10/25/2016

Manhãs na cidade

Lisboa, borbulha uma confusão no centro! 
Lisboa um caus entre que procura estacionamento, os que multam os estacionados e os que se recolhem num ou outro sítio cosy, albergados do mau tempo e abrigados pela imaginação. 


10/03/2016

um dia...



um dia sonhei casar ao som desta valsinha. 
sonhei demais quando imaginava o zambujo a canta-la para nós. 
mas nunca me desabeirou esse  sonho... meio louco, meio grande, meio caro. (muito caro).

entretanto casei, sem a valsinha, sem o zambujo, mas com outra valsa, escolhida também ela por ser a ideal.

ficou a valsinha e o zambujo, noutro lugar, a tocar, a tocar...

depois o tempo ficou tão diferente, deu umas voltas, trouxe  com elas os mesmos sonhos e mostra-os com um certo sentido, dá-lhes um novo lugar. 

nenhum sonho é demais, nunca. 
um dia... pode ser quando eu quiser... 

até lá posso sempre sonhar. ~~~

até lá posso sempre dizer:
-  um dia, caso-me, ao som desta valsinha e danço muito como uma miúda muito, ainda mais,feliz! 


https://www.youtube.com/watch?v=VEVnbMtzThk

9/22/2016

{ acredita no que está destinado...}


- acredita, o que é teu, está destinado! (repeat mode) 

nos últimos dias ouvi tantas vezes, a palavra destino, tantas vezes junta da palavra teu. 
ouvi tantas vezes, nuances do destino, como destinado... sempre coladas à palavra acreditar. 

nos últimos dias, vi tantas vezes o desespero de pessoas com o coração às vezes mais apertado que o meu a querem fazer-me acreditar num destino que na sua cabeça me consolava de todos os males do meu mundo.

vi algumas vezes, menos que tantas, o olhar de quem acreditava que o meu destino só dependida de mim! (grata por tanto)

acreditar no destino é a certeza que somos o arbitro de jogo, a capacidade de escolha de um caminho, a força de o fazer, mesmo quando seguimos descalços, sem roupa, sozinhos, sobre pedras ou sobre tempestades. aprender que seguir caminhando é sempre desafiante, seja boa ou má a estrada por onde vamos. ´

acreditar no destino é olhar para dentro, descobrir no que somos a pessoa que nunca nos vai deixar, acreditar no seu papel principal, mesmo quando alguns duvidam que seja possível. é arrumar todas as gavetas, guardar o melhor e o pior, aceitar que o destino é uma roda gigante, sempre entre a melhor vista para o horizonte e o mais baixo que se pode cair. 
que fazer com isso?- aprender, crescer. o que se ganha?- elasticidade, limites mais distantes. 
e sem saber como, perceber que de cada vez que achas que não suportas mais, que não consegues, encontras um pouco mais de força, onde nem sabias que ela existia.  (bem dizia a M.)
depois disso, sabes que pode custar, que pode doer, que pode ser quase o pior de tudo, mas que vai passar, num ano, em muitos, num dia... certo é que passa.

aprendes com esse destino, o teu,  que não é bem o mesmo em que todos querem que tu acredites, que podes muito, podes mais, que há coisas de que não se morre, que há lutas que te marcam, mas que aparecem para te mostrar que resistes, se resistes existes, se existes és melhor do que poderias pensar,

acreditar é sem dúvida uma bênção, o destino a fatalidade que muitas vezes cura angustias e mantém a  fé, outras vezes, a força que precisamos para querer fazer dele o que queremos que ele seja...
o que é meu, meu será, a mim vem, a mim virá... não virá porque o destino mo vai querer dar. vem porque caminho todos os dias para que assim seja...


9/05/2016

{ voltar onde fomos felizes...}


a vontade leva-nos a lugares onde fomos felizes.

livres dos medos, despidos de fantasmas. de braços abertos.
a estrada de sempre pode ser a mesma, mas o caminho é outro.
voltar a onde fomos felizes é como uma obrigação de quem descobre que viver é quase sempre isso - voltas!

entre mãos novas e novas mãos, ganhas no corpo a energia quem chega, num toque diferente do que dele até já possas ter tido. e sugas uma energia diferente a cada lugar como se ele mesmo fosse outro lugar qualquer.

sentes o jeito forte de uma mão que já não recordavas, suspiras e aos poucos te vai parecendo familiar. 

mãozinhas de felicidade, aparecem para te mostrar que os mesmo dias nunca, mas mesmo nunca serão iguais. que os lugares às mesmas horas têm magias distintas, que tu és o mundo a viver em destinos que conheces ou paragens novas, onde vais chegar muitas vezes.
toquezinhos que pressionam o que estava bem lá no fundo e empurram aquele suspiro de gozo enlatado algures entre as coisas que começam a deixar de interessar e o que achávamos  que não tinha interesse... e até interessa. 
pressões quentes e ar na nuca que te trazem a vida às costas, sem que precises de olhos para ver seja o que for.
e sem saber como, voltaste a onde foste feliz, mas já estás a pintar o mesmo lugar de coisas que não estavam por lá e nunca estarão lá... até que tu as queiras levar.

nos lugares onde voltas,  crias felicidades novas e memórias mais recentes, vestindo a tua passagem do que quiseres que ela seja, vestindo e despindo a tua roupa entre as mãos que conheces, levas o sorriso que te deixam para mais uma semana em nuances que só agora descobres.

passas outra vez por lugares onde foste feliz, voltas lá, uma vez e outra, nunca mais, e mesmo quando deixas de querer ir, sabes que podes voltar. e nem sequer tens de lá ficar...

voltar onde foste feliz é a magia da vontade que com coragem se concretiza, porque ter uma sem a outra, é o mesmo que não ir a lado nenhum! ***











