12/20/2007

alguém para me dar mais

E uma e outra vez, a caminhar até ao fim, andar para bater as portas todas...
Afinal fazia tudo outra vez, e depois e depois mais e uma vez...talvez por chorar e rir da mesma forma, da mesma maneira, os anos passam e afinal, mais e mais de um mesmo de cores diferentes!! Pode ser que mereça diferente, ou então não, tropeço e volto a errar da mesma forma do mesmo modo. Cair, só mais uma vez, cair e recomeçar todas as vezes e não é mesmo assim, pouco sal, muita pimenta, muita magia e poucas memorias diferentes.
Alguém para dar mais, onde? aqui, ali, mais e mais nas portas e nas janelas? não me parece, não me aparece, não se encontra, ou não se mostra.
Mais igual, mais do mesmo medo, mais do mesmo tropeçar, mais do mesmo sorrir e até da musica cantada. O rádio toca sem parar a mesma a faixa riscada, o erro de sintonia prolonga-se pelo telo espaço, a mesma nota, o mesmo tom e a mesma voz desalinhada no segundo treixo da letra repetida...enfim , mais de um mesmo diferente.
Talvez mereça, talvez não, talvez saiba, talvez não queira saber onde está e onde passa alguém para me dar mais, para me mostrar um mais diferente ...
E no final, no recomeço, é sempre assim...

12/04/2007

enfim Tolices

A estrada tem sido maior que a velocidade, tem sido mais que o compasso e marca de lugar por onde quase todos passam.
Tenho passado muitas vezes neste alcatrão, tentado encontrar os mesmos buracos, na tentativa vã de consertar todos. Já conheço a estrada, já a sei sem a olhar.Tenho olhado mais para o horizonte nas ultimas horas, de forma consciente, e quase certa de que ele não para e a estrada pode sempre fugir-me dos pés...

Enfim tolices minhas, nas linhas que escrevo, releio e altero entre os papeis. Nos ultimos minutos, nos conjuntos que eles formam ao longo de todos os dias que não voltam tenho escrito mais, sentido mais, dado mais tempo à leitura e ao sorriso que teima e custa a sair, tenho acreditado mais quando tudo diz que não, tenho deixado à solta mais de mim para mim...De novo mais eu num lugar de mais tus diferentes... menos amarras, menos freio, mais liberdade...ainda mais...Tenho preguiçado ... em passos marcadamente maiores, mas ainda assim pequenos ...
Enfim tolices...

Dou por mim mais parada de novo mais ouvinte, um tanto ou quanto mais tremida e de igual forma revolta, mexida...electrica como sempre e de costume...
Depois numa tolice penso...
Sou mais que a antitese que existe, sou mais que a caneta a escrever, sou mais que o preto da minha roupa e o trocado jeito do meu cabelo....
Sou menos que a forma do meu sorriso, menos que o som das minhas gargalhadas vazias, menos que os sonhos e os laços, menos qu a chuva dissipada no ar...
Entre o eu existir, entre mais e menos e tolices, serei certamente diferente em vez de igual , como qualquer comum mortal...
Tenho escrito mais, tenho sido mais eu, tenho um encontro marcado ou melhor tenho faltado ao encontro, ao mesmo tempo que falta menos de mim em cada um deles... tenho talvez descoberto o segredo de ser passagem imperfeita e recomeço constante...estou distante e mais perto da essencia do passa por lá que eu mesma comecei...

11/30/2007

...

"Toda a vitória e progresso humano têm como ponto de partida a força de vontade de cada um."
Montessori

11/14/2007

Regaço

O meu regaço diz-me que vens aqui, passas e voltas a passar, dás com o tempo que perdes a passar aqui, a importância que queres dar e negas, renegas, embaraças e escondes.
O meu regaço dança na chuva, troca os passos ao caminho e cruza as senhoras daí de fora, as que são tudo o que não sei, e mais o que nunca vou saber, jamais saberei tudo de todos…
Mas sei, eu e o meu regaço que renasces com esperança a esperança de voltar aqui, e que renasce a tua força de não me querer encontrar, forte porque sabe que quer e assim volta, de punhos erguidos e mãos fechadas, passa aqui, passa por mim.

Sabe o meu regaço que o desejas, sabe mais que eu por vezes, descobre que escondes a força e a teimosia, mas que voltas sempre como o relógio que sem se repetir volta atrás... Voltas e negas, porque isso te irrita. O diferente de ti é o básico sintoma da simplicidade da vida, do regaço e do colo, do susto e do sempre ser assim ou não assim e ser para quem se quer e não para o mundo…Depois o regaço diz, sou dali, dali de fora, e lá fora está tudo.
Falta-te um regaço, ninguém me contou, o meu já sabe disso…queres um colo que já não existe e sabes tão bem disso, como eu sei que o sol que vemos muda todos os dias…queres um regaço, como eu quero ter um e ser livre também.
Talvez numa e noutra passagem, difusa e confusa, trocada ou em passadas de sol, cruzemos o teu regaço como o meu e sentados na calma se troquem as palavras e os gestos que não dizendo nada, podem explicar o que afinal não passa do equivoca de um curto contado tempo desta passagem em que nos limitamos como humanos a existir…
Se um regaço não chega, talvez nada se diga, nada se passe, nada se encontre, e jamais renasça, que do nada te pode levar ao encontro do tudo…
Por agora sei que passas, que vens aqui, que voltas, e que não paras de querer voltar ...

11/13/2007

Mãos abertas

As mãos abertas, em guerra com o corpo, que as nega…entediam de passar assim no vazio, oco do espaço onde as vozes se juntam para nada do pouco dizer. As mãos abertas, esperando nada de tudo, e a imensidão levada pelo ar, trazida pelo sopro do vento. As mãos que continuam ali, abertas, irrigadas de veias cor de azul cintilante e cinza prata.
São mãos de ser assim…

Mãos de mim, mãos de sal que limpa destrói, mãos de gelo que brilha, de fogo que reluz no corpo cansado delas, no corpo delas tomado.
Mãos que se abrem na espera de ser sopro de agua, bênção do pão que o espírito sossega.
Mãos que de ânsia se pintam de cor, que te pintam a óleo, numa tela de guache. Mãos de mim que não mudam e que serão assim na infinidade de possibilidades que elas por si só conseguem abrigar.
Mãos de pó de café e de cheiro a brisa verde um pinhal encantado, mãos de chocolate preto e intenso, mãos de tinto, mosto, néctar. Mãos de beber, de saborear, mãos de ser mais, de nada mais ser, mãos abertas, porque já sabem trautear a cantiga do sempre regresso. Aquele que não volta, mas sempre retorna, depois de o negar com toda a vimência e insistência. Mãos de ponteiro de relógio, das horas que se repetem sempre, como o caminho circular que sempre se faz com elas, circular como o caminho dos sonhos, como o dos desejos e como o da própria vida. Mãos de mentira e de joio, mãos de verdade e de trigo, mãos que abertas são pouco mais que eu, e pouco menos que o todo que já não vês e não páras de pensar em encontrar…
Mãos abertas para a tua descoberta, o reencontro do que não queres ver com elas, mãos de mágoas passadas e beijos nunca trocados, mãos apertadas, sem anéis, coloridas, doridas, cansadas, ofegantes, sofregas, quentes e extasiantes,mãos que não falam, sussurram, que não contam, guardam, Simplesmemte mãos abertas onde certamente, vais de forma inevitável voltar a passar…Talvez mais devagar…



11/12/2007

Como é para ti?!

Como se beija uma nuvem estilhaçada, quebrada num céu descolorado? Como se encontram quimeras, nas encruzilhadas de um bosque densamente povoado de solidão?
Como se respira sem fonte? Como se chora sem horizonte para chorar, sem acalmia para sentir e turbilhões para contornar?

