12/16/2013

constatações

há dias que acordo literalmente inundada de questões, parecidas com dúvidas existenciais, mas que não o são, dada a sua carga de parvoíce associada. 
parvas ou não são minhas e respeito-as muito por isso, e tenho quase a certeza que de alguma forma todas as pessoas algures no caminhar da sua existência param e se perguntam no mínimo por alguma delas... se não o fazem talvez não vivam talvez se limitem a reflectir a energia de quem por aí anda a mexer com o mundo.
não sei o que fazer com determinadas pessoas, aquelas que ultrapassam a parvoíce natural a que todos nos podemos dar ao luxo, e que estupidamente acham que acima de qualquer ser são piadeticas, donas dum humor ou dote de comediante e então passam o tempo às piadas, mesmo quando lhes acabou o lubrificante... a minha questão é, o que fazer com elas?! a minha vontade? coloca-las amarradas em frente a um espelho e obriga-las a ouvirem as suas piadas dias a fio, até que as mesmas se acabem!
depois há as pessoas que acham que sabem tudo, e não falo daquelas que têm dias em que acordam assim (porque isso às vezes também me acontece), mas sim das que acham efectivamente que a inteligência nasceu só para elas, assim sendo têm assento no reinado supremo das maiores e mais sábias opiniões; com estas não tenho o menor dúvida do que fazer; há um botão que conseguimos desligar simplesmente, e assim deixamos de ouvir, gestos como acenar de cabeça e sorrisos ajudam a disfarçar; porque contrapor é de facto perder energia numa conversa que não andará do mesmo sitio nem passado duas horas. 
depois há as pessoas que de cinco em cinco minutos se revoltam contra o mundo na figura da sua própria vida, e conseguem em 5 minutos destruir-se em palavras e destruir tudo o que o mundo lhes dá, são aos olhos delas os maiores negrumes da face do planeta, mas quem olha, acha que pronto dá Deus nozes a quem não tem dentes, mas com estas aprendi a desistir, porque enquanto a imagem delas não melhorar podia enviar-lhe barras de ouro para casa, que o mundo seria o pior porque a casa era pequena para as guardar... 
pergunto, constato, porque é o ser humano este bicho complicado que nunca está bem? que se vira do avesso em 5 segundos porque o céu não está no panton correcto e o o vento lhe embaraça o cabelo todo. porque lutamos contra os cabelos encaracolados que a natureza nos deu, quando quem tem o cabelo liso deseja ter caracóis... porque conseguimos reunir tanta estupidez num minuto, tanta maldade noutro... 
constato que somos muitas vezes perto de nadas em crash completo connosco próprios, mas nada com capacidades enormes de sermos tudo... constato as seguir que tal não é linear, e que sofre excepções, que falo de médias, porque alguns exemplares chegaram a este mundo desprovidos de toda e qualquer capacidade que lhes permite sair do exagero da estupidez natural para estádios momentos escassos de alguma falta dela ... e assim estamos algures por aí...

12/06/2013

confio em ti

confiar em nós próprios é uma conquista que só conseguimos perto daqueles que acreditam que acreditar em nós respira-se... e quando escolhemos esses para serem os merecedores da confiança que cresce dentro de nós e faz ainda mais sentido junto deles! 

obrigada! 




11/17/2013

dia #2 loucos sem o livro

ouvir ou melhor ler nos blogues que viajar sem informações escritas ou seja guias, é para parvos, é uma coisa normal, mas ouvir locais, motoristas de tuc-tuc, dizer a mesma coisa e verbalizar que somos loucos com um sorriso de troça, só porque andamos sem o livro, é de facto uma novidade.
o livro azul que falam é como esperado, nada mais nada menos, que o lonely planet, e nós viemos sem ele.. normalmente nunca o temos, mas neste caso não temos notas, guias, e nem sequer conseguimos um mapa do país, em Colombo conseguimos umas brochuras com algumas informações da cidade e pouco mais. 
estamos então neste pequeno país, sem o livro mas temos internet, melhor dizendo wifi, praticamente em todo o lado, e este serviço é de grande simpatia, visto que estávamos apenas há umas horas no país quando recebi uma mensagem com o meu user e pass caso quisesse aceder aos pontos de wifi espalhados por todo, mas mesmo todo o lado.(pena que o meu telemóvel seja demasiado bom para se conseguir ligar sempre).
supostamente perdido sem o guia, temos feito o nosso percurso sendo guias dele mesmo, e com a ajuda da internet, usamos as noites para estudar as nossas vontades , depois de um banho e com o estômago forrado. 
com 5horas e meia de diferença face a Lisboa, estranhamos a meia hora, que ainda não percebi de onde vem, não tivemos dificuldades em adaptar o corpo ao horário, talvez pelo cansaço com que chegámos, talvez porque todos os dias as 17.30 anoitece, talvez porque alguma vez tinha de ser fácil.
viemos para o srilanka sem expectativas muito grandes, e completamente à ultima da hora, leia-se mais à ultima da hora do que é normal, assim sendo eu tenho descoberto coisas sobre este país que ainda não conhecia, o André tem aprofundado o que já sabia e descoberto que há mais para visitar do que esperávamos. 
Marco Pollo diz que esta ilha é o paraíso na terra, eu diria que é um lugar desafiante, quando olho ao redor sinto um pouco de muitos lugares onde já estive, que todos juntos dão lugar nenhum, ou seja este, completamente novo. recorda-me as pirâmides do México, pela imponência das construções, os templos de Ancor pelo detalhe, pela lógica e desenvolvimento de ibnra-estruturas em cidades tão remotas, e ainda pela selva densa que circunda tudo; cheira-me a Malásia e as ruas têm um toque de indonésia, no final resta dizer sem dúvida estamos no oriente. 
as pessoas são simpáticas, olham-nos com alguma curiosidade, observam as nossas roupas, param para nos ouvir falar. 
andar de autocarro com elas é a verdadeira loucura, o transito é caótico, os autocarros parecem caravanas de circo com luzes e musicam e muita muita gente a entrar e a sair, se a minha mãe imaginasse que escolhemos esta forma p nos deslocar durante as ferias talvez me proibisse. 
tudo é diferente, para lá do cheiro e da visão o paladar acusa coisas boas e más; as maças são odiosas, as bananas e o ananás divinas. jantamos hoje o nosso primeiro caril,espero que amanhã não me doa a barriga, jantamos na guest house onde estamos hospedados, local despretensioso, mas limpo, apesar de simples, conseguimos dormir com qualidade, comer e pensar as próximas passagens.
são 9 da noite deste segundo dia, 3 horas de escuridão cerrada, ligações para portugal feitas, para dizermos que estamos bem, o nosso corpo queixa-se me demasia da caminhada extensa de hoje, subidas e descidas em degraus, que estão a por os meus pés mal recuperados do inchaço do avião num oito... mas será assim, descansaremos merecidamente daqui a uns dias...
diz que por agora o srilanka está de bom gosto e recomenda-se, e seguimos sem livro, para a parte que falta do triângulo dourado....