8/29/2016

caçador de sóis


o mais bonito que já vi...
a correr ou a marcar passo, respirando de uma vez todo o tempo, o que já não tenho, o que vou ter.
braços abertos, entre aventuras sem fim à vista, cabelos soltos, encaracolados em histórias de encantar que não existem mais.
ponho os olhos de soslaio no céu, deito-me no chão e olho para dentro, estou comigo.
inspiro um ar quente, expiro todas as vontades.
não te posso por no meu bolso, não te posso levar nas costas, não há mochila onde caibas,  mas posso seguir todas as tuas dicas....
posso Dar-te a minha pele, deixar as minhas sardas ser protagonistas do meu verão, encontrar na tua luz o brilho até aqui fugido dos meus olhos...
em passos pequenos  posso fugir e continuar a correr para ti, sem certezas de caminhos certos ou necessidade de qualquer mapa,sigo para Este onde nasces.
um só entre tanto céu, todos os céus do mundo para correr em voltas que nunca se esgotam, estações que sempre mudam, ao meio dia a sul, a oeste no final, afinal para onde vais tu, sem sair do mesmo lugar?

Ser o que eu quiser na certeza que estás aí amanhã...ir em busca de ti para qualquer parte, encontrar todos os teus "tus", num momento captar a esperança e partir para o teu próximo nascer.
parar dois minutos num trilho qualquer, esquecer que existe tempo. tocas o meu corpo, não te tocarei nunca com a força do corpo que parte para te caçar, a ti Sol.
com um pouco do que és na mochila ou dentro de mim, depois de ter corrido tanto para ti, enquanto te sei em qualquer céu, para quem te quiser sentir, enquanto te vejo sempre, mesmo aqui, ou de qualquer outra janela.
ficar contigo em tantos lugares, esquecer-me que não sou de nenhum deles, por não importar muito ser de qualquer sitio, por não sermos de lado nenhum, quando seguimos em frente.
busco a tua luz em tantos dias que nascem, quero prender-te em tantas photos na esperança vã de isso ser possível.
sou um caçador de sóis falhado, com a missão impossível de chegar mais perto todos os dias do mesmo sol, vestido de outro dia qualquer.

falharei todas as vezes como caçador de sóis, não serão poucas ou pequenas. serão histórias, de que quem quer caçar o sol e acaba a conhecer o mundo!





8/24/2016

e depois...

prato cheio, fome, frio, calor, dias quentes, outono e inverno, camisolas gigantes para dormir no sofá, meias com aviões, sofá novo, muitas almofadas. 
chá quente num bule antigo, livros por todo lado, lápis de cor e mantas.

um ou outro cabelo branco, rugas nos olhos, a escova de dentes dura, a mala sempre pronta, dia e noite, manhã e tarde. norte, sul, esquerda direita, voo directo,escalas. 

tudo, nada. medo, coragem, força, fraqueza, lágrimas, gargalhadas, pessoas, coisas, cigarros novos, o mesmo fumo. 

e depois... depois é tarde demais sempre. é um estar para vir que nunca é. mesmo antes de chegar deixou de o ser, deixou de importar. o futuro escreve-se no presente do indicativo, com a tinta de cada momento e sem previsões ancestrais, ou mapas de astros. 

o depois é um silêncio que, mesmo antes de o deixar de ser, termina, onde nunca sabemos o que vamos ouvir, mas podemos adivinhar o que vamos dizer. 

o depois é uma morte anunciada dum qualquer agora, um caminho nenhum, sem destino ou chegada, é uma interrogação extensa, que por muito pensada não se pode programar, é um tempo morto entre o que já gastámos e vamos gastar. é um moeda  sem mercado de troca. 

depois, depois não interessa, porque o tempo que está para vir só existe para quem tiver que o viver. nem o tempo o melhor de todos os destinos consegue saber quem vai encontrar, como pode então o Depois importar...

depois é longe, agora é aqui, é aqui que estou! 


(e o depois de agora... o depois de agora  Não interessa)


8/16/2016

{ posso sempre voltar a fumar outro cigarro}



fumo,
translúcido mas enevoado.
invisível, vagueando na ausência,
cheira a pó.
as minhas mãos pequenas guardam o cheiro do fumo...
a sala mudou, a música não parou de tocar, o relógio sossegou de novo.
os ponteiros parados do meu peito giram agora devagar, a janela aberta faz corrente de ar, as minhas costas arrefecem, eu espirro.

já fumei...
nunca soube fumar...
engasgo-me.
tropeço nos meus dedos enroscados no cigarro, deixo o cheiro pintar o ambiente e ficar por ali.
ele vai ficando pequeno e as minhas mãos maiores.
largo a camisola no chão,
deito a cabeça numa montanha de almofadas,
nua, entre o fumo invisível, do cigarro que se acaba, penso:
posso sempre voltar a fumar outro cigarro...




8/05/2016

Da terra e do mar!


Pés em chão preto.

Rochas talhadas pela força do atlântico límpido e frio. 
Vestígios de brilho e sal, em cada contorno, acentuam no ar um cheiro intenso a mar. 
Brilham como se cada raio de sol por ali ficasse. 

Os meus pés quentes, tocam uma terra que afinal é o chão de um mar imenso.

Com os meus pés no chão  vejo o infinito ao fundo, para lá desta ilha um horizonte e tamanhos continentes. Terra para pisar, o mundo a acontecer. Infinito desconhecido mistura-se em nuvens no o tempo que passe e que estará para vir.

A minha pele clara e quente, a minha sola do pé mole e descalça, sente a força que vem do chão de pedra preta a suspirar entre respingo das ondas do mar. 

O meu corpo em busca de todas as brisas tenta soltar os ombros, abrandar toda a pressão das costas e respirar toda a energia que houver por ali... 
Abrir os pulmões ao mar, o corpo ao calor vulcânico da terra ... e não fazer mais nada! 


Photo: AD @Funchal
#passaporlá



6/21/2016

o mundo também és Tu!


