11/26/2008


Se um olhar te intimida
Loucamente procura-o,
Desfaz num sopro todas as duvidas
E num vendaval, Reconstroi tal olhar...
Se uma vontade te possui
Possui cada pedaço da sua existência,
E com intensidade,
Sem maleficência,
Sem qualquer pudor, agarra-te a ela...

Se um sorriso te entrega
Da-lhe a tua riqueza
Entrega-lhe o teu tesouro,
Sem sopro de volta, e
Somente com bilhete de ida....

Se de novo a poesia te chama,
Diz-lhe ao ouvido,
Que ali estás por inteiro,
Como sempre e no primeiro,
Instante insano,
Em que olhaste, e o teu corpo lhe sorriu...

Se estás agora louca,
Mantém-te assim...
Toca e rasa a loucura do teu ego,
E ainda o mago do teu super-ser,
Que num instante te mostra,
Que o bagaço da tua alma,
Es só tu propria...
Bebe num trago o que se foi, e recorda,
Bebe em dois o que tens aqui...
Espera pela ressaca
De todo o teu eu..
Entrega-te nela com doçura
Brandura e toda a tua quimera...

Se tudo isto acontece,
Se tudo isto é agora,
Acalma o teu fogo, Respira....

Se tudo isto acontece... contempla...
Deixa vir,
Sente...
Se acontece,
É porque é hora de ser..
É hora de soltar o cabelo,
E saltar pela Janela...
Agora é hora...

A minha pequena hora, e perfeito instante de ser assim...

11/03/2008

"A cena do òdio..."

"Hei-de ser a mulher que tu gostes,
hei-de ser Ela sem te dar atenção!
Ah! que eu sinto claramente que nasci
de uma praga de ciumes.
Eu sou a sete pragas sobre o Nilo
e a Alma dos ´Bórgias a penar..."

Jose de Almada Negreiros

Do amor ao odio, um passo só,não!!!!
Palavras, do amor ao odio vai um caminho inteiro, vai uma imensidao, e vai ainda a incerteza de n conseguir...
Tomamos os sonhos, por momentos para os esquecer, olhamos para dentro de nós, para num sopro desistirmos de nos encontrar, porque em nós acabámos por nos perder. Sem razão e de espelhos tapados, com a mão na face em busca de nós, voltamos mais uma vez a assumir o erro. Não existo para ti, sou pedra em mim, como pedra em ti, insisto mesmo em pedra dura, insisto mesmo quando tudo esta revolto, me falta a calma, mesmo quando preciso de um abraço, do teu envolto no meu corpo, mesmo quando este nao tem postura e sofre com dores de tão amachucado. Insisto num abraço que não vem, porque vem devagar consumir-me a sua falta. Sou pedra às cores no teu peito, sou pedra assim, como outra qualquer imperfeita, como tantas outras coisas na natureza. Estou perdida com as cores do oceano, mais as do arco-iris, e todas as outras que não sobrando muito estando para lá delas, sou espiral em mim perdida no reviver constante de um mau momento e de todos os outros que chamo para apagar o primeiro.
Não há sonhos nem flores no jardim que quero para mim, nao há nevoeiro rosa e doce e nuvens de algodão para me adormecer; estava ali tão perdo de um ceu quase meu, a respirar de novo a liberdade de asas soltas no vento, sem amarras de coração, e tudo caiu, caio eu primeiro e depois todas as minhas certezas e metas que queria alcançar. Muda a musica no gira discos, imagino os meus braços vazios envolos no teu peio, os meus olhos ocos à procura dos teus, e dou por mim mais que perdida em mim, perdida outra vez.
A montanha que se aproxima nao é magica, nao e as cores, mas é toda para aos passos tentar ulrapassar, sem previsões de tempo, sem previsões de estado, sei que é para eu subir, para eu me encontrar, para vencer os medos, os pensamenos repetidos que vão entrar na cabeça sem parar de girar chamando o tempo e o acontecimento, repetindo para mim, que não se podem apagar...quero a monanha para subir e para me subir tambem, me desprender, e perceber que sendo pedra em ti, tenho de tirar-te daqui, porque recuso em pedra te transformar....
Se preciso de ti e nao estas, quando não preciso ti nao estas, nunca vens, nunca es, nunca ficas, nunca ouves, nunca te ouço, parece-me invalido e pouco coerente continuar a chamar por ti, ansiando e esperando, por num momento me encostar no teu abraço e sentir tudo mais confortante; se assim é, parece-me tempo de deixar que o tempo te leve com ele, que te mistures no que nao se apagando se atenua, se torna mais distante e cinzento, mais leve e menos importante... falta so descobrir quanos passos me levarao ate esse estado, ate essa força, e essa decisão...se nao sabes ser colo, se nao sabes estar aqui, se nao sabes olhar para mim, nao preciso do teu corpo, nem da tua pena, nem do teu cansaço, porque tudo isso se arranja facilmente neste mundo....