rota do dia: 
danbulla- sigiriya rock- danbulla cave temple and golden temple- hotel 

o melhor: a cidade de sigiriya e o caril 
o pior:  golden temple e a viagem de autocarro até sigiriya

até amanhã

11/15/2013

de lá para cá

lá é hoje o local onde habitualmente me encontro...normalmente é o cá e está perto, hoje está longe. acabamos de cruzar alguns continentes e chegar ao Sri Lanka, o cá hoje saiu da rotina para ficar connosco por mais uma dias. de cá para lá, nos próximos dias contamos as nossas aventuras.... sempre que possível, claro!
25h depois e alguns meios de transporte fizemos a nossa adaptação aquele país que muitos consideram uma Índia em versão menos calorias... não sei se pelo cansaço que sentíamos, e talvez um pouco letargicos e em ânsias de tomar um banho e ver uma cama, ou se por ainda não estarmos perto de lugares cuja dimensão diferente no seu contexto, nos farão despertar as sensações e sentir que chegámos ainda....ainda não sentimos o grande choc, ou talvez aquele para o qual nos tínhamos preparado.
 chegar e escolher usar os transporte públicos, num pais onde o transito é louco e todos inventam faixas para ultrapassagem foi iniciar desde logo com o um desafio, ao mesmo tempo que se consegue perceber um pouco mais das pessoas pela sua observação...marca o sorriso com que os miúdos fazem duas hs depois de sair da escola para chegar a casa, ou de quem foi trabalhar e no regresso faz essas horas todas, para no próximo dia começar td de novo.
o atraso em que o país se encontra no que respeita a infra-estruturas é notório, as pessoas carregam os seus credos religiosos na forma de verem o mundo, carregam o cheiro que lhes é característico, e misturam-se com um pó que se entranha nas notas, na roupa, nas coisas, e depois de 5 m fora do aeroporto em nós também. 

Não passamos por Colombo, as desigualdades sentidas ficaram-se só na mistura de populações a passar pelo aeroporto, a partir dai rumo ao interior do pais, vimos a simplicidade pobre com que estas pessoas celebram avida e natureza. as cores fantásticas das bancas da fruta mesmo em frente a selva densa ou a arrozais, as bacias, os alguidares os pequenos lugares de venda de  comida feita a fazer lembrar a indonésia...e podia continuar.... nao fosse menos húmido e de temperatura bem mais suportável, em algumas alturas da viagem até aqui, diria que poderia muito bem estar no Cambodia, certo é que estamos ainda só no começo desta viagem interior de um pais que teve a sorte de ser pintado a cores por um natureza fantástica
, que agora não se envaidece do desenvolvimento que ostenta, mas que um dia quando assim estiver, quem voltar vai dizer que já não é a mesma coisa....

Passagens de Hoje: 
Lisboa/Dubai _ Dubai/Colombo _ Colombo/Negonbo_ Negombo/Kerenegala_ Kerenegala/Danbulla

o melhor: a loucura de fazer viagens em autocarros públicos
o pior: o tempo da viagem



11/07/2013

parvoíces quotidianas, afins felizes de viver

não gosto da palavra vivido, assim começo este texto, substituindo a mesma....assim, tenho experimentado cenas quotidianas brilhantes, extenuantes, cómicas, normais, pacatas, e muito parvas nos últimos tempos. 
ou seja tenho tido uns dias normais, mas de facto felizes, e esta seria a palavra que deveria ter substituído porque normalmente quando a usamos, de seguida,o nosso respirar, cruza-se com um animal voante e colorido e recebemos todo o efeito devassador do mesmo, em forma de coisas terríveis a acontecerem nos nossos dias, ainda há tão pouco tempo, tão felizes... 

Raciocínios parvos à parte, o que realmente conta, é que o meu peito se tem enchido de ar para gargalhadas compridas a qualquer hora do dia, que os meus olhos acordam com vontade de acordar, que eu gosto de ser eu, mesmo quando caio no meu sofá, tal lontra gigante, só levantada por uma grua, a achar que o dia já devia ter acabado há duas horas, e que preciso de me babar na almofada para me preparar para o próximo;  que me sinto acompanhada permanente por um super único que existe mesmo, que sei quem está comigo e que não quero saber de quem está contra mim... 
sou actriz numa peça de parvoíce constante, ou melhor de uma parvoíce saudável, onde a vida avança sem formas e ses, mesmos que os ses existam todos os dias para me porem a andar para a frente, mesmo que os ses sejam as montanhas dos Himalaias em forma de roupa para passara ferro algures em casa, e o estendal a tombar de roupa por apanhar para um ponte abandonada... seja o caos de não saber fazer lista de tarefas para fazer, e perder metade do tempo que não tenho, a dizer que não tenho tempo. 
afins de todas as ordens, que passam do simples frigorífico transformado em Somália, à secretaria do escritório cheia de post-its escritos por mim em fases em que eu própria não entendo a minha letra, em emails sem fim para dar resposta e coisas e coisas e coisas.... afins felizes ou quase felizes, que tão depressa podiam ser tristes se não olhássemos para eles na parvoíce de como existem para nos fazerem simplesmente ser....

conseguimos SER em tão pouco, existir e sentir por "quase nadas" tão importantes, e passar por parvoíces tão pragmáticas, que no fim de todas as contas, importa só como passamos pelo lá onde elas são nossas, e de forma clara, inequívoca e quase imediata, sabemos que, o quotidiano é experimentá-las, a essas parvoíces quotidianas a que chamamos dia-a-dia, e como se de um tesouro se tratasse sabemos que elas que são coisas, coisinhas, cenas e afins que só de nós dependem para serem afins felizes! 