Vai por aí encontra o mundo, não deixes que ele te abrace. 
Os seus braços serão sempre pequenos para o gigante que tens dentro de ti. 
Deixa que o mundo se cole na tua pele, e deixa que ela vá, até onde tu fores... os braços são pequenos para todos os sonhos que tens ou possas ter... o mundo também és tu!

Não há braços onde caibas quando há corações de onde não sais! 



Photo : #passaporlá, Cambodja, 2014

6/01/2016

Criança para sempre!


Caminho do lado de quem me diz que tudo é possível e que os maiores impossíveis são os que teimosamente estão dentro de mim...
Tenho a sorte de fazer o caminho perto  de quem me deixa ser eu, de quem não se entristece com a minha alegria, não se aborrece com a minha parvoíce, me aguenta quando sou  chata e se junta a mim na minha gratidão...
Sou uma criança feliz, aprendi que o meu lugar é algures onde puder brincar!
Quero brincar sempre!

O meu sonho é do tamanho do mundo e o mundo gigante é do tamanho da criança que há em mim...


photo: Torres del Pain, 2016

5/31/2016

Crónica #1 Carta que podia escrever um dia

Para ti que um dia farás 20 anos,

Hoje fazes 20 anos. 
Hoje só tenho para ti palavras escritas, saem no papel como se te abraçasse depois de te as dizer. Escritas, tenho certo que te chegam.
Ver-te nascer era um desejo meu que a tua mãe cumpriu na perfeição, ver-te crescer até hoje um desejo antigo de quem sabe que ninguém dura para sempre.
Não imagino como está o mundo hoje, mas garanto-te, onde quer que estejas, no teu mundo encontrarás o meu amor mesmo que não esteja aqui para te dizer.
Artur, o mundo é uma roda gigante, onde às vezes estamos em cima perto de todos os horizontes, outras estamos bem em baixo a ver de lá os lugares onde gostaríamos de estar. Nunca te agarres a nenhum desses lugares como se fossem únicos, porque o apego é dos males da vida, um dos mais difíceis de curar.
Mudamos de um lugar para o outro, de um trabalho para um trabalho melhor, de uma relação para uma relação diferente, daqui para ali e vamos construindo o que somos enquanto caminhamos para o que queremos ser.
No teu caminho vais bater com a cabeça, bater os pés e cair com o corpo todo. Serás o melhor e o pior entre tantos, e serás sempre tu, o menino desta família que te ama, mesmos quando o teu computador desapareceu para estudares, ou estiveste um mês sem sair à noite.
A tua mãe e o teu pai, e até a tua avó ou uma namorada, esta ou outra que tenhas, vão dizer-te muitas vezes o que deves fazer, sobre isso eu não vou dizer nada, ouvirás besteiras que te cheguem e muitas opiniões nunca são boa coisa. 


O que digo e peço, hoje, que completas 20 anos é:nunca deixes que ninguém te diga o que deves sonhar…

O sonho, é a estação e a certeza que podes chegar a qualquer lugar...



#PassaPorLá 
Photo @Myamar 2016

5/24/2016

amigos


Abraçados mundo fora, diferentes e juntos, porque os amigos podem não vestir a mesma roupa mas não tem vergonha de passear com ela. 
Lado a lado como se o tempo fosse um desafio igual que os possa levar toda a vida no mesmo sentido. 
Sabem os crescidos que não, sabe o destino que no caminho há os que desistem de querer abraçar, há os que não querem ser abraçados. 
Sem dúvida o  mundo é melhor quando o partilhamos com quem aceita e respeita a diferença de sermos diferentes e não vai a lado nenhum só porque uma luz se apaga. 
os amigos sabem que é assim! 


photo: #passaporlá CA at Myamar 2016

5/16/2016

Sós não é Sozinhos!





Podemos caminhar sós, seguir caminho com a bagagem nas costas, rumo a qualquer destino.
Desafiar o tempo, enganar o cansaço e passar com as nossas memórias onde não passa mais ninguém. Sentir falta de alguém para falar, para ouvir, para nos ajudar com a mochila ou com a saudade. 
Caminhar rumo a qualquer lado, a a lado nenhum... e podemos fazê-lo na solidão física de sermos só nós a caminhar. 

Mas nenhum caminho difícil é penoso,  quando o nosso coração não segue sozinho!

Photo: AD at  Fitzroy, Patagónia 2016 

#PassaPorLá

5/09/2016

À segunda, para guardar a semana toda #5



- não fazer nada é uma escolha, nem sempre fácil, mas às vezes é a melhor. 

- aprender a não fazer nada é difícil, mas saber quando o aplicar é como andar de bicicleta, uma vez aprendido, fica para o resto da vida. 

- o dom de fazer como tempo uma espera para que outras coisas aconteçam só vem com a idade, o seu entendimento, chega sempre ainda mais tarde. 

- escolher fazer o certo é com a impermanência da existência, nunca sabemos para quem será o melhor. 

- achar e pensar que, são realidades que nos mostram que o mundo pode ser um infinidade de coisas multiplicado por inúmeras opções. 

- nunca saberás tudo, logo não ajas hipocritamente como tal. 

- a tua pode ser diferente de todas as outras, mas a razão do mundo não veio só para ti. 

- o teu coração é único e podes carregar nele todo o amor que quiseres, os que quiseres, o levá-lo vazio, é uma escolha. 

- cuida de ti, tira todos os pelos do teu nariz se eles te fizerem sentir feia. 

- se gostares de todos os teus pelos do nariz deixa-os ficar, porque quem mais tem de gostar és tu.


escolhe o amor e ama caminho a fora, vais ver que a semana melhora!
boa semana 

Photo: Passaporlà, CA at Myamar 2016









5/08/2016

Diferentes, Mulheres

o contexto muda a forma com desafiamos o tempo em que existimos.
agir desafia o alinhamento do tempo que vem a seguir...

estava de viagem, o som do mundo e o peso da mochila junto à maquina fotográfica, e algures em Bali cruzámos os nosso olhar... 

estávamos frente a frente, eu a olhar para ti, tu a olhar para mim, com a certeza de sermos diferentes, mas igualmente mulheres. 