10/19/2008

O pequeno palhaço!!

Ria dos sonhos, apertava-te no peito, como se o amanhã fosse por demais incognita e pudesse nunca existir, sorria pequenino depois de mais um numero, como se tudo tivesse naquele instane ficado reduzido à existência de um nunca mais. Ficava ali assim, para dar tudo, e unico tornar aquele momento, acima de tudo histórico encantado e ousadamente feliz...

Cada canção que cantava era um hino ao harmonico som do amor, qualquer outro sentir parecido com o que remete para tal palavra, era uma caminhada tomada por dois e por todos os instanes perdidos, no momento que dali a nada se resumia ao sonho acabado.

O pequeno palhaço, assim adormecia, encantado na beleza da ingenuidade de dali a nada regressar ao mundo mais real, que mesmo pintado de cada um dos seus sonhos pouco mais seria que as cores do espaço torcido nas suas reais vontades em choque com a politica dos outros, estranhos do mundo, normais nele mesmo, longe do seu modo de ser...

Qual Catarina a grande, rainha de cabelos longos e encaracolados, o pequeno palhaço é de sorrisos de um momento, é para a felecidade do pouco que é ali, agora, e de poder existir na sua mascara logo no ali, naquele agora...


Palhaço, pequeno palhaço, que corre depois feliz, com a mochila nas cosas e 7odas as palavras na sua cabeça, madrugada a den7ro com a pinura burrada, reduz-se no sono a pessoa que e, que se vê, e que se deixa sen7ir...

Pequeno palhaço que chora, pequeno palhaço que ri, mas que está ali, mais palhaça menos palhaçada entre as tropelias e o cansaço, veste o seu fato mais outra vez, multiplica as suas piadas, conforta com amor o espec7ador do cos7ume que nega o seu goso pelo circo, que não perde o seu humor, mas fusiga a ineligencia dos ouros com as vol7as, as bocas e as plavras, que en7ente cada uma sas piadas mais es7ranhas e foge delas pelo mais simples caminho, o do quaotidiano, o do não enendimeno, o das palvras basicas, o do ser assim, cobarde, 7rise, só, repleto de aparencias.... o espectador que nas voltas de mais uma palhaçada triste vai dizendo, estou tão bem aqui, espectador que não leva a serio, que seduz com humor, que foge sem dar tiros, mas que mata tudo o que pode crescer, exento de culpas, pode sorrir, apertar o corpo do palhaço e dizer, aqui tens a tua recompensa, afoga nela a tua fragilidade, mas não retires promessas, nada de dou para alem do agora.

Vou voltar depois, para estar aqui, quando quiser, quando sentir que quero, quando o palhaço se voltar a pintar e vestir, estarás tu pequeno palhaço a minha espera, cer7o e como cer7o sei que vai ser....


Pequeno palhaço pintado de esperança, agora sorri....agora esta por aqui, correndo atras das palavras, correndo atras dos sonhos, na esperança da chegada da hora certa para trocar de fantasia...

Depois do pequeno palhaço, nascerá o pequeno mago....

Pedra filosofal??? Exis7e???....Como tudo neste caminho, não custa nada começar a sua busca!!!



"Todo o humorismo sublime começa com a renúncia de se levar a sério a própria pessoa"....(H.Hesse) toda a busca termina quando se sente que ja não ha mais nada para encontrar, nada mais para esperar, e tudo o que havia na erosão do ciclo das coisas se foi....num roda inacabada que não volta no tempo, não regressa no tempo, porque o seu próprio tempo se foi.


De nariz vermelho, calças largas e sapatões coloridos, o palhaço espera pelo teu humor simples, não por aquele simples que poderia levá-lo a serio, mas sim aquele que num instante lhe fará cair a mascara de uma só vez...Adormece para sempre o palhaço, voltam as asas de uma nova fantasia.... e aí vamos nós outra vez...como se a vida se reduzisse a histórias de era um vez pois nada é para sempre, nem o que começa perfeito no especial do era uma vez....