10/25/2013

de fora para dentro de nós

não somos nada longe da pertença ao mundo, as regras, as normas, a psicologia comportamental que traça tantas vezes o certo e o errado que se sobrepõe ao que realmente queremos, perseguem o nosso respirar ao som de um tic-tac constante.
esta pertença sem balanço faz de nós pessoas de essencia deseiquilibrada, mas este balanço sem parte do que somos realmente não faz sentido absolutamente nenhum.
há espaços no nosso tempo em que entre saltos e quedas chegamos a um pleno sentir que estamos bem, e que com tudo o que não está plenamente no lugar mais tudo o resto estamos felizes... os sorrisos saem, as coisas menos boas são só coisas, e tudo se soprepõe a elas. invadenos a certeza que queremos ser assim, estar assim, seguir assim e que somos capazese de encontrar solução, remendo ou pensamento certo para o que estiver para vir. invejo-me a mim propria quando me sinto assim, e comtemplo a capacidade que os outros que passam por mim por estes momentos tiveram em dar-me parte do que sinto, olho para cima e sinto a sorte, sorte de ser, ser como sou, sorte de estar aqui e agora e de os outros quererm estar comigo, de permanecer no tempo com o que quiser permancer comigo, com  a saude, a familia, o amor, a paz de espirito e tudo o resto.
descobri há poucos dias que quando se experimenta estado semelhante, o nosso corpo, ou parte dele deve emitir certos sinais ao universo de forma geral, ou então deve enanar um cheiro diferente...
o meio onde estamos, os grupos, as pessoas com que nos cruzamos nao recebem esta energia da mesma forma, e de um momento para o outro, parece que tudo conspira para que dentro de nós esteja um problema que não temos, surja uma preocupação que não existia por falta de sentido, e todas as vozes se juntam para banir o que sentes de melhor e te apresses a olhar para algo que eles estão a ver e que é de certo um problema.
existir é desafiante, temos uma mente, temos o nós, o nosso corpo e temos os outros, estar em perfeito balanço com tudo numa passagem onde o que temos de mais certo é a impermanecia é um exercicio que nem sempre ultrapassamos com dificuldade.
o que vem de fora na maior parte das vezes, abana, faz nodoa negra, faz tremer, duvidar, olhar para as coisas de outras formas, mas o que fica lá dentro no lugar que queremos e principalmente no lugar do que sentimos é o que escolhemos lá colocar... esta escolha ou decisão é a marca que faz de nós únicos, raros, pensadores capazes de mover o mundo com as suas proprias ideias, e resolutos, num mundo onde o que está cá fora é de todos, mas o que está cá dentro para lá de nosso é de quem quiseremos que po lá passe, e fizermos questão de que por lá fique....
continuar a estar feliz é seguir o caminho que mais nos interessa com a energia de quem nos apoio, na debilidade, na doença, na cura, na recuperação, no progresso, no crescimento, na felicidade, em todos os momentos...

10/15/2013

as coisas e o medo das coisas


há coisas que para lá de nós não têm fim, têm uma forma perene de estar por aqui e por ali, onde nós, ou outros para lá das coisas, simplesmente só passamos. 
há coisas que não passam por onde passam os nossos pés, mas vão onde eles nos levam ou se transportam pela essência para lugares onde são as melhores coisas do mundo.
as coisas por norma existem , teimosamente conseguem por vezes trocar de lugar, ou mover-se estrategicamente como se o mundo fosse um tabuleiro de xadrez, cheio de cavalos e rainhas. 
as coisas acontecem connosco e nós existimos por via delas, contribuímos fortemente na provocação das suas metamorfoses, porque nascemos com medo, medo das coisas. 
se as coisas não se explicam na sua essência, porque derivam de uma origem cuja forma, as coisas na totalidade não permitem explicar, o medo nasceu logo ali ao lado da primeira coisa, de forma vulgar e quase tão perene como as mesmas, não fosse ele extinguível na sua causa... o medo das coisas, é o medo que temos nas coisas, que é não só tanto como o de deixar de ser. 
as coisas são a imensidão que lhe damos, a importância que o mundo nos ajuda a empolar ou diminuir, a forma que lhe damos e o que a soma de todas elas que a nós chega, e em tudo isto, a forma redonda de nos subtrairmos de tudo, somos a coisa entre as coisas, que morre, para deixar de herança as coisas que não se levam... ou seja todas as coisas. 
existo certa da morte de todas elas, existo na força de fazer tardar a morte às que mais quero, e certa no medo que tenho de não a conseguir para prolongar...
nessa certeza encontro a razão de luta por tantas outras, e percebo muitas vezes que disso não passam, quando tenho que distinguir as que merecem o tempo que lhes dou, das que devo deixar para o tempo que não volta!
o medo das coisas que nos move, e nos diz que o amarelo é melhor que o azul e que viver vestido e numa casa é a indiscutível verdade é o medo que nos mostra a certeza de estarmos cá, coisa a coisa, para que em todas elas haja principio, meio e fim, até que um dia deixamos de assistir ao fim das coisas, para sermos nós mesmos o fim delas...
passaremos com o tempo em cada um delas, e aqueles que passarem nelas na ilusão perfeita de coisas não serem, serão entre todos os mais felizes, porque encontraram o lá das suas passagens e aqueles que passarão com eles coisas fora até ao dia em que conseguiram ser perenes num tempo que não passa mais! 