...olhámos-nos as duas com a estranheza de sermos do mundo onde podem caber todas as diferenças!


Photo: CA , Bali 2012

4/30/2016

à volta do mundo !





a estúpida felicidade... 
o mundo é perfeito demais para acharmos que a felicidade têm de ser perfeitamente bela, arranjada, vestida e maquilhada... 
a estúpida felicidade de estar feliz  fica em pedacinhos em photos assim,  e em pedaços gigantes na memória...

patagónia chilena, Torres del Pain , Janeiro 2016 
Photo:  AD, #nofilter 

4/28/2016

Sampa, música para os meus ouvidos #3


o corpo estremece e respira ao ritmo que damos aos nossos ouvidos.

há desejos que passam, como alguns dos meus, por assistir a um concerto, ouvir  um artista de olhos abertos ou fechados e sentir toda a pele num arrepi, e uma felicidade de criança a receber um brinquedo novo. 
ontem a felicidade habitou a minha realidade e deitou-se comigo, embalada pelo ritmo de um concerto desejado e perfeito. 

a vida é feita de pessoas e coisas simples e muito especiais. momentos pequenos que são desejos realizados de forma tão simples, sem pretensões ou demasiadas complicações. 
há 15 anos, uma pessoa especial que ainda hoje tenho por perto, trazia a mim um gosto novo, e o meu ouvido dava ao meu corpo vícios bons, sensações novas, uma balanço perfeito ao ritmo de violão e vozes melódicas. 
descobria o samba, a bossa-nova e um serie de músicos brasileiros que a maior parte dos brasileiros não ouve. 

hoje,  alguns minutos depois do inicio do concerto do Caetano e Gil em Lisboa, Caetano soltou a sua voz que parece toda ela um instrumento, e assim que cantou - alguma coisa acontece... o meu corpo contraiu-se num arrepio, o meu estômago ficou embrulhava enquanto eu cantando acompanhava todo a Sampa, e dei por mim chegada ao verso dos mutantes, lavada em lágrimas. 

diz que a estupidez da felicidade, pode estar na música que dou ao meus ouvidos, no momento em que como se de mindfulness se tratasse nos invade a energia das letras, os compassos do sons e ficamos como que suspensos num tempo tão bom...

ontem risquei uma linha da minha bucklist, 
ao lado de desejos maiores talvez fosse uma linha pequena, mas era uma das coisas que queria fazer e fiz. uma das coisas boas que me invadiu daquele sorriso parvinho, me encheu o corpo de vida, me faez dançar, cantar, rir e me deixou ir dormir com a certeza que os sonhos podem muito bem acontecer. 






4/26/2016

à segunda, para guardar a semana toda #4



- não deixes que os dias maus do teu trabalho, consumam todas as tuas outras emoções.

- viver o trabalho intensamente é uma virtude, deixá-lo às vezes no lugar no trabalho também.

- nunca deixes de dizer amo-te, gosto de ti, tenho saudades tuas, preciso de ti, por vergonha ou medo do ridículo.

- ridículo é  ruminar sozinho na imensidão de coisas que se precisam de dizer, partilhar ou nas ajudas que há para pedir.

- para, pensa, e respira durante 20 segundos, e podes chegar a 20 minutos.

- não vivas a ansiedade dos problemas que achas que podem vir a acontecer. guarda a energia para os vencer quando eles acontecem.

- sonha e pede a ti mesmo que te deixes ir onde os teus sonhos te levem.

-  realizar todos os sonhos é uma impossibilidade provável, tentar realizar todos uma possibilidade legitima.

- quando não souberes o que fazer "ora", em qualquer língua, em qualquer religião, a qualquer Deus, a ti mesmo, ao universo, com palavras, sons, com nexo ou sem nexo.

- saber o que fazer pode estar nas entrelinhas de uns minutos de cabeça livre e nas orações enviadas para o universo.

para, pensa, respira, sonha e ora... que a semana melhora!

#PassaPorLá
Photo:  CA atYangon, Miamar 2016


Contemplar

Há dias que não sei para onde vou, 
outros em que em pensamentos me atropelo. 
Há dias em estou sozinha
sinto que o mundo inteiro pode ser uma merda! 
E depois há o depois,
onde não saber para onde vou é uma aventura, 
onde alguém te mostra que para ser basta ter no caminho quem lá quer estar. 
Depois há os dias onde o sem sentido nenhum
 é a sorte grande de parar algures e poder contemplar...




Photo: CA at Ipamena, 2014

4/18/2016

à segunda, para guardar a semana toda #3

- o melhor remédio para qualquer doença é o mimo. conforto é meio caminho para qualquer cura.

- ser capaz depende só de ti, ninguém vai fazer por ti o que tu queres fazer aconteça.

-  quando te esqueceres do telemóvel em casa, vive como se ele não existisse, não é tão difícil como parece.

- desistir nem sempre é uma fraqueza. reconhecer que não devemos continuar pode ser o nobre abrir  de portas para que outras coisas aconteçam.

- se puderes dar mais dá. porque receber por muito bom que seja nunca te vai completar tanto como dar.

- não esperes de quem não se demora em ti, vontade de te levar. leva contigo aqueles onde gostas de pernoitar.

- não deixes que ninguém conte a tua história melhor do que tua a vives-te. a tua história contada nunca será tão plena como vivida por ti.

- melhor que conhecer o mundo, é veres com os teus olhos o que ele têm de mais perfeito.

- a natureza é feita de silêncios cheios de sons que relaxam a alma. felizes os ouvem e passam por lugares assim mágicos.