Dás-me luz? Aqui, agora, ontem, amanhã, no que futuro que fito e finto, no passado que prezo, recordo e esqueço?
Dás-me luz? Parte do calor? Parte de nada, sem sol e sem réstias de brilho? Dás-me? Não?
Dás-me Abrigo ao domingo de manhã, névoa à segunda feira, brumas numa semana completa, onde o desgaste começa cá dentro e me impede de te pedir, de te sentir, de ver a tua luz, de beijar em estilhaços o porto que já foste, o mar que revolto ainda és, a povoada solidão que somos juntos??…

Agora aí, com a infinidade de milhas cruzadas e linhas telefónicas desligadas, a falar mais inglês que o possível detestável por mim, a querer pensar em português por sermos assim, porque de fado, só, nós, podemos falar como loucos, de uma Lisboa só nossa, de um tasco animado da sinfonia da epifania de sermos como ninguém um…
(Descobrir depois que não temos nacionalidade nem falamos a língua de ninguém....)
Vem o fogo nesta parte, fazer com arte as partilhas de um sonho preto, branco, terno azul e sempre verde como cada parágrafo da minha escrita, que na magoa revela a esperança e nas entrelinhas te revela a ti aqui. Vem o fogo queimar-me e queimar-te em segredo, gritando que está aqui, no entre nós, no depois de mim, na passagem para lá..

Desidratados por sermos assim, desfigurados deste contexto que nos entendia, vamos soluçando soluções que não chegam, que conhecemos, almejamos e respiramos na mesma almofada que nos acolhe e nos põe de molho a recuperar, a ressurgir para o lá fora que depois tempos…


Passar por lá contigo, é ás vezes assim….
Como é para ti?

10/28/2007

História do Passarinho verde...

Era uma vez o passarinho verde, camaleão na cor, que ganhava e perdia verde como quem voa e não voa. Pasarinho verde nem sempre tinha asas, nem sempre conseguia voar, nem sempre planava de verde no azul do céu coberto.

Limitado mas doce, nunca parava de cantar, nunca parava de crescer, nunca negava aprender, verde esperança verde cor do passarinho subia e caía e voltava a subir naquela arvore de grandes raízes, naquela casa sua e do mundo onde o seu verde mais esperança oscilava entre o esperar e o esperar ainda mais.

Cai o passarinho verde, voa ás vezes o passarinho verde, fica pequenino, depois grande como toda a imensidão do mar, às vezes está ali doce e meigo no mesmo ramo, no mesmo galho trabalhando com docura o ninho que quer para si, outras vezes cresce mais e emancipa-se, fica doce e carente na arvore do lado, no galho alheio, onde se volta a encher de esperança, mesmo que com o calor que vem de lá.
...
Outro dia qualquer contarei a história do passarinho verde, verde esperança, que é doce e pequeno e que deseja ser mais, que tem um tronco seu e recebe alimento do tronco alheio, que quer voar mais e nem sempre tem asas...
Outro dia que a história deixe contarei a sua história, outro dia que o verde carregue e que ele voe...não no voo de voar por voar... contarei sua história num dia que ele deixe de voar para lado nenhum... e que encontre planando o colo onde vai pousar...

10/03/2007

Ímpar

Segue caminho ímpar
porque o similar afoga;
Relembra montanhas
Outra hora passadas;
Segue em frente
sempre sob o sol;
segue caminho ímpar;
com chuva miuda caindo;
pedras e socalcos,
Caminho fora,
Largam sorrisos e lágrimas
caminho dentro...
Ímpar de sonho´
Ímpar de ser,
não se trava, não desiste
Continua impar
Impar de ser mulher
impar de querer vencer
ímpar de caminhar para alcançar...
Percorre as memórias e o futuro
Recorda, revê...
porque recordar é constância,
e um dia alguém
sussurando lhe disse
"para é morrer"...

Uma vez tu

Eras uma vez tu, vestias medo num dia qualquer, sorrias por hora, como quem chora à janela e rejubila de sol no dia que sopra para finalmente respirar de alivio sabendo sorrir chorando e vice-versa.
Eras uma vez tu, o salgado do ar ao encontro duma fogueira apimentada de terra, estavas ali, deixando alguém tirar-te uma a uma as peças da tua roupa, suga-te a energia, recebe o teu calor, aquecendo-te mais, eras tu com alguém...
Eras uma vez tu, rebolando nos sonhos, deslizando naqueles dedos que num só toque exalavam a história tamanha de um momneto fumado, esbatido e longo...
Eras uma vez tu, a olhar, cerrados olhos comiam cada pedaço de corpo que encontravam na frente da retina...comias como que dilacerando todo o mais pequeno pedaço, atribuindo-lhe a importâncai maior. Eras uma vez tu, tremendo, sorvendo, pegando nas mãos, percorrendo traços do corpo, queimando e gemendo, ao encontro do auge.
E tu assim agridoce em mais uma marca, em mais um atatuagem de sangue, marcando passo a passo, num louco, delirante e intensamente molhado, passa por lá.

9/20/2007

No meu, no teu, peito!!

Falta-me o ar, respiro ofegante, entre a certeza do ar que vem depois e do grito suave que vou querer exalar de mim, só para o teu peito ali, distante e perto, receber como eco.
Na parede branca escrevi as sensções tensas e intensas com suor e força, com o toque, com as mãos e com o corpo, o teu peito esse encostado a meu corpo, a tocar uma canção única, pautada por aquele momento, deixou-me ouvir o teu coração descompasado do meu, num bater rápido e desintonizado.
Depois mais calma, depois da rota e do traçado agitado já percorrido entre o traçado e os sons que não fitamos de um mundo que não para, e passa lá fora, tocas no meu cabelo e vais-me encostando a ti, aninhas e ajudas a aninhar-me ali, no regaço, apertas-me contra o teu peito e num mimo só ficamos ali em silêncio, a divagar, sempre longe da intimidade daquela ausência de som, com medo do que ela nos possa querer dizer.
Estamos assim, entre o meu peito e o teu, entre as mãos que se juntam, e os olhos que se trocam, aproveitamos o quente um do outro, e naquele tempo que temos, somos de um para o outro, sem direcção de partida ou chegada, damos e recebemos tudo, no peito, damos e recebemos muito do que queriamos ter logo a seguir de manhã, mas que optamos por não ter e não querer, optamos por não dar mais, porque a sabemos que outra e outra vez, podemos ter a frescura do orvalho em vez do frio da chuva, podemos ter o quente da primavera em vez do calor abrasador do verão. Vamos andando numa simbiose mutua e de aproveitamento consentido, esperando o nada, porque o maior privilégio que temos é o natural que somos e a capacidade de sabermos viver com isso...No teu peito, no meu peito, um dia destes,..depois logo se verá...
Respiramos assim o mesmo ar, sobejamos o mesmo prazer e bebemos do mesmo, enquanto passamos assim por lá, e na loucura nos permitimos aninhar e recuperar no peito um do outro, na descoberta de sermos um pouco, muito iguais...