10/07/2013

camomila, confissões de um anciosa

nem sempre somos como somos, mas raramente deixamos de ser. não perpetuamos existências teimosas dos comportamentos que não são nossa característica, porque como os ditados dizem, mais cedo ou mais tarde, a verdade sobe à toma, neste caso à nossa, e sobe para afinal podermos ser o que formos sempre. seria impossível por esta e outra razoes ser perfeita e por outras tantas pachorrenta  mesmo quando desejo muito sê-lo (:)).. só porque não sou mesmo assim e só por isso!
todos os dias mais ou menos por esta hora, forço o meu corpo a uma contrariedade, forço-o a acalmar-se, para que me diga que na verdade seguirei o resto das horas do dia, num modo mais fácil de tolerar. Dizem que o meu metabolismo é lento, e que o meu corpo devia expressar essa característica  de facto expressa em dimensão, nomeadamente pela largura, porque a energia que me move, e me faz passar do cérebro mediante determinadas situações, ou meter a sexta velocidade para fechar pendentes, os pulmões que me permitem, berrar ou rir com a mesma força e vontade, as pernas que sobem e descem as escadas vezes sem conta e as mãos que teclam sem parar, parecem tremer na hora de não me mostrar a calma...quase todos os dias o meu coração dispara mais que um vez saindo da velocidade que considero normal, quase todos os dias me engasgo com a saliva, e a minha respiração diminui de intervalos;  todos os dia só meu corpo sente formigueiros, todos os dias respiro fundo, exercitando a minha capacidade de baixar a um ritmo que não é meu, todos os dias me questiono se um dia não caio mesmo para o lado... hora de ouvir musica de relaxamento, de por os phones, baixar o ritmo e preguiçar... preguiçar eu gosto, pisar o risco da aceleração sem saber como voltar à calma não. 
sou ansiosa e essa ansiedade é maior quando se tratar de dar o meu melhor, todos os dias ela passa, todos os dias a uso e controlo para ser sempre melhor, quase sempre consigo, e quando vejo que não sou capaz, encontro nela a resistência de ser capaz depois... e por agora somos as duas capazes de viver comigo no meu corpo e superar cada dia numa felicidade que nos contagia e mostra o melhor de mim.
os entendidos dizem que todos os dias, ou pelo menos a maior parte deles, em o meu corpo somaticamente me chama atenção para o ritmo que não está bem, que nada mais tenho em mim que stress, muito, ansiedade também. dizem que é do trabalho, do compromisso que tenho, do envolvimento em demasia, de todas as coisas de que responsabilizo, que raio de doença é esta que aparece por sermos bons profissionais?? boas pessoas? pessoas rápidas? pessoas responsáveis? pessoas com muita coisa para viver....
todos os dias trabalho emocionalmente para ser mais inteligente que estes tufões de stress que hoje invadem
as vidas de tantas pessoas como eu, que só querem sair do trabalho e viver intensamente com a tranquilidade de terem dado o melhor, todas as horas que passam fora dele. chamo-lhe resistência, logo faz parte de um bom treino e de um grande plano de vida.
 sei que posso acalmar-me facilmente desde que tome umas coisas fantásticas, quase sempre esgotadas mesmo que à venda nas farmácias, que me podiam, faziam dormir, mas dado o meu ritmo só me atordoam um pouco... ou posso lutar todos os dias com a mesma energia, para não sentir nenhuma destas coisas, superar-me estoicamente e tratar por tu todos os sintomas, desta vida semanal stressante em que me coloco... posso ousar mudar de vida e um dia conseguir dar essa volta, posso contar com alguns...e posso a qualquer momento passar por onde quiser em pensamentos e desligar-me desta corrente. desafiante como tudo o resto que tenho por perto.
de forma simples e num pequeno copo, todos os dias assim, tenho comigo a camomila, cruzamos as fronteiras dos limites e desfrutamos uma da outra como se um dependência se tratasse... um copo, dois copos, três copos, um saquinho, dois saquinhos, muitos saquinhos, embriagada no seu aroma, envolta no seu cheiro, ouso beber a fórmula que sem me desligar da máquina me traz, associada aquele momento, a lucidez de perceber pelo menos da calma que preciso, para mais um dia, para mais um semana... 
passo agora com o meu saquinho de camomila pela hora do chá... boa tarde para quem passa algures por aí!

10/02/2013

dias, rotina,descanso, sinónimos e contrários

a nossa espécie revela poderes e capacidade incríveis como pensar, sentir e mudar... esta ultima intimamente associada ao desenvolvimento que foi alvo e ao animal racional fazedor de coisas em que nos tornamos, muitas vezes me faz pensar... 
no passado precisaria o homem te dias grandes, de tempos livres, de rotinas para não faltar ao ginásio  aos compromissos, de anotar em agendas a época das chuvas ou das colheitas, talvez não... como se chamariam os empregos, os horários, as refeições... o próprio tempo?
esses homens e mulheres do passado seriam ricos, sábios  diferentes ou conformados, ou simplesmente pessoas a viver ao sabor das expectativas do mundo, que sendo outro, espera outras coisas, que as que não espera de nós?
os dias andam ao sabor de um relógio diferente em cada canto da sua passagem, e as pessoas, diferentes, giram com ele, de formas tortas, dando sentido às diferenças que procuramos encontrar nas nossas viagens. 
os dias normais,tantos, sinónimo de coisas para fazer, do tic-tac do relógio, do que os outros pedem, do que fazemos, do que queremos fazer, do que fica por fazer. puta da rotina dos dias comuns, que só existe para sairmos dela; que existe para que encontremos motivação nos seus contrários, contrariemos os seus sinónimos e todos os dias, com a mesma força de um rotina, nos inspiremos na vontade de contrariar a normalidade, e chamar a esse contrario, o passar por lá de uma nova viagem... aquela que dá descanso á rotina, que tem piedade da mecânica das actividades físicas repetidas, e nos põe a correr para buscar nos lugares desconhecidos as rotinas dos outros e calmamente desfrutar do prazer de nelas não existirmos. 
estes são os dias, do contrario, em que o normal ganha sentido, e nada mais é que o meio de chegar a eles, os dias em que as rotinas se alteram e significam diferença e o nosso descanso é correr para um mais além diferente do passa por lá de mais um amanhã como o de hoje...

8/28/2013

quem se esquece de onde vem, nunca sabe para onde vai!



passar por nós é quase sempre a mais desafiante e difícil passagem que nos pertence... quase sempre a mais dolorosa, quase sempre a mais forte... e num final sempre distante e constante a que mais nos diz, que mais dirá de nós... a que ficará na memória dos que passaram e dos que das passagens poderão ouvir falar... 
sem saberes quem és, nunca és tu, o teu destino é fraude, vitima de um tempo que não é teu, a tua chegada é somente a dos outros, sem saberes de ti, não sabes nunca até onde podes ir, nem onde vais chegar!!