#PassaPorlá
Photo: CA, at Halong Bay, Vietnam

4/14/2016

I entrelaçar I




as barreiras que criamos a nós próprios surgem muitas vezes dos nós que damos às nossas coisas. 
misturamos as razões, os medos, os sentimentos, como se fossem linhas de um novel o diferente, e enrolamos tudo num ataque de nervos, de onde resulta na maior parte das vezes uma grande confusão. 
às vezes amarramos as pessoas com essas linhas, outras vezes as lembranças, os momentos e as raiva.  misturamos tudo com se precisássemos de cada coisa pequena e grande para sobreviver, para existir.
não existimos sozinhos, não existimos entrelaçados num emaranhado de linhas que se transforma numa teia onde cai indiscriminadamente tudo.
devíamos ser capazes de entrelaçar o bom reter o bem. os que gostamos e querem gostar de nós, os que se lembram de quem somos, os que nos querem por perto, os que queremos para conviver. devíamos entrelaçar a nós a energia que nos move no caminho, a força a insistência, o bem. deixar soltas todas as pontas para que se vão os que deixam de fazer sentido e apareçam os novos companheiras do destino.
entrelaçar não é fazer força, juntar a nós por viva necessidade este ou aquilo,  entrelaçar é acolher é o abraço, é a saudade, é saber que não estamos sós, nem nos dias em que o mais sombrio dos tempos sai da rua e invade a nossa casa.
entrelaçar é deixar livre tudo quanto tempo, espaço para perder e para ganhar.
entraçar não é dar nós e fazer laços que apertem tanto que para respirar tenhamos de os cortar...
entrelaçar é a magia de viver com muitos, ou quase nenhuns mas estar ligado.
é doer a sensação de ganhar mais linha, e explodir de alegria por ter mais rede...
entrelaçar é chorar por não ser capaz de ficar com alguém para a vida, e agradecer aos bons que passam por ela...
entrelaçar é um caminho grande, onde muitas vezes para chegar a lugares novos, se deixam outros lugares para trás, uns esperam, outros partem para outros caminhos, alguns que se cruzam com os nossos, outros que não...

4/12/2016

Podemos sempre voltar!

Dois pijamas para levar, um robe de inverno, dois rolos de papel higiénico que se amontoam no chão junto ao sofá, arrepios de frio, e olhar pela janela.  Sol antes de uma chuvada... 
A minha cabeça viaja. 
A simplicidade dos dias ganha uma dimensão diferente quando a única coisa que se quer mesmo ter é tempo.  Queremos que ele pare , se demore, e nos deixe estar por ali, a conhecer, fotografar com olhos a diferença, a novidade, o mundo. Encontros com a descoberta, com o desapego de viver com tão pouco e tão pouco chegar para estar feliz.
Andar pelo mundo com uma mochila, o pior dos penteados, roupa amarrotada e muita curiosidade é o meu Ferrari amarelo, é o meu bilhete para uma liberdade que em muito poucas outras situações consigo sentir.
Liberdade onde podemos sempre voltar! 

Sem horas marcadas para encontros com o desconhecido, com culturas e história, sem make up para enfrentar estradas de pó e com muito menos dinheiro que num dia normal em Lisboa, vou passando pelo mundo, aumentando a minha caixa de memórias e o meu plano de riqueza a longo prazo. Uma riqueza simples, sem zeros e vírgulas, com histórias e experiências.

Hoje o sol estava lá fora antes da chuva, há dois meses estava em Bagan, hoje eu estive por aqui com a minha gripe, a passar por lugares onde já fui, onde vou poder sempre voltar, e que  só a falta de memória um dia me poderà levar...

#passaporla
#photo AD at Bagan 




4/11/2016

à segunda, para guardar a semana inteira! #2

- sê como és a semana toda. não queiras ser importante antes de ser quem és. 

- não queiras a perfeição, se só para ti ela for perfeita. 

- quando há dúvidas, não há dúvidas. a resposta está mesmo aí.

- confia na tua intuição,  lembra-te que vem de dentro de ti. se ela não estiver certa, dá-lhe tempo para acertar, treina-a um pouco mais. todos podemos errar, até mesmo ela.

-  sê fiel ao que pensas, ao que queres, mesmo que isso signifique dizer que não. antes de o dizeres não penses no que os outros esperam no que parece bem ou mal. diz que não se for por ti, o mundo não acaba, e põe tudo no devido lugar. 

- se não consegues dizer, escreve. não guardes tudo como se o teu poço não tivesse fim. há coisas que soam melhor quando se juntam as palavras e o silêncio.

- não fiques onde ficam todos, se não for o lugar onde queres estar.

- há lugares onde só podemos chegar, se não tivermos medo de voar. 

- se queres mesmo ir, vai, quando estás contigo, nunca vais sozinho. 

- hidrata o teu corpo e alimenta a tua alma, muita água e boas energias, são meio caminho andado para uma boa semana.

- a felicidade é um músculo que se trabalha, quanto mais se usa mais forte fica, usa a tua!

- se a tua felicidade estiver no ir, Vai... 




Photo: C&A , at Miamar, 2015
#PassaPorLá

4/06/2016

música para os meus ouvidos #2



terminar aquela apresentação, responder a mil emails, ver as horas a passar e a pressão a aumentar. 
Terminar o dia, começar de novo. 
A luz entra pela janela a apresentar a nova primavera... podíamos estar lá fora! 
Podíamos trabalhar numa sala sem luz, fechado algures onde não se visse o sol, o céu. 
Podíamos estar bem pior! Não se está nada mal. 

A sala é despretensiosa, uma ou outra coisa dizem que é aqui que eu trabalho quase todos os dias. 

