3/24/2006

Por aí...Cega!

Andei por aí cega...tapei os olhos com a ilusão de uma lua que só eu via brilhar...
Pedi a mim mesma para ficar assim, para não desistir e ir embora, para não deixar para trás o que afinal se construíu.
Andei cega, sempre a ver os lados e pelo lado, a negar a mim que os meios, eles também existiam, que estavam ali, prontos para abrirem uma pequena janela das suas vidas, e convidar-me a entrar.
A cegueira não nos impede de ver tudo, e também não nos permite deixar de ver o que pensamos que não existe, que é simplesmente capaz de matar as imagens, de deitar por terra tantas covicções...
Andei, e pronto...
Mesmo assim, durante essa cegueira estranha, que quase não senti, tive a coragem de assumir, para mim, a existência de um outro lugar, esse lugar onde espero que passes, onde chego algumas vezes e me sento, esperando viver no real o que já ousei sentir, mas guardei para mim...
Hoje, posso gritar, sim, sem medo dos ecos, que gostava muito que espreitasses o canto que criei para te guardar, mesmo, sem saber, o tamanho do espaço que precisas...
O tempo passou, os meus olhos mostram-me o que antes me escondiam, os meus sonhos são outros, a linha que sigo também...estás por aqui, diferente, mas estás, por isso continuo à espera, que um dia te chegue a mensagem... "Passa Por Lá.."

3/20/2006

Eu Nunca...

Eu nunca vi o mar da cor rosa, nunca vi o céu lilás, nunca vi as árvores com os ramos na base...nunca vi um cão azul... não sei se por aí, há algo assim...não sei, não vi...
Nunca vi o sonho, não, nunca o vi passear pelo jardim, nunca da minha janela o vi a subir a encosta ou simplesmente a caminhar...e isso intriga-me...
Nunca vi o sonho, e ele é aquela metáfora constante, que recordo quando penso naquela frase que repito tantas vezes, quantas tal sensação me atinge..."olhas-me, mas, não me vês"... Isto que tu fazes comigo, eu faço com o sonho...olho para ele mas não o consigo ver. A minha retina não o fixa, se não fica tudo enevoado, ele passa a correr, veloz em demasia; a entropia que se instala à sua volta é sempre imensa, como imensa é a complexidade do seu significado...
Eu nunca consegui ser como tu, nem sequer consegui conhecer-te...
Nunca percebi onde andas, nunca te cheguei a encontrar, não parei o tempo e fugi, para lá, para mais perto...
Nunca li um livro capaz de contar aquela história, sim a minha, a tua e de um todos que por aí passam... mesmo as autobriografias falham, são episódicas, leves, contam o que se pode dizer, o que se quer que se saiba e não contam a vida, não contam a história, a história do sonho...
Nunca joguei ao "eu nunca" sem ter pegado no copo para beber, nunca perdi um comboio, mas sim muitos autocarros... Nunca escrevi tantas vezes nunca, nunca disse tantos nuncas descabidos...
Eu nunca te pedi nada, nunca me ouviste ao teu redor a falar, a dizer, nunca te contei o meu sonho, porque nunca o contaria nem a ti nem a ninguém...jamais negaria que ele existe, um eu em mim, vive dele...
Sabes a que eu me refiro?! Não ao da loucura, mas ao da sanidade, sim o eu que vive da esperança, que vive do tempo, esse que oferece tudo num simples passar, porque é doente irrequieto, que não para para não morrer...
Hoje, não sei porque digo, escrevo assim... Geralmente há em mim aquela razão, o pensamento semente que me faz começar a pensar para o papel...eu nunca me esqueço dele, uso e abuso da sua forma, faço frases na cabeça, para as condensar nas minhas ideias...
Acreditem, é verdade, eu nunca escrevi nada assim, desordenado, solto, como hoje, eu nunca te vi entrar, eu nunca neguei que esperava...mas agora, como nunca, falta-me o tempo, sim esse, que irrequeitamente nega parar, eu nunca te disse isto, eu nunca te disse nada, mas agora, o nunca está aqui, para me dizer, que "Passa por lá", mas não pára, tu não vais, não estás, e o nunca mostra-me que eu não tenho voltado lá.... a razão é que nunca a vida me mostrou um pedaço que vejo agora, não só com os olhos, mas com todos os sentidos...
Nunca eu tinha visto assim...

3/17/2006

Um dia assim...

O outro dia, sim aquele que passou, não foi perfeito...
Estranho talvez, começou com o sol e o calor, como que a anunciar uma Primavera, que nem tarda, nem chega, mas se espera...
O outro dia, foi diferente, estava tudo bem, quando ficou mal, estava claro, quando resolveram aparecer a nuvens no céu...
Eu estava ali, aquele dia, era também meu, passava por lá o vento, o tempo, passava por lá ninguém...passava sempre por lá o mundo!
O outro dia não foi igual, simplesmente foi, só assim... e ao cair da noite, viu-se luz...
Estava vazio o caminho até lá, estava também confuso, afinal há muito tempo que ninguém ousava voltar até lá...
Não desisti, da caminhada, não desisti de te ver passar por lá, não desisti do sonho de sentir na pele, somente o que sei viver no sonho, desistir de tudo isto era desistir de mim...
Talvez tenha abrandado o passo, estou encostada no caminho, a ver o que vai passando por ele, estou ali a olhar para mim, e a ver-me como já não me via há muito tempo...
O meu corpo ficou mais leve, a minha alma mais solta, gosto mais de mim, sem deixar de gostar do outro, sem conseguir ainda amar alguém...Gosto do momento, sim, aquele que me faz feliz, que me toca em todo o lado num simples sopro, que me leva bem alto num simples gesto, gosto de mim, porque ali, naquele instante que até se repete, consigo conhecer-me enquanto um ar me toca, consigo ser eu e ao mesmo tempo perder-me na novidade, consigo querer mais...consigo estar lá inteira, sem que isso doa...
O caminho até lá, ao lugar que escolhi, para um dia te ver passar, não se fecha, mas neste intante também não se abre. Eu sei bem, que nem uma ou outra teimosia que possas vincadamente ter de levariam lá agora, e se levasse, não importaria ...mas se por uma simples acaso fizeres muita questão, não te reprimas, entra, não me encontras agora em tal lugar, também não sei se encontrar-me seria teu desejo, de qualquer forma, a porta nunca se fecha, e tu, nada perdes...-Passa por Lá..."