9/17/2007

Uma Infinidade de Tempo

Há uma infinidade de tempo entre as escolhas, o acaso e a experiência, uma infinidade de tempo a separa-las, a ouvi-las, a gritar com elas, há uma liberdade fugaz...
Há um caminho tosco, embrulhado e parco, que na "pouquez" imensa, cresce com o tempo que há, há de haver, por aí entre tantos milemetros de tantas e tantas coisas..há a imagem do sol no teu rosto, e da lua na minha pele, há o som dos teus passos a fugir de mim e dos meus gemidos a colarem-se aqui no trans~bordo emaranhado de ser assim, um fluido mulher, um ser para ti de mim...
Há ainda a minha vontade, o meu dorso imenso e quente, esperando partir em algumas das suas partes, há o tudo istp e tanto mais e depois, há o mundo e nada...
Oco poderia ser vazio nosso, oco poderia ser, se oco jánão fosse, e não sei nunca se o é, se o será...
Talver haver de nada se sirva simplesmente para ser, e confuso certamente ele é...Esbarra na confusão, esbarra na ilusão, acorda na neblina e esconde-se no orvalho terno da noite, e eu ressusito no que sobra...
Haver que consome o nós e nos dá leveza, tristeza e subtiliza e mais, no sdá o algum e o nenhum sopro de vida...
Haver que existe, resiste, oco, triste e cheio d eforça, enublado e límpido, haver de guerra e paz... Haver de há. porque agora também há um passa por lá, por nós...mesmo que este não dure uma infinidade de tempo!

8/21/2007

O maior Urso que conheço, Tu...

A estupidez petrifica-me quando ouso pensar diferente, quando ouso por momentos vislumbrar mesmo que na penumbra, um nós diferente, ou simplesmente um nós.
Não enjoo de ti, não enjoo teu corpo, não enjoo o cheiro que se cola no meu corpo e reconheço nas distâncias e me fala de ti, quando nunca estás. Não nego a força da atracção, o poder do corpo, a paixão borbulhante que me faz esquecer de mim, das angústias e das dores, das ressacas e dos pesadelos, das insónias acompanhadas de aridos pensamentos, onde te afastas, te perdes e como fogo de dás e consomes num campo quente diferente, que não o meu.
Enjoa-me a tua premiscuidade, não a que partilhas comigo, mas aquela que usas e nunca deixas de lado quando tens e sabes que tens uma mulher a sentir por perto. Enjoa-me cada palavra que dizes e em que podia acreditar e enjoa-me por já não poder ouvir e sentir o seu significado.
Para ti sou carne, para ti sou eu, tudo e tudo, menos o resto, menos o traço que em copola se podia diluir em ti.
Talvez porque tenho de crescer, talvez porque o meu coração não pode parar de cada vez que eu quero, não pode parar porque tu existes, porque mais ou menos assumidamente te espero, porque vagamente até podia ser bom esperar-te...por tudo isto e por nada disto tenho de olhar em frente, sentir a serio quem me quer sentir, envolver-me como tu envolves, bater com a cabeça e com o coração, deixar que me amem e retribuir com amor. Sou mulher, posso sentir esse amor, e posso acima de tudo dar um pouco dele a quem o queira..talvez por isso, Tu o maior urso que hoje conheço, tenha que ibernar, ibernar em mim, ou de mim, ibernar, para que eu possa respirar... O urso que só me come, pode muito bem, continuar a comer outro peixe, porque hoje apetece-me migrar para outro mar..
Talvez um dia saias da gruta, talvez um dia, eu seja mais que peixe, talvez esse dia nunca chegue, e na volta passe a chegar tarde demais...
Não posso esperar um urso, quando ele diz ao mundo que não há espaço para mim na sua caverna...
Mesmo urso, és o que és, só que doi demais lamber as tuas feridas, ocupar o meu colo contigo, e saber que logo a segui, no dia qu chega, volto a ser pouco mais que um peixe, e doi saber, sempre a passar por lá, eu te consigo ver sempre mais que O maior Urso que conheço...

8/17/2007

Afoga-te

Assumo a minhã fraqueza...a minha desistência... o meu medo...mas não posso tirar alguem do poço em que se afunda, quando é seu desejo assumido afundar-se e afogar-se ali...
Sendo assim enquanto eu passo e volto a passar...resta-me desejar que te tortures com prazer quando os teus pulmões afogados como tu quiserem renascer e tu, mais uma vez lhe negares esse renascer, na ilusão de que afogado és sempre melhor...mesmo que tão e somente como recordação.
Continua então, e afoga-te... depois de afogado certamente quem tanto te lembra, irá querer (talvez em vão, talvez não) esquecer-te.

8/15/2007

Sente (s)

Sente e não quer, sente e não quer saber, sente e sabe que não pode, sabe que sente que não sentir é melhor para que não sinta demais...
Sentes e escondes...
Ganhas, sem saberes e sentires que sim...
Sinto e sei que o sentir é demasiado para mim, é muito tremulo esse ser sentido, porque afinal o meu autodominio continua aqui, perto do que sou e não quero deixar de o ter...
Um dia qualquer nestas manhãs que chegam com a névoa que se sente, sei que vou sentir a doer, que este emaranhado se espiraliza e aí já vou estar perdida e perto do tudo que sinto e escondo do que se sente...
Confuso como eu, perdido, entranhado, espelhado, espalhado, difuso, e tudo meu...tudo o que crio nas paredes, construo nas portas e teimo eu colar às janelas...
Na infinita possibilidade de tal acontecer, parece que teimosamente acaba por acontecer, sei lá como e porquê, sei lá que será ou é, não domino o que vem e vai, e se enconde, não escondo porque não o deixo mostrar-se, não o mostro porque não quero senti-lo, até lá, voo e voo, continuo a planar na minha roda de fogo, onde rasgo e queimo, onde toco troco, onde me envolvo e me deixo seguir pelas linhas do físico quente que mal ou bem me acolhe, me emaranha mais e me vai dizendo que me ama...
Já nem esse amor sei como é, essa paixão que está lá, que sei que tá...acaba por me distanciar mais de mim, levar-me p longe do que se sente cá dentro, melhor dentro de mim..já ne o fado do encontro que sussurro quando estamos juntos e me mostra que tu és tu, para o tu que eu sou, me chega, me acalma, porque o nosso fado é sempre esse o do encontro e quando há encontro, não há permanência...
Estou aqui, será que alguem sente...
Estou aqui, será que tu, não o primeiro, mas o tu outro, está aqui em mim também...
Estou aqui, será que sente(s)??
Estou assim...sentindo como sempre, neste instante sentindo mais, neste instante com mais borbulhantes ansiedades...
Na volta, em mais uma volta desta passagem, estou aqui, como sempre a passar por mim, na volta do passa por lá, estou em mim...sinto...sente(s)...

7/31/2007

a resposta..

Tonta...entre o dissimulado ar que me deixa inconstante e estranha dentro das minhas entranhas, entre o doce que habita o amargo de que me rodeio, e um pouco ácida como o sumo do limão que sugo aos caminhos, daí, esses daí de fora...
Tropeçando, escorregando, quase a cair da ponta do salto dos meus sapatos,(aqueles qu emostram os meus dedos de pontas coloridas a condizer com as mãos), procurando não pisar os limites das pedras desta calçada moderna, só típica das ruas de agora, caminho, corro, marcho, deambulo e paro em contemplação ao nada, procurando encontrar a resposta.
Resposta que não vem, não chega, nem passa por mim, resposta que continua incerta da pergunta, mas que vai caminhando certa da necessidade de encontrar a ponte de saída para uma explicação.
Enfim, não me sinto assim eu, tento disfarçar, e esconder que não me encontro na perfeita harmonia com o eu que sou e no fundo, carrego um eu estranho aqui, cá dentro, no meio do nada que eu sou...
Depois, buscando esta resposta, descubro tantas, pontas de nada, repletas de tantas perguntas, descubro que estás ali, descubro sim, que por lá te ponho a passar, e quem diria que assim é. No limite mais estranho de tempo, que eu própria analiso ou consigo analisar em mim, entraste, voltando atrás, não sei bem quando é que foi, bem me pergunto, mas é outra resposta que tarda em ser encontrada.
Estranha a tua chegada, mas muito muito muito mais estranha a tua constância, o teu não ir para fora de mim,o meu eu a alimentar o teu ficar que não fica, e continuo longe de perceber, porque eu te deixo permanecer ali, se afinal somos tão próximos mas por isso tão distantes, somos tão similares e por isso tão singulares, que não passamos pela cabeça um do outro, (ou então cabei de mentir).
Estranho não entender? não!! Normal...O contexto é que é dispar de todos os outros, porque tudo o faz assim, porque vou tropençando no que não consigo ver com a clareza de uma luz limpída embora acutilante, porque és diferente, porque eu sou teimosamente diferente, tão teimosa que me repito a toda a hora na palavra parede que nunca escrevemos claramente juntos...
Teimosa em procurar esta resposta que claramente não tem solução, embora seja de resposta simples, a resposta que agora não quero ouvir, que procuro não ter para não ter que sentir e definir depois...
Até lá,até ao ponto em que as letras se juntam para alinhar essa resposta, vou andando assim, na iminência da ausência e na espera redundante, de um saber que passas muito longe daqui, embora já tenhas pensado passas por cá, vou andando assim incerta de tudo e certa que neste encontro desencontrado com a resposta que alimento na fuga, me deixas assim... esquisita comigo mesma, me deixas assim ...baralhada...