Um quadro cheio dos meus papeis, livros, a minha agenda, uma máquina de café, muito chá, mil canetas, uma bandeja desarrumada, luz e muita música a tocar sempre...

a minha sala ouve quase todos os dias, (da minha lista Work) :


- James Vicent Mcmorrow - The Cinematic Orchestra - Bon Iver - Feist - Ben Howard- The National- Silva- Patrick Watson- Oh Wonder- The XX- Marisa Monte- Caetano Veloso


#PassaPorLá

3/29/2016

o que andei a ler #1


normal é o amor entre opostos, (mais normal do que pensamos) é raro, mas existe, mesmo quando se dúvida;  habita no escuro por vergonha, muitas vezes é estranho, não se mostra às primeiras, nem em posts do facebook,  mas pode existir entre duas pessoas por vezes distantes, diferentes que de uma forma inexplicável, e num momento ao dia aproximam os seus corações. 

lixada é a visão dos outros, a descrença nos amores improváveis, a análise  fria de que o mundo se move por interesses e não por amor, a ideia de encher o corpo de vida para matar a fome do coração, até que um dia ele se cure.

morremos em vida por falta de amor, fazemos da morte um oficio para ganhar para viver, e vivemos com os que se importam connosco por perto... 

desde a "máquina de fazer espanhoís" que sou fã do valter hugo mãe, passei pela sua "desumanização" que me soube a pouco e encontrei este divertido e bom "apocalipse dos trabalhadores". recomendo. andei a ler durante 3 dias e gostei muito. 

Photo #PassaPorLá


3/28/2016

à segunda, para guardar a semana inteira! #1


- encontra tempo para ti, para ler o que quiseres, para aquela photo, para não fazer nada, para ti...

- desprende-te de algo que não precisas, uma coisa arrumada que não usas, um ideia que te magoa, saudades de quem já não se lembra de ti, um hábito que queres mudar.

- cuida de ti, o teu corpo e da tua alma, de um de cada vez ou dos dois juntos, o resultado será mais energia, vais ver.

- não queiras fazer tudo de uma vez, nem guardes tudo para a última, passo a passo conseguirás fazer o que te propões, uma coisa de cada vez e a lista vai diminuindo. 

- errar e não acertar é como tropeçar em qualquer coisa, tem solução fácil: recomeça, faz de novo, tenta. 

- se (mesmo assim) não conseguires fazer, pede ajuda. vergonha não é não saber, mas saber que não se sabe e não fazer nada para mudar isso. 

- ouve a tua música mesmo que não seja a demais ninguém. 

- viaja um bocadinho todos os dias, mesmo sem sair do lugar, rumo ao destino que mais gostas, ao desejo que queres concretizar, ou vai mesmo  a um lugar onde há muito queres ir. 

- o teu norte está dentro de ti, não te deixes esquecer disso... (às vezes a viagem até ele é um pouco mais longa, mas ele está mesmo dentro de ti) . Passa por ele. 

e se não quiseres ou puderes fazer nada disto, anota, e tenta noutra altura qualquer; e Sorri, que a semana melhora. 

 boa segunda, boa semana! 


#PassaPorLá 







Photo: AD at Perito Moreno, 2016.


3/17/2016

música para os meus Ouvidos .1

cá em casa não gostamos muito da Capicua, apesar de admirarmos a mulher e letrista que é, o seu som foge à normal banda sonora dos nossos dias.

mas este tema tem sido uma passagem constante pelos meus dias e pelos meus ouvidos. culpa do Ride ou não, sinto que existe noite do tema, como se sentisse a  força do absinto, passa por mim a vontade de tragar um tinto e parar o tempo um sono intenso.
mais um copo, mais uma noite e fumo denso. o silêncio é o encaixe perfeito para esta som, que é para os meus ouvidos.

#PassaPorLá

3/16/2016

uma paixão ... Lisboa do coração

descobri por entre a tua luz um lugar meu.
ultrapassei o medo que tinha em jovem de aqui chegar e por aqui ficar.
descobri que sair daqui para outro lugar é sempre melhor quando sei que é para aqui que vou voltar. 

dei sentido ao meu lugar nas tuas ruas, o meu lar anda entre o rio do lado do oriente e o rio mais ao centro. descobri que todos os teus caminhos e todas as tuas ruas, podem ser casas para morar, e sempre me levam a casa onde moramos.
desço a Almirante Reis como se palmilhasse um mundo sempre novo, janto na mouraria como se estivesse a oriente, escondo-me no bairro e procuro comer com os olhos e com a barriga o melhor que tens para dar, o mais escondido, o distante desta ribalta de tantos turistas. 
corro em Belém com a tua luz no rosto, o teu cheiro de rio a fazer-me ofegar. ando a pé por ai, degusto as novidades e os clássicos. fazes parte dos meus dias, do meu caminho, mesmo quando vou de casa para o trabalho.
vezes sem conta te olho da Graça, cheia dela, com um livro, um tinto ou de conversa fora com ele, vemos o sol que esconde na sua missão de te deixar ainda mais brilhante. 
ver-te da ponte, com a cabeça de fora de janela, com os olhos de um lado para o outro é respirar-te, é fazer parte de que és.

a tua luz, que dizer dela, que dizer de ti..
andas algures entre os meus olhos e o meu coração.
apaixonei-me por ti, pelos teus cantos, pelas imagens que colocas na minha retina e no meu pensamento, pelas fotografias que tiro em teu redor, que fazem brotar palavras para as legendar; palavras que são todas poucas para as descrever. 
apaixonei-me por ti, e o meu amor maior vive comigo e contigo todos os dias, vivemos por ai, quando dançamos nas ruas, bebemos e brindamos a coisa nenhuma que não vai para lá do momento. tens a nossa casa Lisboa. tens em ti todas as nossas casas.

viste nascer o meu pai, a minha avó conta vezes sem contas histórias dos jardins e das pessoas que viviam em quartos alugados nas tuas rua outrora grandes, hoje pequenas para todos os que por lá passam. 

a tua luz é magia, o teu rio abre as portas do mundo a quem quer descolar..
apaixonei-me por ti, vivo por aí em ti Lisboa, sou mais feliz porque te tenho para voltar, certa que sempre que a ti regresso há uma viagem a começar...



photo: Hugo Coelho @Miradouro da Graça 

#PassaPorLá



3/07/2016

Paciência!