10/07/2008

hum...dialogo confuso...

- en7ao como es7as?
- bem obrigada!
- lembro-me de 7eres vindo ca sozinha...agora es7as mais alegre, mas con7inuas a mesma... lembro-me da ua gargalhada, e sabes a minha namorada nao gos7a de 7i.
- Hum, lembras, sim agora es7ou mais por ca, nao sei quem e a 7ua namorada, mas 7ambem me lembro de 7i, bebes cafe???
- sim bebo.
- en7ão sao dois.
- gos70 dos eus olhos, mas a minha namorada nao gos7a de 7i.
- 7ambem gos7o dos meus olhos, e nao sei quem e a 7ua namorada.
- es7as mais feliz porque?
- nem sempre 7rises nem sempre alegres, bebe o 7eu cafe, es7a a ficar frio.
-gos7o de 7e ver aqui, mas a minha namorada nao gos7a de i.
- venho mais vezes, nao sei quem e a ua namorada.
- gos7o de falar c7g, mas a minha namorada nao gos7a de 7i.
- nao devias es7ar aqui en7ao... nao sei quem e a ua namorada...
- gos7o do eu jeio, es de ca??
- sou dai, nem de ca nem de la... nao devias es7ar aqui...
- lembro-me sempre da primeira vez aqui, 7u a en7rar e de a minha namorada nao gos7ar de 7i...
- o cafe es7a pago, vou andando, ha nao sei quem e a 7ua namorada...

....7empos depois,
ela passa e diz, ola, ele com a namorada, vira os olhos, baixa a cabeça e nada diz....
7empos depois....

- ola, es7as aqui....
- ola, sim esive sempre aqui...
- sim sempre soube que es7avas aqui... deixei a minha namorada que não gos7ava de 7i...agora ja posso es7ar aqui.

Do lado de fora um carro api7a...
- desculpa e a minha boleia, amanha ja nao vou es7ar aqui, avisa a 7ua namorada que nao gos7a de mi, que ja nao es7ou por ca, a proposio, o 7eu cafe es7a pago....

8/07/2008

19


Sem profundidade e com as cores do arco-íris sopra ainda aqui a brisa que foi ventania "ainda nesta passada manhã"...

Enquanto sopra, roda e permanece e 19 vezes sobe à minha torre negra não estudada. Eu sinto-me bem, sinto-me mesmo bem, tão bem que não deveria sentir-me assim, culpa-me o sopro latente de mim,  este surto do verbo estar. Estar assim... estar aqui, (passar por lá?!)

Sem números e rodeada de contas, solta-se o sopro da musica, onde verde também é branco e tudo é de luz de cores, onde giram as rodas de newton e se dissipam os electrões dos raios ultra-violeta que estiveram ainda agora em mim, que ficam e logo se transformam, e logo começam.

Sopram 19 ventos e muitas vontades, morre um rei, e conquista-se terra num império para colocar noutro, morre a toda a hora uma mosca, um nazi escondido entre uma população de santos, e um neo-nazi ressuscitado de um cântico antigo, escondem-se ladrões de almas entre os buracos da chuva e cantam as aves nos entre-meios do vento. E o teu sorriso, e o meu sorriso, são só isso e assim são. Nada mais precisam de ser, nada mais precisam de mostrar!! 19 ventos soprados, 19 vistas do topo, 19 eus misturados, 19 tus tal qual tu és...Chega e basta este Eu assim, tal como hoje, tal como nunca, também... quase perfeito se está, sinto-me bem...sinto-me assim, como não devia?!

Cais? não sei, se caísses agora, não saberia, não veria, não estaria; tão ofuscada que de mim estou por mim, tão misturada neste sorriso, neste dourado do minha tez, daria conta só de mais um anoitecer e do próximo renascer de mais uma manhã.
Não quero que caias, não quero, mas se caíres prefiro nas cores, num raio de luz, no aperto de um momento, num raio deste sol, saber, sentir...