7/26/2007

Especial...

Cada sussuro quebrado no vento, o no treixo incerto de uma névoa qualquer que se põe nesta ou noutra manhã, no outro e em qualquer um amanhecer, é bem especial. Cada respirar e bater de folhas, melhor folhagens que se batem até o cair desmiolado do outono, é especial... Cada pessego que acaricio como se tivesse um bébé em minhas mãos, tentando arrepiar-me com o doce agreste da sua pele amarelada é especial...
Cada regresso e cada partida, cada lugar e cada sentido, lugar nenhum e tanto silêncio, tudo conotado de especial. Cada vontade, cada umbigo unico a assumir-se como o mais egoista de um orgão do corpo que sabe que não é, é especial...
Cada desejo e cada desarme, cada cabelo que cai e escorrega pelos meus ombros, ainda agora e aqui, com a força de quem já não se aguenta agarrado é especial... tão especial como o momento, a cegueira que poderá carregar, o entusiasmo ou a desistência, o estranho, o que não se vê e não se conhece, o que se descobre e o que se encobre, e porque não a minha, a tua voz...
Cada solto e tremulo ar que exalas que nunca bate aqui, na ninha nuca, que nunca passa para a frene dela, devagar, como que inaugurando um espaço que nunca se abriu, cada restia da água da tua boca a que nunca passa aqui entre a minha orelha e a linha que descando termina bem junto ao meu seio esquerdo. Cada mão tua que não me toca e cada mão minha que não as conduz por mim...tudo simplesmente especial... Cada caminho do teu corpo, que não tenho, em mim...cada som que não ouço, a chegar longe e perto ao meu ouvido...cada olhar e cada fechar de olhos, cada aperto bruto, que não dás nos meus braços, e cada vez que a minha carne, que não sentes, suavemnete se deixa prender entre os teus dentes...Cada vez especial!
Talvez especial como as quimeras,os oasis, as simples realidades, os pesadelos e as palavras duras, os abanões, as pressas e as tropelias. Especiais como as promoções do super mercado, como as viagens e os passeios de quarta feira a tarde, que podia ser outro dia qualquer...especiais como tudo o que não disse, como tudo o que são e mais um todo infinito do que sempre o tudo poderia ser...
E depois há quem diga...especiais como tu...
Para mim, sempre melhor do que o diz, é o que sente esse especial, o que o vê...e que não precisa de o dizer, para o exteriorizar, para o viver... pena muita, que seja sempre este o que mais teme passar por lá, para poder ser, olhar, esconder, sentir, ainda Mais Especial..

7/03/2007

Encosta-te a mim...

"Encosta-te a mim.."
Pouco me sai para além desta frase, desta afirmação...deste prelongar do pedido...
Encosta-te a mim...preciso de sentir e assimilar o novo tu que encontro em ti, que estás a deixar sair de ti...encosta-te a mim, para finalmente te olhar, agora, e encontrar esse eu que está em ti...encosta-te a mim, quero saber se gosto, se ainda gosto...quero saber se afinal ainda és tu!!!

"Encosta-te a mim" , não tenhas medo... enfim descobri. " encosta-te a mim, que eu quero-te bem..."

6/29/2007

partir..para voltar

Tudo gira, até nós giramos em espiral enquanto nos deslocamos no espaço e no tempo... todos os dias partimos para lado algum ou para sitio nenhume, fazê-mo-lo muitas vezes sem a consciência de que é assim...
Desta vez apetece-me partir com vontade ou melhor com vontades, vontades de ir, de ir para voltar.
A bola de neve sempre maior que fiz girar em mim, transformou-se numa bola de gelo que quer derreter, e quer derreter bem longe daqui.
Talvez a sensção real de distância, traduzida em kms, ajude a gerir o despedaçar de alguns flocos de neve encristados como carraças naquilo a que chamo de espaço, meu espaço...Tlavez a bola de neve que levarei até lá caia no oceano e talvez derreta mesmo e se estilha-se sem caminho possivel de retorno ou reconstrução...
Tudo precisa de mudar, girar, crescer, renovar-se, às vezes nem todos os pedidos que clamamos ao destino são para ser ouvidos e sequer concretizados, nem todos os pedidos são abertos ao futuro, ao espaço como o Pedir para Passar por Lá...

Mais que evadir-me daqui, evadir-me de ti, preciso de evadir-me de mim mesma...como que se a mudança do ar e do local me pudessem trazer uma energia que agora sinto faltar-me...
Quando partir, ainda que sozinha, sei que vou encontrar-me comigo mesmo e mais acompanhada que nunca vou fazer aquelas 8 horas de viagem... Vou sentir que cada pedaço de segundo que passar, cada um deles em que for a dormir, a ler ou simplesmente a vagear naqueles pensamentos que nos ocorrem dentro de um avião, como a sua queda, é meu..meu para recomeçar ali, na partida, e para no voltar continuar mais meu que nunca.

Ainda não parti, faltam alguns dias, faltam as duras escolhas do que por na mala, faltam as despedidas, mas esta partida já me agrada, já me faz sorrir e respirar com força, e acima de tudo move-me para um lugar diferente, mesmo ainda aqui, move-me, leva-me para lá de nós, para lá de ti, para lá do todo estranho, emocional e mais ou menos objectivo em que transformei a minha rotina...

Estou feliz por partir, por passar lá longe, estou feliz por ter decidido assim ir, sem mais nem menos..claro que também estou feliz por saber qu há regresso marcado...afinal eu serei sempre assim deste aqui, mesmo que sem terra ou espaço fixo, sou sempre assim, deste simples de mim..

Enquanto nao há partir, nem voltar...enquanto se espera por eles, na brevidade do tempo que quase chegá lá, há este pequenino e meu passar por lá...