8/12/2013

(gosto)

gosto de fim-de-semanas enormes... de tempo lento e sem calor excessivo. gosto de cerveja fresca no verão, mas não de uma cerveja qualquer... gosto de ter sono para não sentir calor em noites muito quentes...gosto de camas de lavado, e detesto a cama lá de casa, que não é nada prática para trocar os lençóis, gosto de musica, muita, toda, boa...  gosto de não ser má pessoa, embora as vezes seja um bocadinho, gosto de ver a família, de comer até cair para o lado algo que adoro violentamente, mas não gosto de engordar...gosto de sonhos, dos meus e dos que posso ajudar a concretizar, gosto de pêssego, mais se for maracotão... gosto da minha mãe, da minha avó, do meu pai, adoro inexplicavelmente os meus irmãos, embora muitas vezes me apetece partir-lhes literalmente a cara...gosto de ti, do meu tempo contigo e do nosso tempo com o mundo.
gosto de dias agitados em que não tenho tempo para fazer xixi, e corro como se não existisse amanhã, gosto do stress que sinto na hora de entregar algo terminado, gosto dos nervos que o meu corpo acusa na hora de me avaliarem, gosto de ouvir o meu coração a disparar, de sentir o meu corpo a tentar baixar a temperatura, gosto de o sentir a viver. gosto de cantar, mas o mundo diz que eu canto mal, gosto de dançar e aqui o mundo é menos exigente a julgar, por isso danço qualquer coisa... gosto de passar pelos sítios, de passar com as pessoas, e de saber do que gosto porque todos os dias experimento coisas, lugares e pessoas de que não gosto mesmo nada... 
gosto de acertar no que vai acontecer a seguir e não gosto de nunca ter acertado os números do euro milhões... gosto de doces, mesmo muito, mas só porque conheço os amargos... 
diz que é um ciclo, como atribuir mais e menos ás coisas, vermelho e verde, proibido ou permitido, falso ou verdadeiro, é mais uma forma de catalogar esta passagem por onde andamos...perdidos nas horas que o tempo nos dá, na tentativa de nos encontrarmos nas horas que o mesmo tempo nos tira... gosto de disso, é um passar pela vida que temos...

8/06/2013

"menina sê quem passa"!!


não importa por onde... seja qual for o caminho, a hora do dia... passo por aí,
acordo, existo, levanto do chão usando as asas das palavras, saio de mim com os meus medos... avanço pelo meu pé  pelo vosso mundo... sou eu mesmo a passar por aqui, uma menina com outra qualquer com direito e avesso... que às vezes sabe dançar! 

7/24/2013

( vazia )

mais que o vazio que em mim transborda, sou quase nada. certa disso e não de todas as minhas escolhas, posso andar para a frente todos os dias, sem ter de olhar para trás, porque o que lá ficou não tem abertura de boca suficiente para me mordiscar. ou pelo menos dizer que desse medo não sofro.
não é fácil existir, se fosse de que serviriam todas as coisas que se inventaram com a desculpa da utilidade. se já não é fácil somente conjugar o verbo imagine-se então ser perfeito na sua conjugação....um desafio imenso, uma tarefa babilónica, digna de nenhuns... almejar a perfeição parece que rasa o não viver, ou pelo menos ausência de uma existência onde só nos permitirmos ser devido à nossa impermanência. 
sou imperfeita todos os dias de manhã, no risco preto e torto dos meus olhos, na medida da minha cintura, na robustez exagerada dos meus braços, na forma das minhas pernas, nos meus dentes manchados do café, no pelo que sai do meu sinal, e nos macacos teimosos que se aninham no meu nariz como se estivessem em casa. o meu cabelo chega a ser a marca do meu desalinhar, o  regressar a casa é a prova viva da imperfeição em que teimosamente me transformo 8 horas depois de me tentar aperfeiçoar; sou imperfeita quando te chamo, quando te falo, quando te ouço, quando resmungo e barafusto, quando digo palavrões, quando faço explodir o me coração com nervos que não devia ter, quando tenho vontade de apertar pescoços, banir pessoas da minha retina e da minha cabeça. sou imperfeita quando me viro para o outro lado porque não quero ir trabalhar, quando faço crescer o monte da roupa lá em casa, quando não consigo falar baixo, rir baixo, ser baixo, quando sou teimosa que nem um cavalinho feio e a mim chamo toda a sabedoria do mundo, quando defendo os meus e quando me transfiguro num eu mas forte. a minha imperfeição aumenta quando ponho uns sapatos que nada tem a ver com o tom da roupa, e durmo cheia de maquilhagem, quando não consigo parar de comer e quero muito emagrecer, quando não consigo parar de te olhar e o meu corpo precisa de dormir, quando me lembro mais de ti do que de mim, e lembro de todos para me esquecer de mim... e numa lista ainda maior que esta penso... e depois???? passo por mim todos os dias.... acompanho casa passo desta imperfeição feita carolina e transformo-a numa perfeição vazia (  ). sou assim, não tenho espaço para interpretações sabias e termos passiveis de sinónimos estanques, se posso ser parónima  porque vou querer ser homónima???
quase aos trinta certa que sou quase nada, mas um quase do tamanho daquelas gargalhadas inconvenientes que me saem sem filtro, percebo com nitidez que a minha gaveta da perfeição está vazia (   ) ... e que não quero enche-la, e se quisesse não podia, esse tempo não existe... a perfeição é estanque, pára em si mesma, e eu sou  um diabo de uma rapariga que tem certo dentro do quase nada que é, que não consegue por raio nenhum ficar parada ...




