8/24/2016

e depois...

prato cheio, fome, frio, calor, dias quentes, outono e inverno, camisolas gigantes para dormir no sofá, meias com aviões, sofá novo, muitas almofadas. 
chá quente num bule antigo, livros por todo lado, lápis de cor e mantas.

um ou outro cabelo branco, rugas nos olhos, a escova de dentes dura, a mala sempre pronta, dia e noite, manhã e tarde. norte, sul, esquerda direita, voo directo,escalas. 

tudo, nada. medo, coragem, força, fraqueza, lágrimas, gargalhadas, pessoas, coisas, cigarros novos, o mesmo fumo. 

e depois... depois é tarde demais sempre. é um estar para vir que nunca é. mesmo antes de chegar deixou de o ser, deixou de importar. o futuro escreve-se no presente do indicativo, com a tinta de cada momento e sem previsões ancestrais, ou mapas de astros. 

o depois é um silêncio que, mesmo antes de o deixar de ser, termina, onde nunca sabemos o que vamos ouvir, mas podemos adivinhar o que vamos dizer. 

o depois é uma morte anunciada dum qualquer agora, um caminho nenhum, sem destino ou chegada, é uma interrogação extensa, que por muito pensada não se pode programar, é um tempo morto entre o que já gastámos e vamos gastar. é um moeda  sem mercado de troca. 

depois, depois não interessa, porque o tempo que está para vir só existe para quem tiver que o viver. nem o tempo o melhor de todos os destinos consegue saber quem vai encontrar, como pode então o Depois importar...

depois é longe, agora é aqui, é aqui que estou! 


(e o depois de agora... o depois de agora  Não interessa)


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