4/28/2012

porque perder não pode ser sempre não ganhar...

"..poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, (talvez com uma dor imensa e profana demais, talvez enorme e sufocante) mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...mas é delicioso que eu saiba e sinta que eu os adoro, embora não declare e os procure sempre" 
Vinicius de Moraes

4/27/2012

amig@s

há dias em que parte de mim, não é minha. sai de mim, e fica com os outros, com os de alguma forma meus. sem perceber muitas vezes a dimensão da sua angustia, por ser de cada um no que a ela própria diz respeito, fico tomada por ela, e sofro, ou choro, ou rio,s alto de êxtase ou abraço alguém. dias assim mostram-me o que já sei, sempre soube, nada sou sem vós. porque sem o tempo que corre na conjugação que vós sois para mim, eu não existo.
uma imagem no espelho é como um eu sem representação, duas imagens no espelho, são o conjunto de uma existência a dobrar, a minha e tua, três são a vossa, tão igual e diferente da nossa.
sou por mim, e mais ainda sou por vós, sem vós, para me reconhecer, passaria eu por lado nenhum, seria eu ninguém...



4/24/2012

hábitos


Não me lembro de trincar as velas do meu aniversário, mas tenho a certeza que não me esqueci de fazer, é um hábito antigo, daqueles que não estando veiculado a mim pelo seu exercício continuo, permanece porque o exerço de forma ritmada; ou seja de ano a ano sem pensar automaticamente pego nas velas do meu bolo… e… mordo; simultaneamente faço em mim o sentido do desejo que vou pedir… ouso concretizar!
Não me recordo do desejo que pedi no meu ultimo aniversário, talvez por isso, não se vá realizar (mentira), claro que o recordo, com a mesma intensidade que me apareceu no momento, não pensado ou planeado, sei de cor o que pedi, com a força de uma mordidela em velas de cera amargas!
Podia escolher falar de outros hábitos, os mais simples que se tornam em hábitos porque sem querer os incorporamos no que somos, e se alguém repara que numa ou noutra situação não o fizermos, saberá que terá sido porque exercitámos a nossa mente para os retirar à nossa pessoa como se um vicio se tratasse.
No dia do meu aniversário para além de morder as velas e desejar que coisas aconteça, serem hábitos meus, e por certo de milhões de outras pessoas diferentes de mim, ainda tenho de vos contar que corto sempre a 1ª fatia do bolo, de baixo para cima; disse-me alguém que o devo fazer para subir na vida, assim o faço, assim o vim fazendo até que se tornou um hábito que repito papagaimente a cada parabéns que ouço cantar desde que haja um bolo e uma faca por perto de um ou uma aniversariante.
Os hábitos podem esquecer-se, podem ainda recuperar-se, se voltam trazem com eles coisas que são tuas, de passado para o presente e futuro condicional, neste caso condicionado pelo que eles próprios são em ti, mesmo que tu não sejas "eles". São forças, tuas obviamente, ou as queres ou as negas, e é assim, já está!
Tenho um hábito parvo que exerço desde que me conheço como gente mais ou menos crescida, ouço musicas no repeat durante dias inteiros, só porque gosto, só porque sei que vou enjoar, só porque me apetece, só porque há musicas que me fazem sentir desejos, que me provocam emoções, catarses e outras coisas estranhas e tão comuns. Agora mesmo passa por aqui um hábito desses!

http://www.youtube.com/watch?v=aq-7UBc3BPk =)

4/17/2012

Surpresas


O sentido das coisas reside em não se esperar por elas … é surpreende a velocidade a que tantas acontecem, e ainda mais à velocidade a que sem querer as esquecemos para dar lugar a outras e outras… e outras….
Depois há a lentidão das coisas, das que passam por nós para que nós passemos por elas, com a simples missão de nos fazerem ver  como as pessoas e mesmo aquelas que nunca foram importantes para nós, nos têm como importantes para elas. Nesses momento sabes, que coisas virão e acontecerão sem que peças, sem que esperes, sem que sonhes…. Essas serão as tuas surpresas,  serão as melhores, que vêm em palavras, em gestos, em folhas de guardanapo, em email, em silêncio, todas em comum trazem a tua direcção...…. Não serão nada se não as partilharem contigo, nem se tu as víveres sozinhas, as coisas só são tuas se as puderes contar aos outros, se as poderes tirar do teu pacote e as distribuíres,  e só nesse momento assumem o seu real sentido.
Um dia sem surpresas vou morrer, e surpreendentemente não será este um momento de surpresa tamanha como foi nascer eu, ou tu, ou outro qualquer; nunca morri, não sei como é, não sei se terei oportunidade de recordar, de sentir ou reviver partes do que passou, mas se fosse possível sei que era nas e das surpresas que gostava de ter na cabeça, durante o acto estóico em que deixamos de ser para os outros, logo depois de negarmos a nós próprios a nossa frágil existência.
As surpresas são como as musicas que ouvimos, arrebatam, arrepiam…. e quando nos lembramos delas sentimos exactamente o mesmo que da primeira vez em que as ouvimos….
São como os sonhos, e o meu, era juntar a minha surpresa  à tua, numa caravana “jeitosinha” e correr mundo fora… passar aqui e ali, já amanhã, com a playlist  a lembrar-me porque é a vida este assombro imenso!