6/25/2007

Re(visões)

Depois de um tempo de reflexão e também de pausa, ao ler e reler este meu blog, pareceu-me justo fazer uma revisão de todas as letras que por aqui ao longo destes meses se foram audaciamente juntando...
Durante estas ultimas semanas perguntei-me várias vezes, porque continuo eu a escrever aqui, porque continuo a exalar estas coisas minhas e deixar que qualquer um outro as leia. A descoberta que fiz, para além do vicio que carrego sempre, de uma escrita ou de muitas, foi que escrever só faz sentido se ousarmos deixar que o escrito possa ser lido, e muitas vezes lido por um unico outro, que no final de tudo pode ser sempre aquele que jamais o irá ler...enfim..
Não penso hipocritamente, dizer que escrevi tudo o que está aqui, só para mim, porque muito foi escrito justamente para um unico Tu o ler, perceber e ficar a saber, muito foi escrito por timidamente não ter sido forte para ser dito..
Muito mais quero escrever, não só porque gosto mas também porque preciso, porque deliro com a sensação de diurese de pensamento, que me deixa dar forma a todas as palvras, cortando-lhes a sua liberdade , para serem a minha liberdade...penso e acredito que este espaço é também sentir. Assim estou de volta, e claro voltarei a dizer uma e outra vez...passa por lá!!
Aqui estou eu... aqui estás tu!
Muitos outros estão aqui, nas entrelinhas deste meu canto, são alguns os destinatários deste meu terno e assustador pedido, de um passa por lá consciente e consistente, de um passa por mim audaz e capaz...
Estão espelhadas nas letras angustias, olhares e lágrimas, estou sempre eu, os transeuntes da minha vida, os desejos e vontades dela e claro todos os interpretes que observo, que se cruzam na mesma cena e na cena de cada um, estão os encontros e os desencontros e a música de uma eternidade curta, trilhada em segundos, está também a verdade de uma ou outra mentira e o fugaz que não dá pa agarrar na vida, mas para encurralar na escrita...
Estão memórias minhas, está o Gustavo, ele foi o inicio deste vicio e deste lugar onde sempre venho, está o Luís, que pode nunca ter chegado a passar por cá, está a Ana, as Marias, o Helder, a Rita, o Nuno, o André, o Pedro... estão talvez muito mais pessoas, gente do meu espaço de acção, do meu palco e da minha plateia,está a familia(doce e minha), está o meu mimo, a minha teimosia, a saudade da minha avó, estão os eternos e sempre pontos e portos de abrigo, que nem apraz dizer o nome porque sabem quem são... depois está ainda o que sinto, o que falo, e muito do que respiro, as coisas que são duras de expressar, mais os impulsos que desfiltradamente saem... e como não podia deixar de ser, em tudo isto estou eu!!
Estão sentimentos, uns vividos a dois, outros que ficaram no limiar de acontecer, está o amor verdadeiro, o amor doce que não passou do tremor das minhas e tuas mãos mãos da minha e tua voz, dos nervoso na barriga, está a paixão fugaz, forte e desmedida só para um dos lados, e está tudo mais que aconteceu e a iminência desse acontecimento.
Está aqui, um dos meus lugares, aquele onde sempre e sempre passo, onde sempre consigo esperar alguém e renascer dessa espera, estão também muitos dos lugares onde nunca fui, entre as metáforas e omanotopeias, entre os eufmismos e as repetições, entre as virgulas e as reticências... estão simplesmente tantas coisas e tantos nadas.
Este blog é sem dúvida, o meu encontro comigo e contigo também, com quem vivo e com quem desejo viver, é o meu ser a falar para mim e a falar de ti que passas ou não passas aqui, que te ves em cada linha ou que preferes sempre esconder-te nela. São as revisões e os pontos de vista.
Aqui há sentimentos, aqui há duvidas, aqui há vida, aqui há história, aqui há um lugar para ti, aqui há mais uma linha para escrever, mais alguma coisa para dizer, aqui estão os meus passos e uma janela para o lado de lá, aqui a Carolina é sempre assim, aqui eu escrevo e leio o escrito, aqui há o futuro e o cruzar de um pequeno passado, aqui as palavras movem as pessoas e as pessoas escrevem as palavras...aqui eu sei sempre onde me leva o caminho...aqui sou eu quem nunca se esquece de como ainda não é o passar por lá de amanhã... aqui sou eu a esquecer de me esquecer!
Aos que leem obrigado, aos que gostam obrigado também, mas o obrigado maior é aos que existem, que me magoam e me angustiam, que me fazem sorrir, chorar, respirar, que dão sentido ao que sou e ao meu existir, que contracenam comigo no cenário que não escolho, mas que sempre se vai ajustando ao que vivo... eles estão assim comigo, em todas as frases que deixo aqui!
Depois desta curta re(visão) estou pronta para continuar, afinal esta passagem não se esgota, não enquanto o meu ar não se esgotar em mim...assim revivendo o que está aqui para ser lido, olhando e observando o que sempre passa, vou estar por aqui, não vá alguem desejar ousar passar...
Passar por onde?? - SEMPRE Por Lá!!

5/22/2007

Há um ano...

Há um ano atrás era uma menina e tu um menino.. era tua ouvinte, sei lá eu mais o que era, talvez uma amiga estranha, uma voz tremida, uma interrogação aberta...
Há um ano atrás eras o menino fechado num mundo carregado de tudo, há uma ano atrás contavas-me a medo que vivias num poço, numa espiral de ansiedades que te negavam muitas das coisas que querias de verdade, como os simples abraços, os toques do carinho e os gestos do amor...
Há um ano atrás contavas-me que a tua musica favorita se chamava ghetto, que não vivias sem ela, embora vivesses sem tantas outras coisas que buscavas com muita ansia de encontrar.
Há um ano, fazias sentido para mim, há um ano esse ghetto de que falavas estava aí remanescente no teu mundo de tudo, e sentias que muitos queriam viver lá, não contigo mas com o que tu tinhas nele.
Há um ano eras um menino que eu conhecia, mas que de há um ano para cá, cresceu...
Olho para ti hoje, ou melhor não olho, e não me questiono mais porque não o faço, desisti de o fazer, talvez porque não queiras, ou talvez porque já não tremas ao sentir a esfera do meu olhar, talvez porque não queiras sequer imaginar esse tremor, ou simplesmente porque a vontade passou...mas quando te consigo alcançar, só te vejo maior no teu ghetto e não te vejo fora de lá, vejo maiores e mais plásticas as coisas e as pessoas que lutam com unhas e dentes para entrar nele, e vejo-te sim mais feliz nesse ninho teu, onde continua a faltar tudo o que procuravas, mas onde encontraste tudo e mais alguma coisa que nos vapores do tempo compensa a falta do que ainda não está lá dentro.
Desisti de te levar a ver um pouco do nada que existe fora desse ghetto, desisti porque não sou nada, nem ninguém para o fazer, desisti porque a minha vida é mais que tirar alguém que não quer sair, de um espaço que corrói e desgasta entre o brilho osfuscante que também sabe dar...
Desisti porque o ar que respiro me mostra a cada dia o que sou, e me deixa sentir o toque no ombro deste e daquele, o conforto de um beijo desinterresado da minha mãe, do meu pai, os piropos dos meus meninos pequenos e, os olhares de outros quaisquer que se querem chegar perto, para partilhar um momento, uma hora, e talvez uma eternidade que eu sei que não existe...
Gosto do risco do gostar e a minha pequenez nesta vida, sabe dar-me isso a cada segundo que passa, gosto de saber que sofro para ter e que sofro quando não consigo, e gosto de saber ultrapassar e depois olhar para trás com ternura, e aceitação; gostarei sempre do que me mostraste, do que não me soubesses mostrar e claro do nada que te dei...
Gosto de me sentir assim tal qual como no dia em que te vi menino, gosto de me sentir assim menina, pronta para arriscar de novo, para viver tudo e tudo com o medo do costume, a ansia de sempre, quero aquele tremor na minha barriga, aquele não saber onde por as mãos, o não saber o que dizer ou como olhar, quero isso de volta para mim...há um ano soube ser assim... mas esse ano passou, mas eu estou aqui, disposta a sentir de novo, o novo tremor... o menino, onde está? não sei, às vezes sinto que se perdeu, outras que numa ilusão soube crescer, não sei mesmo, se ele quiser aparece de novo... talvez nunca mais volte a ser menino...
Cá estou como sempre, porque a menina de mim não se vai, não esmurece, mas renasce, sempre diferente é certo, mas sempre na essência de ser eu, na vontade incessante que não desiste e passa sempre por lá...
Até sempre menino!!...