O tempo, queremos mais, que passe mais devagar... Queremos contemplar os dias, os momentos que as passam na correria das horas. Teimosamente ele não para. 
Mesmo que todos os relógios ficassem sem pilha, corda ou electricidade, ficaria o céu encarregue de nos lembrar do seu passar! 

Este tempo, talvez o tempo destas idades, quando passa, também leva as coisas boas rápido demais, e faz as más intensas e mais dolorosas.

O tempo que passa por nós, ensina-nos a serenar a nossa alma; a energia de querermos sonhar tudo, passa a ser a energia de queremos fazer algo, crescer com os nossos projectos, fazer acontecer coisas nossas.

O tempo, espelho no horizonte, riscado nas estrelas, existe também nas marcas do sol do nosso rosto. O tempo o que fazemos dele e o que ele faz connosco, o que faz de nós, desenha os dias com a nossa história e ela sulca nele os melhores momentos, ou os mais marcantes. 
O tempo que nos levamos a conhecer, a escutar, a querer, a fazer viagens  sem fim, será sempre mais do que encerra, será sempre um caminho novo.

O tempo que nos traz a sabedoria de ser pacientes, de esperar, de esperar fazendo acontecer. O tempo que nos faz sábios e pacientes, com o olhar, com um abraço, com o deixar que ele ponha tudo no lugar. 
O tempo que nos leva por caminhos novos. O tempo sábio que teu deu tamanha paciência para me levares no teu caminho, para me amares nesse caminho. O tempo que trouxe a sábia e tão paciente paciência que tens em aturar-me. O mesmo tempo que me deu a sabia vontade de me deixar aturar...

Olho o mundo mais devagar, peço ao mundo tranquilidade, tento não pensar em nada, ou aprender a ficar perto dessa ausência de borbulhar  na mente, peço para ser melhor, mais paciente...a tua paciência ensinou-me mais de tudo isso. 
Olhar e ver, ouvir mais que dizer, contemplar só...


Paciência é amor... E amor é saber que às vezes tens paciência por nós dois...

Obg 



2/07/2016

muitos dias seguidos

em dias normais o tempo que passamos juntos parece que não existe de tão pouco que nos parece, entre o acordar as seis da manhã, e o deitar à meia noite, o ginásio, o trabalho, as marmitas e o sentar para jantar já mortos, sobram muitas vezes aqueles minutos ao deitar na cama, uns dias mais pequenos que outros, em que trocamos umas palavras, ou só olhamos, o nada, porque alguém se atrasou a lavar os dentes e o outro já caiu num sono profundo...
diz que é a rotina, dizem muitos especialista que ela pode matar o casal, e dizem ainda que quando chegam os filhos tudo piora...
certo que os dias parecem pequenos para o estar juntos que todas as relações precisam para crescer e manter a solidez que as levou a serem relações. 
dias normais, mal dão para discutir, mas mesmo assim ás vezes acontece que rebentam panelas de pressão que mostram todas as tensões dos dias que passam. 

em dias não normais, as coisas são diferentes. férias,fins-de-semana, viagens, tempo a dois, onde se sucedem 24 horas umas às outras, onde muitas vezes somos o único ser falante com quem o outro vai ter um conversa, vai ver ou ouvir. estes dias são muitas vezes uma raridade e outros dias um desafio. 
costumo dizer que as viagens longas são testes, testas à capacidade de improviso, testes a um rotina diferente da rotina, testes á capacidade de estar juntos, de reconhecer defeitos, de conhecer virtudes e capacidades, de ver as coisas de uma outra forma. 
as viagens mostram o acordar e deitar, e ainda  toda a mecânica física e comportamental de um dia, que passa a ser a dois, que passa a ser feito de conversa e silêncios, de parvoíces e situações sérias, de planos imediatos que podem ou não podem acontecer como esperamos.... viagens longas não planeadas aumentam a dificuldade deste desafio e aumentam a capacidade de conhecer o outro, e o funcionamento dos dois na relação. trazem mais momentos de tensão, mais necessidade de decidir rápido o que fazer, como fazer, uma gestão orçamental quase igual à dos dias normais e no final entre as discussões do ir ou não ir, do ter que dormir em camas separadas e partilhar uma casa de banho nada bonita com pessoas que não conheces, transformam-se em  situações que passaram e daí não passam. e quando assim é,  sais mais forte, saem mais fortes do desafio que é passar tanto muitos dias seguidos juntos. 

todas as viagens são complexas, pela dimensão que podem ter, pelo que podiam ser e não foram, pelas opções e pelos caminhos diversos que se podiam ter feito, e como já sabemos nunca serão perfeitas, porque a perfeição é um fim, e as viagens nunca se acabam, mesmo quando chegamos a um suposto destino final, que muitas vezes é simplesmente o recomeço!

seja  qual for a viagem, seja a de escolher viver com alguém o resto da vida, não sabendo bem a dimensão em tempo da vida, ou da vontade de quem escolhe fazer a viagem, seja uma viagem de férias, a surpresa, o inesperado, o bom e mau acontecem, porque é disso que se faz o viver, e é assim que o tempo acontece. aceitar e superar cada um dos acontecimentos de um caminho, guardar o que é bom, seguir com as lembranças que nos tornam pessoa e andar para a frente com a experiência pode fazer a diferença no tempo que está por vir. pode também não ser fácil e automático mas andar com as lembranças do que se viu, experimentou arrumadas é bom e recomenda-se e não precisa de ser nenhum psicólogo a dizê-lo.