7/22/2013

consertar

há dias em que nos comparamos a maquinas, tamanho é o nosso tictac constante, ou tamanha foi a obra do ser humano que tão bem se replicou a ele próprio e se transportou para o que inventa. nesses dias somos mecânicos, imparáveis, invencíveis na velocidade, novos, lindos, feios, barulhentos, velhos e a necessitar de manutenção. depende sempre dos dias...
sinto que muitas vezes parece que nasce desta sensação "mecanicoinformatizada" que temos do que somos e do que está a nossa volta, aquele a que chamamos de poder de consertar as pessoas. e repetidamente temos uma vontade grande de o fazer e fazer, uma e outra vez. confundimos depois este poder com a nossa vontade, as duas coisas misturam-se e achamos que somos mágicos e num toque mais sublime que o de Midas vamos juntar as peças partidas do que partiu, de quem mandou tudo ao chão, de quem se maltratou, de quem num momento se esqueceu do que é e do que somos, e mais ou menos voluntariamente deitou tudo no lixo e  foi em frente, despedaçando construções de tempos enormes. assumimos poder nos cacos dos outros e queremos voltar a olhar para quem errou de forma igual há do tempo passado, numa controvérsia do que sentimos e certos do poder que temos em conseguir concertar tudo outra vez,uma e outra, e tantas.... alguns percebem que no fim de mil passagens iguais em erros diferentes, com a mesma fracção a participar em todas as operações, que não há poder de conserto para o que constantemente se quer remendar, que se acabaram as peças, depois de saídas novas series, ou então que ninguém tem poder de consertar o que vem dos outros, há excepção dos "outros" próprios... passemos por lá as vezes que quisermos, e tentemos ser a ajuda,  o meio,  o apoio, e ás vezes ainda  espectadores, seremos sempre parte de quem se desconsertou num tempo e se quer consertar, e parte nenhuma junto daqueles que partem tudo em loop por falta de vontade de conserto, (digo eu, claro, assim sendo vale o que vale) parece-me que é mesmo assim nestas coisas e...em muitas outras coisas! solução, andar para frente, porque o mundo é um vazio muito grande cheio de boa louça para partir e ajudar a colar, sabendo à partida que nunca voltará à forma inicial! ás vezes parecemos máquinas, e mesmo essas têm limite de "consertagem"; o segredo reside em não esquecer que nós ainda só parecemos... não sendo, o resto já se sabe...pode remendar e remendar e não dar para consertar! esperemos que vá dando! ;)


7/18/2013

falsa(s)

detesto gente falsa, sim gente, porque de factos não se pode dizer que gente assim seja pessoa, na verdadeira essência da palavra... 
detesto gente que bate palmas aos nossos sucessos, aos novos desafios dos outros e na primeira oportunidade criticam o tamanho do nosso rabo, o aspecto da nossa cara de manhã e pelo risco dum decote conseguem rotular uma pessoa. detesto gente falsa, que todos os dias mesmo emparelhada cobiça a companhia dos outros, instiga a traições e desavenças e pica como veneno em  busca da corrosão alheia, porque no fim das contas, leva dias sem ter o que fazer consigo na sua própria vida. detesto gente falsa que prega aos ventos todos uma segurança que não tem e uma beleza que não encontra no seu espelho, mas vive desse discurso para os outros na vontade de ser bajulada admirada, elogiada porque de quem quer não retira nenhuma dessas palavras. 
detesto pessoas falsas que acreditam nos nossos projectos pela frente, com palmadas de incentivo e sorrisos, para no momento a seguir criticaram aguçadamente cada metro que andámos em frente. 
detesto gente assim, e ás vezes detesto-me porque tenho vontade de aniquilar toda ela da minha proximidade. 
se cada uma desta gentinha ocupasse o seu tempo a plantar as suas batatas e tomar conta delas, aposto que seria bem melhor...
Inveja, falsidade, falta de ocupação diária... maldade, coisas que não consigo entender de forma clara, porque me recuso a sentir por estas o que elas alimentam diariamente às custas de tantas pessoas como eu, que não sendo perfeitas, não precisam de desacreditar ou desprestigiar os outros para serem mais "Eu(s)"
passei por elas e fugi ...

7/17/2013

biroska do peixe

O paraíso nem sempre é aquele que figura em photos cliché ou em escaparates de agências de viagem, muito menos em sites de destinos fantásticos onde as photos são mais brilhantes que eles próprios. O paraíso está longe do tudo incluído e mar caribe, do álcool frutrado pele manhã e do escaldão de um bronze que corre contra os poucos dias de férias.
Podendo ser igual a tantos, o paraíso resume-se ao lugar onde realmente por diferentes motivos queremos estar, ou então é aquele lugar onde estamos e deixamos de querer estar noutro qualquer.
Búzios nasce de um vicio recente chamado Rio de Janeiro, e da vontade de descobrir um pouco mais que a nuvem de felicidade e leveza que se encontra entre ipanema e copacabana. Nestas férias entre outros destinos estudados aparece ajustado aos nossos objectivos e posses, e apresentou-se, como se sempre ali estivesse aguardando por nós!
Num piscar de olhos, assim como nos filmes lá estávamos nós no meio de argentinos em maioria, que nos baralhavam na língua e nos faziam muitas vezes esquecer que estávamos no Brasil de brasileiros. Lá estávamos nós subindo e descendo com eles, vezes sem conta a Rua das Pedras, sendo que subir pode ser também descer, caminhar, passear ou outro verbo atribuído ao vaguear a passeio, para fotografar, sentir ou observar.
Podia contar uma serie de diferentes coisas, mas basta-me resumir:
Mais uma vez escolhemos para dormir uma pousada de baixa categoria, bastante enquadrada na nossa perspectiva orçamental de 7 dias de ocio, mas rapidamente demos por nós no meio de um lugar turístico bem acima do esperado, e acima da nossa carteira, damos conta que estávamos seguindo com facilidade e quase levados pelo próprio espaço, um roteiro onde figuram os melhores sítios para comer, para frequentar, para fazer praia e ainda associámos aos nossos passos o que eles próprios custam , pois sem gastar em búzios, só há um coisa que é totalmente gratuita.... o horizonte... a qualquer hora do dia!
Falar de Búzios é ainda falar da sua orla barbot e das caminhadas para lá e para cá, do descanso com a geleira cheia com cerveja a matar o tempo depois da praia, do bar do zé onde o rizotto ñ estava no ponto, e o café estava longe de ser um expresso, do Havana com musica ao vivo, um serviço de qualidade numa sala demasiado grande para ser totalmente acolhedora,  mas justificada pelo preço mais apetecível do risotto de lima, do novo centro gastronómico ainda em construção que pretende levar elites para longe da confusão central, ou ainda do Roca um lounge em plena praia com um serviço gourmet em pleno ambiente descontraído destinado aos amantes de surf e champanhe, onde comi um bolinho de requeijão parecido com o da minha mãe em sabor, sendo que de tamanho era minúsculo o bastante para acompanhar um verdadeiro expresso (sim em pleno Brasil).
Podia falar do ar piscatório e agradável do centro,o verde da água das praias e das caminhadas sem fim para se chegar a qualquer lado. Sem dúvida que Buzios é um lugar de paisagens encantadas, praias que cheiram a betadine pelas suas fogosas areias,e aguas transparentes na sua cor diferente, podia ainda falar de uma pedra Barbot sempre acompanhada por flashes em plena Orla, rodeada de esplanadas e lojas de griff onde pessoas bonitas e selectas se misturam com o turista e a sua erva matte...e podia continuar ainda a falar do comercio, dos agentes de turismo ou da magia de um ou outro detalhe, mas tenho de vos contar: Buzios é tão mais que isto...
Há em búzios um lugar onde se traça uma linha directa para o por do sol, podia este ser mais um entre tantos outros  de tantos lugares do mundo, mas este deixa em silêncio durante 20 minutos qualquer falador nato.
É encantadora a luz daquele despretensioso lugar junto a uma parte já final orla, onde muitos ousam passar sem tempo para contemplar devidamente a natureza a anoitecer.
Sentámos-nos, bebemos uma cerveja, comemos um pastel, repetimos a 1º parte, damos musica a este momento com o  nosso telemóvel, as nossas crianças estão connosco sentadas a registar o momento. Ali nos sentamos pela terceira vez em 4 dias, ali descobrimos por diferentes razoes o melhor spot deste lugar... Ali descobrimos que para nós Búzios não é capa de revista de viagens, bares e restaurantes recomendados, postais de praias comerciais... Para nós Búzios foi, é sem duvida... O passar repetido pelo
Pôr do Sol, no melhor sitio da cidade ....Búzios é por do sol na Biroska do Peixe!