Eu continuo a soprar na subida à minha torre, continuo a encontrar 19 vezes as cores de mim, translucidas num espelho de 4 faces, 5 pontas e 6 visões diferentes, e alguma brisa da manhã, aquela que já foi vento, e também ventania.
Sinto-me reticente e não renitente como as pontas finas alinhadas numa frase nunca acabada, sinto-me como ainda agora e já depois, sinto-me bem, sinto-me leve, sinto-me renascida entre os sopros, sinto-me como não me deveria sentir, mas sinto...
Que fazer com isso? Não sei, mas não saber faz parte do que sinto!! Sinto-me como o meu sorriso, que hoje, algures no local onde estás, algures no local onde estejas, algures no local onde já estiveste, é para ti....o meu sopro este que newton roda, esse de cores de arco, esse de sentir assim, é de forma egoista,(tão dispar do que quase sempre sou) inteiramente meu, mesmo que esteja só a pensar passar por cá....

19 e roda e hoje estou assim, desculpa se me sinto bem.... desculpa mas hoje não é assim, mas assim:

19 e roda hoje estou assim.... sinto-me bem... estejas onde estiveres o meu sorriso hoje, é para ti!

7/31/2008

23 (....)




O dia e a noite em que descobri que tanta sensualidade e suavidade nada mais eram que a sombra duma imaginação, um pedaço que não se vê, e que sente dificuldades em existir de verdade, passei a sentir-me doce como o emaranhado de hidrogénios que agitados formam teimosamente o sol, solta como o reflexo da lua cheia, quente como todas as pintas do meu rosto...
O dia em que descobri que a incognita do teu pi era um sorriso que nunca foi para ti, abri o meu, atravessou-se no meu rosto de orelha a orelha, pintando de novo o meu jeito unico e mimado misturando-o com o leve tom de verde-água que carrega toda a esperança da humanidade. Dia sideral em si mesmo, fora desta orbita, desta terra, dentro de mim, 23horas, 56 segundos, 4 segundos e 9 centesimos, perfeitos no seu todo, incompletos na sua soma... O dia em que sobra o imperfeito para se transformar na nova manhã.
Nesse dia, contra a lógica das indefenições e os eternos arredondamentos numéricos imisciveis, ficou no ar o cheiro a terra molhada, ficou o ar revolto nos meus caracois e meu respirar de liberdade ... olhei o equinocio desta primavera lá fora, sem mais ninguem o conseguir encontrar...
Um dos 23 deixou de ser um ponto para num sopro serem três, alinhados e seguidos... ou seja, eu de novo, com o jeito do costume, eu ( com as reticências do que sou).
Fosse eu paranoica e continuaria a enunciar a perfeição de cada um dos meus sorrisos, o frescor de cada uma das minhas lagrimas e certamente chegaria sempre a incognita do 23 que todos somos, prefiro ao invés, ser assim de passagem a perfeita harmonia da certeza do que sou agora, e já não sou depois de o escrever, prefiro soltar um gargalhada na descoberta momentanea de ser tão pouco e mesmo assim ser.

7/24/2008

(era uma vez uma brilhante) Montanha Mágica

..."Quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos"(...)

Thomas Mann

7/18/2008

...Hesse...

Nenhum ser nos foi concedido. Correnteza apenas
Somos,fluindo de forma em forma docilmente:
Movidos pela sede do ser atravessamos
O dia, a noite, a gruta e a catedral

Assim sem descanso as enchemos uma a uma
E nenhuma nos é o lar, a ventura, a tormenta,
Ora caminhamos sempre, ora somos sempre o visitante,
A nós não chama o campo, o arado, a nós não cresce o pão

Não sabemos o que de nós quer Deus
Que, barro em suas mãos, connosco brinca,
Barro mudo e moldável que não ri nem chora,
Barro amassado que nunca coze

Ser enfim como a pedra sólido! Durar uma vez!
Eternamente vivo é este o nosso anseio
Que medroso arrepio permanece apesar de eterno
E nunca será o repouso no caminho


Hermann Hesse

(Porque se descobrem almas sábias e pensamentos dos outros repletas de palavras que melhor alinhadas por nós, nada seriam de tão bom, não custa pegar e colocar aqui, saborear e trincar de quando em vez, porque descobrir é o acto eterno de quem não quer deixar de viver, e de quem sabe que mesmo depois de corpo frio, nele jaz a vontade de sempre ficar... não sei se viver é encontrar, mas sei que enquanto houver por descobrir não se pára de procurar...)

7/16/2008

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.

Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.

Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.

Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas
-Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas
-,E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;

Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei

A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,

Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerênciaPor ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e
vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeiraE continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
.....