muitos dias seguidos juntos, um desafio, uma viagem dentro da viagem, o presenciar de tanta coisa menos boa, do nosso melhor, do nosso sorriso mais feliz, da cedência pela felicidade da escolha do outro, da mega rabugice de sono, do mau feitio da fome, do tirar macacos do nariz para matar o tempo, do estar dois dias sem tomar banho, uma prisão de ventre que nos deixa prostrados na cama, os pés cortados de tanto andar, vestir roupa amarrotada, ter um ninho de cucos no cabelo, acordar com vontade de matar alguém e comer sopa da mãe, não gostar de um sitio onde se está, não querer andar aos saltos num autocarro noturno, escolher em função do futuro, fugir ao zica, ir ao encontro dele, escolher dormir barato para poder alugar carro, lavar a loiça, dormir e cozinhar em hosteis manhosos, acordar com despertador, carregar a mochila quando não temos pernas para nos carregar a nós, e a lista podia continuar...

muitos dias seguidos juntos, um desafio, uma viagem dentro da viagem, o viver tanta coisa boa, acordar e ver sempre alguém ao nosso lado, conhecer lugares fantásticos e viver isso juntos, aprender a caminhar a um ritmo conjunto, aquela massagem na barriga, fazer a nossa comida longe de casa e cheirar a nossa casa, andar num glaciar de mãos dadas, ver o céu mais azul do mundo, ver estrelas cadentes em bagan em cima de uma bicicleta electrica às 5 da manhã, bem agarrados, beber vinho branco de frente para a opera house, perceber a dimensão da patagónia chilena em silêncio, caminhar dez horas seguidas e contemplar a natureza da patagónia argentina, andar de mão dada sem relógio pela cidade e sem pressa de ter onde chegar, cair em mar azul cristalino e transparente juntos e despenteados, chegar ao fim do mundo e ter a sensação que é o começo,  caçar soís a ao nascer e findar do dia, beber malbec como se fosse a melhor casta do mundo, os milhões de beijos que se podem dar em 30 e alguns dias, os abraços, as viagens em que somos a almofada um do outro, ver os carimbos no passaporte,  o pensar no futuro diante do presente fantástico que é conhecer o mundo, recordar outras viagens por comparação, pensar no que fazer a seguir... acordar e adormecer juntos, não ter vontade de voltar já,  e olhar um para o outro e querer continuar a viagem ...

muitos dias seguidos sempre juntos é desafiante, é feito da vida normal com o bom, o mau, elevado ao extremo de ser intenso e nos poder cansar ou fazer bem felizes...
e se ao fim de tantos dias seguidos há vontade de continuar a viagem, é certo que ela seguirá pelo mundo, pela rotina dos dias normais, pelos caminhos que vierem.

foi há quase dois meses, demos mais kms a uma viagem que começamos aos solavancos há mais de  6 anos, há quase um mês e meio saímos pelo mundo, num projecto escolhemos para nós juntos,  desorganizado e meio torto que nos trouxe até aqui, ao momento em que esta viagem na viagem se aproxima da próxima etapa... o que sabemos agora?

o caminho continua, o mundo é gigante,  há mais estrada para percorrer,  e temos muita  vontade de casar outra vez ... :)


Photo:  http://www.goldendaysphoto.com/


1/25/2016

Enquanto houver caminho...

Estrada fora, por  mar, pedras, terra batida,.
Lagos, gelo, ar turbulento, e um dia quem sabe nas profundezas do oceano (que ainda me intimida), irei contigo, estarás comigo... 
Nos passos, nas quedas, nos desafios e provações, nas bolhas dos pés, nas gargalhadas e parvoíces... Adormecendo e acordando juntos, com espaço ou sem espaço entre camas, com água quente ou água fria para o banho, sem planos, ou com planos furados pelo tempo, pelo contratempo, por tudo o que pode falhar!


Enquanto houver caminho para fazer, mundo para descobrir, objectivos e sonhos para alcançar seguimos juntos, na parvoíce, na dificuldade, na estupidez, na companhia e no amor... 
Enquanto houver caminho! 

1/16/2016

Buenos Aires, cidade de 5 sentidos.



Faz calor, muito. Abafado e seco.
Na rua, um espanhol rápido e estranho ouve -se entre o chinelar de mulheres atarefadas e pouco vestidas, que se mistura com o roncar de autocarros velhos mas muito frequentes. 

Onde passam turistas  há tango e  há uma espécie de dança controlada por uma espécie de chulo, cujo objectivo é cobrar pela foto dos bailarinos de tango dançando na calça dos com os turistas.
Os meus olhos observam uma cidade às cores, de ruas altas,  largas e grandes, gigantes avenidas de baixas sem fim, aqui e ali pintalgadas com história de um país inteiro.

O tango para turista ouvir embala o corpo num ritmo quente.
Turismo à parte, o som espalha -se por toda a parte e dá vontade de o aproveitar de parar num lugar, p qualquer, parar o tempo e, de olhos abertos, sentir a música.
Envolvemos nossos corpos num abraço e entre uma cerveja comprada num chinês qualquer soltamos o corpo ao calor e dançamos um pouco.

O paladar recebe sabores fortes de carne que se corta à colher e mal viu a grelha, empanadas de recheios tradicionais e diversos, e claro,  doce de leite, doce de leite de qualquer maneira, em todo o lado e com quase tudo.

Para lá de tantas atracções, museus gratuitos, história, bairros modernos a nascer fora do centro, que trazem locais cheios de estilo para as ruas, para lá de comida de comer e chorar por mais,  o melhor de Buenos Aires é o que se dança, o que se ouve, o que se vê pelas ruas, a vida de toda um cidade fantástica, que se prova a cada esquina e se contempla numa de muitas sombras num parque qualquer sem pressa que o tempo passe!



Photo: Passa por lá, com Iphone 4S