7/16/2013

lassidão

nefasta a idade que carrego, assim me sinto passados 4 dias de alegres manifestações corporais e responsabilidades laborais que com elas se misturam...
o meu corpo fala comigo através de dores, pequenos ais, soltam-se em posições estranhas para a minha coluna e os meus gémeos, mais que nunca, estão de costas voltadas para a minha cara, reclamando o descanso que ainda não lhes dei.
parece-me hoje que abusei da maquina que tenho, verbalmente tento encontrar desculpas que digo a mim própria entre promessas de que para o ano farei diferente e que para a próxima não farei igual...
estou preguiçando agarrada a esta lassidão, justificando o ritmo baixo a cada tarefa que não ouso não fazer, prolongo nos meus olhos a miragem do meu sofá, e do teu encosto, passava-me para lá oito horas seguidas de janelas fechadas, e pernas esticadas, num sono recuperador... depois penso, antes lassidão que sonolência... não perdi nado do que aconteceu enquanto metade da Lisboa vitima de uma idade qque se sente a chegar associada a dormência nas pernas, dormia....
invadida por esta lassidão que me corroeu hoje e me matou ontem diante das obrigações de uma adulto dito normal, e depois de tanto reclamar deste cansaço... tranquilamente recupero o fôlego e agradeço a energia e a disposição dos últimos dias... mais que isso a vantagem de ter puxado por este corpinho e entre passagens perceber que em "alive" três dias... e em loop os recordarei até que a sensação de esmagamento físico passe dando lugar somente ao sonoro reviver de mais um espectáculo...
embora menos energética e talvez mais irritável e irritante que o normal, agradeço a esta lassidão a sua verdadeira missão, existir em mim para me provar que estou viva... e viver ás vezes é tirar o folego aos dias para num depois recuperar com eles do cansaço!


7/11/2013

mais perto

há lugares destinados às nossas passagens, aparecem por acaso na nossa bagagem e levam-nos com eles numa outra viagem. paralelos ao tempo que temos para nós, são dádivas que não podemos negar, memso que vindas do acaso.
estes lugares ficam perto, aproximam-nos, dispensam bagagem excessiva e libertam a mente de uma rotina, ou de muitas, de pessoas, de energias, de coisas superfulas e batalhas diárias tantas vezes desnecessárias.
há lugares que nos fazem cruzar oceanos e esquecer que para estar do lado de lá deles, necessitamos de objectos para comunicar, nos fazem esquecer que precisamos deles em dias normais, e nos mostram que normais podiam ser dias diferentes, são limpadores de informações contaminantes, de pessoas que não interessam. 
em lugares assim conseguimos exercitar e praticar o nosso gosto por nós mesmos, e transformar a saudade num ternura fantástica de querer que alguns estivessem ali connosco para partilhar aquele tempo e lugar, esquecendo o resto do mundo, as teclas, o carro, a nossa cama, a sopa da nossa mãe e simplesmente desfrutamos do ficar mais perto de nós... 
estes lugares são memorias vivas que associamos à clareza das nossas imagens, das fotos que trazemos no cartão e na retina, aos sabores que cruzamos e ao amor que fazemos em camas de ninguém , pois de ninguém são estes lugares abertos ao espaço de quem os quiser ocupar... 
a sorte grande que tenho comigo é já ter estado em lugares assim, mais sorte por olhar para alguns deles com os meus olhos e ainda pelos olhos de quem passa comigo por todos, e me  mostra o que não vejo, e vê de mim o que não encontrou... tenho comigo a sorte de grande de algumas vezes no ano, conseguir sair do meu dia-a-dia repleto de eus que tanto quero e de outras tantas rotinas que não venero, para ir, estar, viver e dizer que tenho comigo lugares onde estive mais perto de mim... 

(Bali foi um passar por lá assim ...)