Álvaro de Campos, 15-1-1928

7/15/2008

Benditos os que não confiam a vida a ninguém....

É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver.
Só o Tédio, que é um afastamento, e a Arte, que é um desdém, douram de uma semelhança de contentamento a nossa.
Fogos-fátuos que a nossa podridão geral, são ao menos luz nas nossas trevas.
Só a infelicidade elementar e o tédio puro das infelicidades contínuas, é heráldico como o são descendentes de heróis longínquos.
Sou um poço de gestos que nem em mim se esboçaram todos, de palavras que nem pensei pondo curvas nos meus lábios, de sonhos que me esqueci de sonhar até ao fim.
Sou ruínas de edifícios que nunca foram mais do que essas ruínas, que alguém se fartou, em meio de construí-las, de pensar em que construía.
Não nos esqueçamos de odiar os que gozam porque gozam, de desprezar os que são alegres, porque não soubemos ser, nós, alegres como eles... Esse sonho falso, esse ódio fraco não é senão o pedestal tosco e sujo da terra em que se finca e sobre o qual, altiva e única, a estátua do nosso Tédio se ergue, escuro vulto cuja face um sorriso impenetrável nimba vagamente de segredo.
Benditos os que não confiam a vida a ninguém.
(diz o mestre, Fernando Pessoa)

7/08/2008

"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."

Sophia de mello Breyner Andresen

7/04/2008

oração do Vulgar dos mortais!!!

"meu DEUS, Dai-me Serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, Coragem para mudar as que posso, e SABEDORIA para distinguir umas das outras."

Friedrich Octinger/Reinhold Niebuhr

6/19/2008

Diálogo de uma "surda-muda"

- Bom dia!
- Costumo acordar assim!
- Hoje estou feliz, cansada, tonta, mas feliz!
- Costumo acordar assim, não sempre, mas costumo...
- Eu não, mas hoje sim...
- Esse sorriso é mesmo teu!?
- Sim este é meu, já não o tinha a muito tempo aqui tão perto...
- O sono foi profundo?
- A noite foi normal e o sono esse como sempre fraco e pouco.
- Os sonhos foram intensos?
- Não me lembro muito deles, mas são como o de costume tortos e baralhados!
- Esse sorriso teu é então da almofada?
- Não é da noite, da cama, ou da almofada. É meu, de mim para mim, não foi a noite que o trouxe, foi a tarde, o dia, foi a descoberta de que afinal há quem desege, queira e goste.
- Do teu sorriso ?
- Das pintas da minha cara, das covas do meu sorriso, dos meus olhos castanhos, do meu jeito, de mim, tal qual como sou, surda - muda para o mundo de quem eu quero.
- Sorris de vaidade??
- Não, de vontade, de descoberta, de liberdade! Quando nos fecham as janelas perdemos as asas, mas só até descobrirmos que há sempre outras portas, as nossas, que outros nunca podem fechar, e que só cegos poderemos enconstar a nós próprios....
- Acordaste então!!
- Parece que sim. e Tu? Já acordaste assim???

6/11/2008

como sou?

Sou como?
Que ando a fazer com os meus passos, e com os abraços das minhas desventuras?
Para onde vou afinal, onde vou parar, se é que vou parar?
Perguntas, questões e se bem sei como sou, ou não, não se encontram respostas e afirmações para nelas encaixarem.
Estou às voltas como sempre, estou de volta a angustia que sou, ao sopro nos olhos que tão velozmente faz a lágrima cair, estou de volta à solidão das insónias e aos pensamentos inseguros.
Nunca me apercebo como se chega a um barco assim ,mas nas voltas que dou, entrou sempre num casco semelhante, sou atraida para embracar, embarco e depois afogo-me.
Afogo-me nas palavras que não digo, nas letras que escrevo, nos sonho que não concreyizo e nas estradas que não percorro. Fico parada no braco que me leva de certo a um destino em tudo igual ao que não sei mudar, e ainda ao que me enfraquece.
Sou como? Agora como sou eu?
Onde ficou todo o orgulho e audicia, onde fico todo o brilho, onde está cada pedaço daquela força que vem, e vem e sempre vinha de um lado qualquer por mais que pequeno que ele fosse. Não descubro bosques encantados nos pantanos que teimo em percorrer, não descubro flores a nascerm nem ar fresco. O calor terrifico de carne seca mistura-se com nevoeio, e eu nele, sou mais um D. sebastião que nunca se acha, sempre se perde mais, para sempre, na eternidade nada serena de um tempo que devia ser meu, e que vivo na angustia de não ser suficiente eu, dentro dele.
Não sei como sou, não agora, não sei o que fazer com o que resta de mim, nas voltas todas, procura não saber, não sentir, e acima de tudo procuro que não doa; a angustia já me traz dor que chegue, e já me mostra como é ser sobremesa num mundo cheio de pratos principais.
Não sei como vou ser, impossivel, improvavel, melhor assim...não sei se volto a voar, não sei se desisto já, ou se continue, prolongada a ser a espera...
Não sei...
Ser como sou, vale a pena?
Se não vale agora, por certo ha-de valer, não quero deixar de acreditar que um dia a minha existência se resuma a uma linha onde se leia, Foi quem nunca valeu a pena....