5/21/2007

esfera

Esfera

Por sinal
Essa esfera que me tentavas em me olhar
Nada mais era do que um som que me levava a tentar
Fugir de ti
Sair de ti
Uma vez mais
Sem saber por quê desisti p'ra te dizer
Nada mais, quero mais
Se não for assim
Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais mais, quero mais
Mais mais
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Só assim dá para mim conseguir que não tou a mais
Que me deixes ir
Que me libertes de ti
Que não me faças sentir
E eu não quero cair, não me posso entregar
Sei que me percebas que não podes julgar
E eu quero tentar poder acreditar que o aperto cá dentro um dia vai acabar
O monstro em mim não irá socumbir
Não desvalece por não conseguir que olhes p'ra mim que me fazes existir
Então esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais mais quero mais
Mais mais
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais mais quero mais
Mais mais
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Pedro Khina
Um olhar assim, doce como a esfera desta vida que turbilha e mim na tua ausência e na tua presença, no teu esperar e no saber que não vens, no teu curto lembrar de mim, que sei que existe e na minha simples forma de ser, na louca forma de estar que tenho ,"por isso esconde esse sorriso que me faz querer LUTAR por mais...

4/25/2007

Igual a tantos

Que ninguem me diga que não me esforcei, que não fui trilhando cada passso desta estrada sempre à espera que ela não fosse igual a todas as outras...
Que ninguém me acuse porque me esforcei sempre para não sentir esta dor, para não descobrir que o igual a tantos é, afinal, mesmo assim...
O Choque das palavras nunca traduzirá os meus esforços, nunca será capaz de ditar cada traço angustiado que chegou a mim veloz como um raio de luz, nunca será forte o suficiente para espelhar parte do que se sente quando se descobre que afinal és também assim, igual a tantos.
Não sei bem de onde vem esta dor, se foi por teres deixado as minhas palavras, pedaços do que sinto assim expostas como qualquer página de um livro meu, o livro da minha vida ou por elas passarem a ser mais do que eu, para serem de ti para alguém...
Não sei bem o que foi, nem o que sinto, nem o que me mostra que és igual a tantos, assim deixando caido por terra este meu altruísmo em te sentir diferente, só sei que agora tenho vontade de queimar todas estas palavras que escrevo hoje e sempre aqui, pena que não posso simplesmente fazer isso, pena que elas sejam parte do eu que sou, pena que não tenhas percebido isso, apetece-me acabar este passa por lá, queima-lo bani-lo, não fosse ele a minha própria passagem...apetece-me tanto continuar a sonhar que afinal não és igual a tantos, apetece tanto tentar andar em frente sem para ou chorar, apetece-me conseguir, apetec-me sei lá ficar assim, na iminência de mais uma vez perder o chão...apetece-me aguardar o amanhã, o mesmo sol e a mesma lua e depois pensar no que fazer com esta dor que sinto e quem sabe, voltar a tentar passar por lá...
Até lá continuas assim, IGUAL A TANTOS!!
P.S: parabéns aos que conseguem manipular as emoções dos outros, parabéns ao que infantilmente pensam que vencem...parabéns pela patetica burrice que só também só a levou a, no final de contas...ser IGUAL A TANTAS OUTRAS e nada mais que isso, e já agora Obrigada!, em vez de cortar amarras só as solidificas-te...

4/09/2007

Vai-te Foder

Vai-te foder assim, com todas as letras, com estas e com as sílabas de cada palavra doce que um dia me ousaste dizer.
Vai-te foder por cada vez que chamas-te meu corpo, que tocas-te minhas entranhas, e que as quiseste só a elas, por cada instante em que me encostei no teu peito e me encostas-te ao frio de uma parede.
Vai-te foder por cada vez que chego ao espelho e de mulher passo a menina feia, em plena idade do armário e fico frágil demais, só porque falo com o corpo, e nao tenho filtro para a intimidade para as sensações e os sentimentos, para chamar as coisas pelos nomes e para as viver assim, no pleno.Vai-te foder por ser carne, por ser pouca mulher para ti, por preferires o silencio de um corpo inerte e de uma personalidade calada, vai-te foder porque não sabes o que queres nem queres saber o que escolherias.
Vai-te foder por cada palavra vã, por cada ilusão e por tantas lágrimas, vai-te foder por me teres feito procurar e encontrar o colo que nunca foste.
Vai-te foder por seres assim, e por te ter escolhido de certa forma para me perseguires no teu jeito de ser e de dizer e desdizer  de uma vida estranha.
Vai-te foder pelas noites quentes, pelos supiros e gemidos e pelos depois. Por me reduzir à insignificância de um objecto. Vai-te foder por ter ali, diante de mim, algúem que acha  me contempla e me admira,  e eu, alia a continuar a sentir que é pouco, que não me satisfaz.
Vai-te foder pelas ressacas de mim, pelos tremores que me dás e me destes pelos gritos que ninguém ouve e claro pela confusão que deixas-te aqui, um dia, todos os dias, que na insignificância de um momento me arrastei até ti.
Vai-te foder por me fazeres sentir um nada, e por me fazeres sentir culpada de tudo e ainda por cada coisa que me disseste mais bêbado que eu, e vai-te foder por não te lembrares e ainda por não te permitires lembrá-lo. Vai te foder por todas as vezes em que me disseste numa palavra o que nunca soou de outra forma e por todas as minhas aspirações.
E ainda mais, vai te foder porque sempre te quis, mesmo  quando trocaste o tudo que me dás com outros tantos tus, e todas as vezes que mesmo assim depois, me entreguei numa parede a ti noutro  ano luz qualquer.
Vai-te foder por tudo o que me ensinas-te mais o que aprendi, e ainda mais por todas as vezes que não eras tu e estavas ali, que não era ele e eras tu.
Vai-te foder porque cresci e estou aqui, com o mesmo problema diante deste espelho que me nega a mulher que sou, e vai-te foder pela força física da paixão. Vai-te foder por teres perdido a força enquanto me rasgavas e tocavas.
Vai te foder por me dares tudo e me tirares mais.
Vai-te foder, é simplesmente o que me diz este meu cansaço, enquanto me deixa continuar a sorrir e a viver mesmo que distante e numa dimensão a anos luz da tua. Vai-te foder porque mesmo assim entendo e aceito, e mais ainda porque no passo a passo destes tantos dias, te digo vai-te foder porque nunca me levas a força com que sempre renasço.

4/02/2007

dor

Doi tanto esta falta, de saber que não há, que já não está...doi sentir este amor, amor diferente desse que quer, possui e tem, amor difrente do amor de amar e de ser de alguém... doi este amor de amar quem de nós faz parte, quem nos deu um pouco que chegou a nós e nos deu tanto uma vida toda, doi por ser nossa a dor e por ser de todos os que estão aqui...
Doi mesmo sabendo que tu querias que não doesse, doi porque te olhámos uma ultima vez tão diferente, tão longe de nós. Doi recordar o frio das tuas mãos ainda ali, doi o fechar de uma porta mesmo sabendo que escancarada está a do céu para ti.
Dói muito e a todos, porque chegou a tua hora assim, sem nos avisar, sem nos pedir e de forma cruel, doi porque merecias mais, depois de tanto que destes. Esta dor é de amor e amor e só ele tem o dom de aproximar, só ele tem o dom de dar e dar sem parar, este amor do sangue e do coração, este amor que não esquece que és nossa e serás sempre, serás sempre mãe e avó de nós, que continuamos assim a viver uma vida que já foi tua e será para sempre nossa, a viver uma amor que não se estafa e que nunca pára de passar por lá... até sempre avó...

