às costas seguimos com o que somos, e capazes de largar o que temos, mesmo que o amanhã, não nos diga antecipadamente do que vamos necessitar para caminhar...
em justificação a ideias assim, podemos divagar sobre o ciclo das coisas, ou o a lei do retorno, a força do destino, a conspiração do universo, ou tão só e simplesmente com a força da vontade de cada um...
se eu morrer amanhã, se entrar em mim uma doença que não queira, se tiver de lutar desalmadamente contra ela e perder, se algures no caminho me levarem os meus, as minhas pessoas especiais, os meus amores, o meu amor, a minha vida,  talvez todas as justificações se dissipem como uma explosão de pó num buraco negro vazio... talvez tudo tenha falhado... talvez seja mesmo assim, e viver seja simplesmente o mais imprevisível de tudo o que podemos ousar!

e ousar significa fazer o caminho, ir, seguir por diante, mesmo que alguns medos sigam na nossa bagagem... ousar é não deixar que o medo venha para activar o stand by, é não deixar que o medo nos pare, mesmo quando sabemos que o estamos a sentir...ousar é continuar o caminho, desejando que ele nunca se acabe em nós!


1/20/2015

Vivemos com o que não desejamos, não esperamos, e muitas vezes não queremos... Mas não desistimos! 

1/19/2015

Os dias mais infelizes são aqueles em que não vemos o amanhã! !


Há quem diga que hoje é o dia mais infeliz do ano! Hoje faz um mês que festejei o meu aniversário e que passei um dos melhores dias da minha existência... Digo um dos, porque acredito que pode amanha pode ser melhor...
As coisas, as pessoas, o contexto nem sempre é o que esperamos, como esperamos que seja, porque o tempo é uma medida pouco exacta para alguém que quer do tempo da vida muito do que ainda não teve, ainda não viu!
Dias a preto e branco servem para lhe darmos a cor dos nossos sonhos, as esperanças do nosso caminho! Vermelho vivo como o nosso sangue, vermelho da energia da nossa alma, da nossa guerra em sermos maiores do que todo o tempo que a vida nos queira tirar! 
Tenho a certeza que dias como os de hoje não são os mais tristes, nem os mais infelizes do ano! tristes, infelizes  são todos os dias em que não vemos o amanha... E os meus olhos vêm bem perto o amanhã que ali vem...

1/14/2015

Medo

medo, uma luta, um desafio, muitas vezes uma conversa com o que somos, ou o que habita dentro de nós! 
medo, uma palavra fantasmagoria até no sua fonética... envolta em sombras chega para por barrigas às voltas, o corpo a tremer, os olhos a chorar, a inchar, o alma a deambular por tempos marcados por névoas cerradas... muito depois do medo, muitas vezes no medo que já passou, só então vem a autorização do tempo para que nos possa fazer rir;  rir de todas as parvoíces que fizemos, passamos e vivemos para o conseguir por a andar...
medo, bicho que nos vens tirar força num ensinamento de mais força nos puderes dar, que nos mutilas em tantos momentos... medo que  me expões tantas vezes, na fragilidade que  me aumentas...
medo, que tanto existes, em tantos vais e vens, em tanto viver... medo!!! é não ter medo mesmo quando ele se senta ao nosso lado no sofá, e teimosamente insiste em não querer passar! 

1/08/2015

Recomeçar

os inícios são renovadores, diz-se que devemos aproveitar as energias do começo, para chegar a bons fins... 
tudo de novo é um chamamento ao bom, ao melhor, é a nossa alma a pedir ao universo conspire connosco para que nos chegue o melhor. 
diziam-me ontem que os ciganos, não gostam de ver bons começos às coisas, preferem festejar os melhores finais... num mundo onde podemos ser o que quisermos, mesmo que às vezes com medo, acho que ninguém leva a mal se quiser ser cigana nos próximos dias! 

recomeçar às vezes é passar por um quase mesmo, por onde já se passou, fazer de novo, sentir de novo, ultrapassar de novo, vencer de novo, rir de novo, chorar de novo, e depois tudo outra vez... é um pouco com ir a um ring de box todos os rounds, levar porrada e conseguir vencer, e colocar  no modo repetir, vezes em conta, e caminhar para vencer batalhas de cada vez que for preciso, de cada vez que tiver de ser... 
recomeçar ao longo do tempo, fica no entanto diferente, muitas vezes mesmo sós, sabemos que não recomeçamos sozinhos, que partilhamos a felicidade do melhor, a angustia de cada queda e a estratégia de cada batalha e conquista. diz que crescer é aprender formas diferentes de passar por lá... pelo caminho! 