7/10/2013

batido de atum para toda a gente...

era muito, e pequeno, tanto... espalhado pela madeira, no meia de pessoas gordinhas e descontraídas... que procuram vender o peixe, comprar ou levaro que ninguem quisere, e uns euros dos europeus para o arroz...a batata... o pao para a boca de cada dia;
atum, de tamanho que achava que não tinha e na minha incultura piscatoria, me parecia sardinha, carapau, ou outro qualquer... de facto, não lhes encontro diferenças no visual, somente no palato.... dispensando por isso a Sardinha, que não me gosta mesmo nada.
o Sal é como o peixe deitado sobre o pontão, uma calmaria de silencios, atorduados por chegadas de avioes, escursões e senegaleses que querem ser locais para nos vender o que podemos cá comprar nos chineses. outras vezes pelos gritos das crianças mascaradas de sonhos nos intervalos de escolas ao estilo salazarista no seu interior parado no tempo.
uma paz estranha, às vezes revolta pelas ondas do mar e pelo vento intenso e constante, que aqui e ali vai desenhando miragens e imagens numa planicie quase lunar.
o sal é descanso, banhado a tudo incluido que podia ser um pequeno kitchenette, ou uma passagem curta qualquer,é um respirar de tempo quase mais vagoroso, mas muito mais rapido do tempo de havana, e um sentimento de verão na pele salgada e torrada, mesmo em dias com calor que nao sobe aos trinta graus...sal é não ter pressas, nem expecativas, e entrar na onda e não stressar, barile totil chegassem lá, e seriam hinos de quem por lá fica.
uma passagem para descansar, para respirar um pouco de leveza, bebida e por em dia os prazeres desta vida... pequena viagem...
sal foi ir, creio, não sei se voltar, ou pelo menos voltar já... sal pode ser Batido de Atum para toda a gente, que passe por lá :)

7/09/2013

chocámos

o bem existe fruto de uma comunhão construtiva entre duas ou mais existências.
quero dizer que sem duas ou mais alminhas a pensar, dificilmente o bom, o mau, o perfeito, o tu, o eu, o sentir,a ilusão e outras coisas que tal fazem sentido, ou ousariam sequer existir....
feliz que sou, porque em tantas passagens que faço, que vejo, que desejo, estão os outros, respirando lado a lado comigo, deslizando nas imagens que consigo descrever, e nos choques que vou tento com a sua forma de ser... 
sou fruto do conjunto, primeiro do choque dos meus pais, depois do choque dos meus pulmões como o mundo, de mim com os que escolhi, os que não vi e chegaram e todos os outros que não conheço e de forma mais ou menos deliberada ditam as regras de um mundo onde o Eu é algo que serve para dar ênfase à  existência dos outros..
passar por ali e por aqui é muito mais intenso quando inesperadamente e de forma incontornável temos a sorte boa entre as sortes de chocar com eus que se dão com o nosso.... como tu e eu, que chocámos  neste passa por lá que continua....continua....


4/19/2013

os outros , os nossos

não há razoes para o presente, porque normalmente quando pensamos sobre ele, ele já o não é.
vivemos indefinidamente entre o passado e o futuro, e o futuro onde nos lembramos do passado; e ainda no  passado que transforma o futuro com tantas lembranças, pensamentos e coisas.... várias, diferentes, tão nossas, e tão dos outros.
encontrei destes dias, entre mudanças, umas fotos de mim, dos meus, de muitos que ainda são e de outros que só agora sei que nunca o foram, uns cadernos com poemas e textos que já não são no sentido de serem, coisas de e sobre pessoas que pensava não me lembrar mais, sobre um mim que já não é assim. 
este meu passado distante existe, arrumado entre as caixas que abri e fechei, entre armários onde nunca vou, entre estantes que mudam de lugar, existem fechados na lembrança que são. são o melhor que escolhemos viver, que não lembramos todos os dias, mas que quando pelo acaso aparecem junto de nós, nos levam numa viagem dentro do nosso destino para nos recordarem do que já fomos.
ao pensar sobre as coisas descobri que naquele passado mais perto de nós, e ainda no nosso presente estão aqueles que dele já não fazem parte dele... uns por escolha, outros por opção, outros porque não sabemos, ou já não nos querem, ou já não nos lembram. com alguma tristeza recordo a sua existência funesta no mais importante dos meus dias, e desconheço muitas vezes as razões da sua partida.
conforto encontrei nos distantes, presentes muitas vezes no nosso passado, e ainda que longe na presença física são tão nosso futuro, pela presença, pela preocupação e pela existência que se juntam ao que faz parte de nós. Constatei que nos ausentes há aqueles que voltam sempre que a sua vida muda, ou mudam, ou de necessidade, às vezes estamos disponíveis para a sua chegada de braços abertos, outras vezes recusamos a sua entrada. dentro dos ausente estão aqueles que não voltam mais, dos quais nas fotos e nas lembranças conseguimos colocar as memórias e encerrar as suas "estórias"; normalmente felizes e boas, porque a minha mente recorda com mais facilidade o bom, o melhor e o mais feliz. para estes olhamos com ternura e reconhecemos num sorriso, num flash  um dia que passou, uma situação caricata e coisas que sentimos e ousamos fazer sentir, são estes os nossos passados felizes, que nos enchem de orgulho e contrastam na maior parte das vezes com o que somos hoje, por terem feito sentido num tempo que não volta, num contexto distinto e com um nosso eu, que já mudou;
Todos nos ajudam a nos projectarmos no que vamos ser, uns mostram-nos o melhor que podemos ser, e os outros o pior com que nos podemos cruzar.

Todos são um ir, um voltar, e alguns um ir e voltar, alguns destes, os que não vão, e os que  não voltam, são os outros... seguimos com os que querem seguir connosco e com os que escolhemos para as nossas passagens, esses são os chamados nossos....seguimos em frente, passamos por lá, acompanhados pelos nossos, e assim é bem...

1/07/2013

viagens que são sem o ser

o ano começou há tão pouco e sinto-me faminta de passagens, de lugares, novos ou repetidos, de nasceres do mesmo sol em paisagens dispares da da nossa janela...
é como se viajasse perdida nas horas em que almoço, em que durmo, em que espero pelo sono no sofá, viagens que já são sem o serem... e que de uma forma quase inexistente já ocorrem.
enfiar-me em sentido literal de cabeça e de mochila num qualquer caminho que depois de todos os prazeres oferecidos, se permita autorizar-me a simplesmente dizer que num momento, em algumas horas, com malas ou sem elas, passei por lá...