3/15/2007

de quando em vez

De quando em vez sorris, e quase nunca falas, de quando em vez escutas e quase nunca paras para te ouvir, de quando em vez tocas-me e nunca me agarras...
De quando em vez desespero, fico torcida neste meu eu, ciclíca na minha vontade, no desespero de não controlar o impensavelmente medido, fico com vontade de respirar no teu ouvido e percorrer o teu pescoço, fico com vontade de ouvir como nunca a tua voz e claro desperto em mim a vontade de não deixar parar meu corpo... e de quando em vez quase digo assim, com estas palavras o que ouso mais uma e outra vez guardar...
De quando em vez o corpo trai a minha cabeça e solta-se demais numa e só numa direcção a tua, meio perdido, por certo, como perdida ando eu, numa busca desenfriada de encontrar um TU, sempre disperso num tempo de uma história, a história do de quando em vez...
De quando em vez enloqueço, ou melhor tu quase que me enloqueces num rio de aguas tortas e flutuantes, num mar estranho de ondas tão brancas, enloqueço cá dentro na plantação das minhas vontades, despoletadas pelas tuas correntes, meu deus tantas palavras só para te dizer que num de quando em vez assim, apetece dizer não passes...mas fica, fica por cá...

3/09/2007

leveza

Nestes ultimos segmentos de tempo que cruzaram a luz da lua com o sol, o ar ficou mais leve...
Mesmo na tua tanta distância, aliás na tua tanta distância de sempre, na ausência presente do costume chegas a mim, com a leveza mais terna, a tua... Dás-me o mimo na solidão, o mimo do sorriso, o mimo da partilha do teu dia, do teu mais, do teu menos, do tua conquista e claro da tau angustia...
És assim, um doce ar que se respira, aliás que só eu respiro assim, enquanto cruzamos o passado e a vontade futura, enquanto cruzamos a recordação e o desejo...És assim, e hoje na leveza de cada palavra tocada tua, senti aquela vontade estranha do toque audaz, aquela que nos fazia perder a linha direita do caminho e nos fazia dicar mais perto do ilimitado despudor de nos conhecermos assim...
Adoro de cada vez que esta leveza nos deixa mais colados, ou melhor mais chegados, mesmo qu epor poucos segundos, adoro por que nos junta, nos envolve e nos rouba a este mundo tão diferente... gosto da leveza com que respiramos num momento o mesmo sentir, gosto da levez com que vamos mesmo em ziz-zag passando, embora devagar, por lá...

3/07/2007

Teu

Ainda bem que voltaste, que entraste naquele instante ali, que vieste dizer que estavas, que ouvias e que querias ainda falar..ainda bem que sim...
Andava tulhida a minha alma e ainda o estava mais, depois de te ter visto veloz a ir, de pelo menos assim a minha retina ter visto,ainda que visto mal... ainda bem que não foste, ou pelo menos não foste de vez...
Ainda bem porque é teu o meu sorriso de hoje, a minha leveza da alma, foi teu o meu sono de ontem, o meu deitar confortado, o meu pousar na almofada, foi teu o abraço que não dei, o amor que não fiz, foi teu o meu primeiro desdizer dormindo, o meu primeiro e todos os profundos ecos de respirar do meu sono...o meu embalar para dormir e toda a pulsão do meu corpo...
Ressacada de mim de dia acabei mais uma vez aninhada em ti já de noite, nesse teu doce conforto que vem de tão longe mas chega aqui, que vem de lá de onde estás e se sente, porque simplesmente o queres assim, porque me queres a senti-lo e porque o quero para mim...
Ainda bem que estás por aqui...
Dás-me o teu colo em cada palavra tua, em cada milimetero do que sentes e sabes que não tens de dizer, em cada pedaço de pensamento em que me pões, e assim sinto o teu Eu aqui, senti o Teu eu ali, e vou ousando sentir mais...
Teu colo é agora o meu mais doce encanto, o meu e mais meu porto, onde atraca comigo cada pedaço de angustia, cada lágrima e me esperas e amparas no arduo de transformar tudo isso em sorriso...
Adoro o teu colo e adoro quando chegas assim, na hora certa, no dia certo no tempo exacto e sem ter de pedir me dás, sem ter de esperar está ali, a passar por lá, adoro o teu colo e a forma única de ele o ser, adoro adormecer assim, embalda nas tuas palavras, tocada pelas tuas mãos tão distantes, aninhada num tão Teu meu colo...adoro-te assim...no colo teu que me entregas sem nada perguntar, sem nada esperar... adoro-te assim, e obrigada por ti, pelo colo...e por este passarmos por lá...

3/01/2007

veloz

Tão veloz como o vento foi a tua chegada, que assim quis ser veloz sempre... entraste e saiste da minha vida como o sopro veloz do tempo, do vento ou sopro de mim.
Fui, serei, sou uma pequena princesa na teu pátio encantado, o pátio do descanso onde crescem as plantas de um jardim de inverno, abafado entre as paredes douradas de uma existência, a tua.
Sou serei não menos veloz que a tua chegada, não mais veloz que a tua partida, serei, sou simplesmente veloz a fugir da dor, ou melhor deste doer, calado, tão calado como o nós, tão absorto como a nossa inteligência parva que de tão boa na prática, emburreceu na teoria emocional...
Veloz a lembrança que ainda paira por cá, neste caminho que não cruzaste, neste cego e surdo pátio onde um dia resolveste deixar-me.
Veloz e com alma aprendi a existir assim, nas muralhas desse teu olhar indirecto, nas palavras simples de um alguém complexo, aprendia existir assim parasaltar um cerco e sair de um reino condenado a ser para sempre encantado...
Veloz a nossa história e a nossa força em descobrir o que ela seria, veloz o comboio que nos levou para longe, longe daqui...
Veloz também a mágoa, porque não tenho como guardá-la, porque não saberia ou auguentaria suportá-la, por ser mais forte que qualquer maleita física e por ser a única a fazer baixar a minha alma, fui veloz a decidir ignorá-la...
Velozmente quero deixar de pensar no nó frio da minha barriga, no tremer das minhas mãos, do meu corpo que me atraiçou-a pela voz, quero veloz e só velozmente andar por aí como sempre e sempre livre, porque se ficar hoje presa a toudo o nó que me destes uma, duas vezes...outras...tantas ali, vou perder-me em ti ainda mais, e vou perder-me sem sentido, porque o teu esse virou de direcção... Velozmente continuamos felizes, distantes, um do outro e claro distantes de um lado de nós, que só fez e fará sentido se um dia se cruzar ali, onde o respirar acontece... até lá; quero suar, andar em frente, beber intensamente esta vida que me faz feliz, passar uma, outra, mais uma e outra e tantas vezes , quero passar por lá sempre, mas também quero amar, amar devagar, (quem sabe não consigo(?!))... amar devagar ..porque o amar veloz...esse, ficou contigo...

2/08/2007

Onde estás..

Onde estás quando sou menos eu? quando os gritos do vento são ecos, quando a noite é misto de tudo o que não conheço?
Onde estás quando busco tudo e tudo, quando me encontro com o vazio, quando brinco com a imagem do espelho? ... onde estás quando durmo no teu peito, no meu canto ou num peito qualquer que me quer acolher?
Onde estás quando não estou, onde estás sempre, porque sempre é assim? Onde estás quando demoro, quando choro, quando padeço, onde estás quando os dias são imensos em correria, massudos em atrito?
Onde estás agora e ainda onde estás nunca...onde estás quando me queres olhar, sim porque sei que o desejas entre o teu tropeçar em ti próprio...onde estás quando me desejas, quando as tuas mãos vão tocando corpos, na ansia de ter o meu, sim porque sei que respiraras pelos suspiros de uma voz saudosa, a minha...
Onde estás quando juntas os pés para jurar que não? Onde estás quando foges e foges, quando foges de ti?
Onde estás quando te encanto, quando te afecto de tão longe que estou? Onde estás quando negas a ti o pensar em mim, onde estás quando queres falar e de orgulho silencias a tua vontade, o teu sentir...
Onde estás quando me queres, uma, outra e tantas vezes?
Onde estás quando não me ouves?
Onde estás, que tanto te perdes e sempre desistes de Passar Por Là?...