acredito que mesmo quando as coisas não são exactamente como queremos, que alguma coisa no universo vai fazer com que tudo fique devidamente no seu lugar, nestes recomeços de batalhas sem conta, espero que o universo saiba que o meu lugar é mais uma vez a dar cabo disto!

há paginas em branco envoltas em luz, esperando que as escreva. 
cada linha será mais e mais do que vivo, e será um mais repleto de grandes finais, e vitorias, mesmo que no percurso rompa algumas com lágrimas; creio neste universo para que assim seja, e por isso assim será.

1/02/2015

2014...à volta do mundo, 2015 mundo a fora!

não é novidade para quem me conhece que carrego uma ganancia gigantesca de passar por todos os cantos do mundo...esta vontade desmedida, consegue muitas vezes fazer-me ultrapassar medos enormes, como o de andar de avião, andar por lugares remotos, sem contacto com um mundo que considero habitual...
2014, foi o ano dos trinta, e foi ano de percorrer caminhos,mais ou menos belos, mais ou menos penosos, foi um ano a  passar por lugares, e a passar como nunca e ousadamente por mim!
foi um 2014 há volta do mundo, e do meu mundo, que me deixou mais serena para uma viagem maior em 2015...

uma das maiores, mais desafiantes viagens que fiz em 2014, foi comigo, só, por caminhos onde só eu vou, por dentro do que era, do que sempre fui, e do que poderia mudar, foi o  descobrir do que há dentro de mim, da possibilidade de amor de mim para mim,  dum  espaço para errar, voltar a tentar, começar todas as vezes que quiser, com uma força que depende só da minha energia, descobri a tolerância, palavra da qual não gostava, mas que soube trazer para um lugar que ela pode ocupar.

descobri que a perfeição é um caminho cheio de atalhos imperfeitos e isso não é mau. descobri o meu eu, um que pode estar a aprender até que o sempre acabe!
eu andei comigo por dentro de mim, e fui ficando melhor.
viajei depois com o meu corpo, muito kms de corrida, solitária e contemplativa, e de esforço no ginásio. aprendi que o meu corpo precisa de exercício para eu  ser melhor, e mais forte e mais capaz, libertei uns kgs que teimosamente estava a reter e não eram meus, não todos os que queria, mas alguns... estou pronta para me libertar dos restantes, com uma força ainda maior!

o meu eu em viagem por mim, teve em 2014 um ano de encontros, de libertar angustias, sofrimentos, e embates... terminou num eu pronto para mais viagens em 2015.

no 2014 à volta do mundo, agradeço tanto, agradeço todos os kms que percorri, todas as imagens que retive, as experiências que passei, que encerradas em mim, serão minhas até ao fim do meu tempo, e me fazem sonhar com tanto onde ainda quero ir,  de em Miami com amigos, preparei-me para Laos e Vietnam durante meses, foram 17 dias fantásticos, voltei ao Rio de Janeiro, onde sou de forma exacerbada continuamente feliz, matei por lá saudades da família, voltei a Barcelona, 6 anos depois, para me enamorar pela cidade para sempre... viajei no sofá da nossa casa vezes sem conta, mergulhada nas palavras dos outros, nas linhas que escrevi, nos meus sonhos e nos nossos! e todas estas viagens contigo! e por todas elas dou infinitamente graças...e aqui estou com mais de muito mundo a aguardar que por ele passe, aqui estou à espera de passar por ele contigo! 

voltas dadas, passagens feitas, o tempo não pára... obrigada pelo melhor, pelo menos bom, cheia de gratidão, dou conta do tempo que chega continuamente, quero aproveita-lo todo, com muitas ganas e ganância de passar onde ainda não fui, ou voltar onde já fui feliz!
Mekong, Vietname, uma vida para lá do que somos!
Barcelona, para sempre nossa!

que 2015 seja mundo a fora... como gostamos tanto!


Miami,amigos e ano novo!


Laos, remoto e mágico!

Rio, onde sou mais feliz, e o pôr do sol é único!