3/04/2006

Fado


Há por aí, no mundo, alguém ou algo, melhor que o fado, para espelhar, num sopro vago, a magia dos cinco sentidos?
Não me parece... mas a minha simples ignorância pode fazer-me pensar assim... o Fado é o misto, e o misto é o melhor para nos mostrar com rapidez e languidez o sabor, o toque, o olhar, o som e odor, do que se vislumbra, mesmo que num fundo tão distante, longe tão longe, que lhe nega contornos...
Fado é tudo o que eu não consigo dizer, é mais que cantar uma língua, um país, uma dor...Fado não é só saudade, não é só o negro dos xailes, o frio da noite que chora ao som de uma e outra guitarra. Fado é dedilhar a vida e não o instrumento...fado és tu, sou eu, e mais aquele que não sabes onde está, se algum dia virá, sim, é o nevoeiro, que ousamos metaforizar, por nos custar tanto a aceitar, quando não deixa simplesmente de ser, o futuro!!!
Fado é triste?
Não sei se é...
Fado é musica?
Também...
Não sei do teu fado, não sei do fado da gente, das pessoas que correm de um lado para o outro dia atrás de dia, não sei mas imagino o fado, daqueles que cantam pela manhã e que trabalham com as mãos, uma terra, que lhes dá de volta um pouco, do que eles lhe ofereceram...
Não sei de ti, não sei do fado que ouves...
Sei que algumas horas do meu fado, até são doces, mesmo frias e escondidas entre a pedras de algumas arcadas e pontes, é o fado da espera, mas que não perde a vida, não perde os sentidos...
Tactilmente, fica a ver, docemente saboreia o som que só u odor especial poderia trazer, e tudo isto enquanto espera, enquanto vai e volta, enquanto "Passa Por Lá"...

3/03/2006

Um toque...o teu, não sei como é... se sei é segredo, pode ser só um sonho!
Uma espera, não sei, vou ficando, um dia, uma hora, ás vezes fica um pedaço de mim, outras fico eu...
Gosto de lá, não gosto todos os dias, mas gosto de ficar por ali, a olhar, mesmo que não veja, a sentir o que gostaria de saber como é, e não chega a tocar-me e a provar o sabor que não conheço....
Isto aqui, é um lugar calmo, mas com pouco para descobrir, ou se há, ainda não consegui chegar até essas coisas, devem andar escondidas, naqueles lugares que criei, enquanto andava distraída, a olhar, para ver se chegavas...
Não sei de que cor é o céu deste lugar, nem sei se um dia, chegará a ter céu, não sei como se forma o ar, que por lá respiro, nem sem muito bem o que almeja esta minha vontade quando trilho aquele chão, meio duro, meio de palha que parece que se abre em estilhaços a cada passo, mesmo que aos passos mais pequenos...
Não sei como vai ser amanhã, não sei por quanto tempo, alimentarei sozinha este lugar meu, mas criado para alguém que nunca vi! Às vezes derrotada, naqueles momentos tão baixos, num baixo que não sabemos onde acaba, acho que afinal esse alguém não existe, mas logo depois, num instante pequeno que seja, tudo muda, pode ser só a brisa, mas fica por ali a sensação, ou a vontade, fica por ali um pedaço de algo, que aquela hora, mesmo não sabendo como, "passa por lá"...

3/02/2006

Não vás...

Nunca te pedi para não ires, nunca te pedi para ficares parado naquele lugar onde eu nunca fui, não conheço, não entendo, não sei a que cheira...
Dias tive em que sussurando te pedi, para andares um pouco, e sem pisares o sonho, sem pisares um chão que criei para mim, e que gostava que até conhecesses...dias houve em que gritei desesperadamente para passares por lá num bocadinho, para roubares um segundo ao teu mundo e às tuas coisas, para só olhares e veres que afinal estava ali...
Hoje, não me apetece, não quero ir lá, não sei porquê, são dias, dias felizes, horas e horas em que nos lembramos de outros caminhos e de outros lugares onde deixámos de ir...
Não vou dizer, não vás, não faz sentido... não sei porquê, mas também não quero saber...
Adoro o que é meu, e gosto tanto do que não conheço, e sabes porquê? simplesmente, porque não sei como é, mas tenho vontade, muita vontade de saber, de tocar, de sentir...
"Passa por lá", hoje podes passar, só ou acompanhado, (e se não quiseres não passes) não vou dar por isso, não vou querer saber...vou estar ocupada, sim...tirei umas horas para passar por mim...