1/22/2007

balança...

Entre o pânico e o espanto, entre o querer e o ter, entre o nada e o balanço do vento, entre o dizer e o calar, entre o desespero de não saber como guardar e a vontade de dizer e de entender, há uma balança...
A balança que nos une, que nos separa, que nos grita cá dentro, que nos corroi num assombro grande e que mais uma vez pesa o teu, o meu, o nosso medo...
A balança do tempo e também a balança do desejo, a balança que te vai dizendo o que o sopro do vento me pede que vá soltando para ti..esta balança, este andar assim, esta inexpliacvel forma de ser o que não se explica, este passar por lá, que não sossega, que não estanca, que não termina mas que também não se entende...

1/16/2007

...

Não sou ninguém para saber tudo com certeza, mas sei que nunca espararias por mim, porque sentes o medo de perder algo, algo que me impede de te dizer com muita vontade que posso ser eu, posso seu o alguém com um pouco mais para te dar...
Sei que não podes abrir os teus braços para mim como se abrem os meus para ti e tanto te baralham, porque te mostro a todos os momentos este meu mundo de viver com o corpo, com as mãos, com as palavras, mas sempre com o que sinto.
Sei que não sou eu, sei que na hora de te quereres um colo vais olhar p mim mas não serás capaz de pedir, porque uma parte de ti pensa que sou de vidro, uma parte de ti tem medo de me partir, como uma outra parte do meu eu teme quebrar-se não pelo toque, mas por gostar de mais dele...
Acabamos confortados, encostados no que temos, nesta espiral sem cor, mas cheia de energia que no fundo procuramos infortuniamnete entender, explicar e viver de outra forma.
Acabamos assim, sem saber, sem tentar, esticando uma corda, que vai ter de quebrar num instante qualquer, aí vou passar a ser o ninguém que sabe que não devia ter desistido, que não devia ter ficado a ver e devia ter feito mais observar este passar por lá... talvez aí aprenda que só se sabe depois de tentar, que só depois de fazer se pode entender melhor... talvez passe por lá, antes...talvez...

1/15/2007

Perdida em ti

Perdida em ti, ou talvez perdida somente no tudo que te envolve, que me envolve, que me leva..
Perdida entra a muralha do medo e doce de tudo o que ainda que com temor já somos, loucos, buscando no mundo a esperança para um respirar mais solto e coragem para um beijo maior, mais longo e de cada vez mais nosso...
Perdida, sim, completamente perdida em ti, nas tuas palavras, no teu colo, no teu olhar e longe do teu mundo. Perdida em ti, porque roubas ao teu tempo um espaço para mim, porque me dás tanto com o nada, porque estás ai, e como vês, já me fazes sorrir...
Todas as lágrimas que choro num ou outro momento, amargam menos pois perdem-se em ti, no teu tu, no teu estar e na tua forma de não entendendo seres capaz de sentir cada uma delas, todas as gargalhas que vezes sem conta solto, todos os desabafos, desejos mais e menos comedidos, todas as minhas loucuras, me levam até esta perdição, que me balança, que me troca,que me encontra...
Perdida em ti, perdida com medo, perdida e solta, perdida só...perdida sim, na ansia de mesmo perdida, passar por lá...
És assim, fazes assim, vives assim, és tu assim...Deixas-me assim, completamente perdida em ti!

1/11/2007

Sempre Tu

Sempre tu...
Sempre eu, aqui ali, sempre nós, neste nosso respirar, nesta fuga assumida, neste suspiro distante...
Sempre tu quando durmo, quando ouso fechar os olhos e ter por perto o toque que não conheço, o teu respirar na minha orelha que de forma audaz procuras para me dizer boa noite e pouco a pouco com as tuas palavras me levares ao envolvimento quente das tuas mãos.
Sempre tu, quando o embalo é terno ou quando é forte, quando preciso de força a colar-me na parede, quando preciso de um colo, para simplemente me encostar e não dizer nada..Sempre tu quando o silêncio vem, tu espelhado no meu sorriso, e tantas e tantas vezes na vontade do meu olhar..
Sempre tu aqui, sempre eu a dizer flutuando que sim, sempre de mansinho a chamar-te para mais um momento indescritivel nas palavras, impensavel nas imagens mas tão denso na minha assumida vontade e na tua forma terna de nada dizeres..
Sempre tu para não doer e sempre eu a desejar sentir um pouco da tua força nos meus braços, o teu corpo no meu corpo e a tua voz colada ao canto dos meus olhos que te querem olhar e ouvir mesmo que não digas nada..
Sempre tu, sempre este calor que me dás e me tiras, sempre este peculiar estilo de sermos nós não sendo, de cuidares de mim sem me dares a mão, de me roubares ao tempo que passa e me fazeres esperar que aconteça num louco momento, o nosso passa por lá!!

1/09/2007

Obrigada

Sei que não é preciso dizer, sei que não esperas que o faça sequer, sei que provavelmente não o vais escutar, porque continua aqui no mundo do sentir...e porque sinto assim,e só por isso, queria dizer-te obrigada, sim mas queria fazê-lo do meu modo, entre o toque no ar que respiro na tua orelha, entre o doce da cada letra desta palavra e depois suavente ser capaz de retribuir cada momento, cada amparo teu. Entre o sussuro e o olhar quero agradececer-te, talvez como o faço sempre, sem falar, mas desta vez com a certeza que chega a ti e não se perde mesmo por aí, por este tanto imenso que sempre nos rodeia.

Não sei se este caminho que por vezes traço para dizer que sim, que te quero dizer obrigada, não só pelo tempo, não só por seres assim e me deixares ver-te tantas e tantas vezes entre um mundo que te vai pedindo e chamando para seres diferente, não só por um infito descrever de momentos para os quais as palavras seriam pouco e só tão somente por seres tu, não consigo entre o tempo que passa, deixar de sentir esta gratidão infinita que se tivesse cor seria branca.
No fundo, mesmo sem veres, sinto que encontras este meu obrigada, que o vês talvez por entre todas as outras coisas que te digo, mas o melhor de tudo é saber que estás aí, no perto da nossa existência, no longe da nossa iminência, mas que estás e vais ficando, sempre como quem passa por lá, sempre como quem volta e logo vai, sempre como não sabe se fica; mas que vem, mas que está tantas vezes onde estou e tantas vezes onde me imagina...obrigada pelo teu tu, obrigada por isto!!

1/08/2007

distâncias

Falaram-me hoje em distancias, e eu nem reparei que era assim tão longe chegar até aí...naquele instante do dia não vi de ver o que me diziam, não liguei a noção de metros e quilometros, não me passou que estivesses assim distante deste lugar onde me encontro, me perco e respiro...
Talvez porque não te sinta longe, porque me embalas sem me cantares uma canção, porque me adormeces sem me contares uma história, porque me dás colo sem saberes, porque estás aqui dentro, e confesso, às vezes nem eu sei que tás...
Não penso, reflectir levaria-me sim para muito muito longe, para o mais distante de ti, para o nunca nós, é por isso que fico assim, entre o não entendo e o não dizendo, entre o som do que me dás e o sono que me tiras, entre as palavras que me dizes e a música que fizemos sozinhos, à distância, um para o outro, sem nunca a termos tocado juntos!!