10/28/2007

História do Passarinho verde...

Era uma vez o passarinho verde, camaleão na cor, que ganhava e perdia verde como quem voa e não voa. Pasarinho verde nem sempre tinha asas, nem sempre conseguia voar, nem sempre planava de verde no azul do céu coberto.

Limitado mas doce, nunca parava de cantar, nunca parava de crescer, nunca negava aprender, verde esperança verde cor do passarinho subia e caía e voltava a subir naquela arvore de grandes raízes, naquela casa sua e do mundo onde o seu verde mais esperança oscilava entre o esperar e o esperar ainda mais.

Cai o passarinho verde, voa ás vezes o passarinho verde, fica pequenino, depois grande como toda a imensidão do mar, às vezes está ali doce e meigo no mesmo ramo, no mesmo galho trabalhando com docura o ninho que quer para si, outras vezes cresce mais e emancipa-se, fica doce e carente na arvore do lado, no galho alheio, onde se volta a encher de esperança, mesmo que com o calor que vem de lá.
...
Outro dia qualquer contarei a história do passarinho verde, verde esperança, que é doce e pequeno e que deseja ser mais, que tem um tronco seu e recebe alimento do tronco alheio, que quer voar mais e nem sempre tem asas...
Outro dia que a história deixe contarei a sua história, outro dia que o verde carregue e que ele voe...não no voo de voar por voar... contarei sua história num dia que ele deixe de voar para lado nenhum... e que encontre planando o colo onde vai pousar...

10/03/2007

Ímpar

Segue caminho ímpar
porque o similar afoga;
Relembra montanhas
Outra hora passadas;
Segue em frente
sempre sob o sol;
segue caminho ímpar;
com chuva miuda caindo;
pedras e socalcos,
Caminho fora,
Largam sorrisos e lágrimas
caminho dentro...
Ímpar de sonho´
Ímpar de ser,
não se trava, não desiste
Continua impar
Impar de ser mulher
impar de querer vencer
ímpar de caminhar para alcançar...
Percorre as memórias e o futuro
Recorda, revê...
porque recordar é constância,
e um dia alguém
sussurando lhe disse
"para é morrer"...

Uma vez tu

Eras uma vez tu, vestias medo num dia qualquer, sorrias por hora, como quem chora à janela e rejubila de sol no dia que sopra para finalmente respirar de alivio sabendo sorrir chorando e vice-versa.
Eras uma vez tu, o salgado do ar ao encontro duma fogueira apimentada de terra, estavas ali, deixando alguém tirar-te uma a uma as peças da tua roupa, suga-te a energia, recebe o teu calor, aquecendo-te mais, eras tu com alguém...
Eras uma vez tu, rebolando nos sonhos, deslizando naqueles dedos que num só toque exalavam a história tamanha de um momneto fumado, esbatido e longo...
Eras uma vez tu, a olhar, cerrados olhos comiam cada pedaço de corpo que encontravam na frente da retina...comias como que dilacerando todo o mais pequeno pedaço, atribuindo-lhe a importâncai maior. Eras uma vez tu, tremendo, sorvendo, pegando nas mãos, percorrendo traços do corpo, queimando e gemendo, ao encontro do auge.
E tu assim agridoce em mais uma marca, em mais um atatuagem de sangue, marcando passo a passo, num louco, delirante e intensamente molhado, passa por lá.