6/02/2008

Vergonha

A timidez as vezes domina, e sempre fui assim estranhamente dona de uma certa dose, disfarçada entre nervosismo, gargalhadas e sentimentos, um ou outro vermelhão no rosto, mas vergonha???
Nunca tive vergonha de mim, nem naqueles momentos que me levaram ao arrependimento numa brevidade imediatamente a seguir a eles, nem nas piores quedas e fracassos, sempre fui maior, mais forte, mais dura e certa de ser mais que um fraco e pequeno traço partido, vergonha de mim, estranho, mas essa nunca chegou aqui, nunca dominou os meus dias, as horas do meu cansaço e das minhas tantas e indescvritiveis loucuras. Nunca acorbardei o meu erro no jeito de ter vergonha do que nunca me larga, do que não passa e pernanece aqui, ocupando exactamnete o espaço onde estou, eu!!!
Nunca me separei de mim ao ponto de me esconder ou reprimir com vergonha do que sou, nunca... mas hoje dou por mim, paredes meias com uma vergonha, que quase me leva a questionar o que sou, como sou, envergonhando-me de ser.
Ando assim, buscando um encosto, um olhar de fora que me contemple no mundo e não distante dele, alguem que me liberte do espaço cerrado e respire comigo o ar de fora, do lado de lá.
Não toco piano, não falo frances....mas também não carrego verrugas enormes na cara, nem possuo olhos tortos, sou perfeita de ser, ou melhor sou como sou e sendo quero ser também lá fora.
Sinto a vergonha aqui, a vergonha de ser quase nada que me diz que val mais ser tudo para mim mesma que a insignificancia escondida de qualquer outro alguem...ando as voltas a fugir duma vergonha que me sufoca e que quase me faz sentir que é boa, que quase me alenta, nunca me senti assim, incapaz de reagir e mostrar-me mais como sou.
O meu olhar é transparente mesmo quando não falo, mesmo quando não sei, eu sou como sou, no complexo de ser e existir, gosto de estar de rir, de fazer de sentir, gosto que me toquem, me ouçam, me mostrem, me sintam, me digam, que não digam, gosto que partilhem e de partilhar, gosto do sol de o ver só, de o ver com os outros, gosto de ritmo de coisas, de fazer, de construir, nem sempre só eu, nem sempre só nós...Detesto que sintam vergonha de mim, que me fechem, que me escondam, que me façam sentir um resto que espera, um resto que está ali....
Gosto de tudo o resto, do que sei, do que não sei, do que as vezes acho que é, e que dá p se sentir, só não gosto que aqui tão perto, não me achem capaz, me pintem de preto para que ninguem me veja, me escolham e reduzam para uma ou duas funções e nada mais...
Não sou de vidro, também não sou de ferro, antes de ser como sou, sou de sentir como qualquer outra coisa, coloco perto de mim tudo o que é importante, e não sei fazê-lo por dias, horas ou selecções, se está aqui vale o que vale, vale porque é...
Destesto sentir esta vergonga a rondar-me, detesto a insignificancia e a ignorancia, detesto ter medo de ser como sou, de nada ser por ser assim....
Gosto do meu sorriso, da minha gargalhada, do meu jeito, gosto da segurança do meu pai, do apoio da minha mae, do brilho dos olhos dos meus irmãos quando me abraçam e me sentem a chegar, gosto do ombro dos amigos e das palavras deles, gosto de ser para eles assim, gosto de ser a preferida da minhã avó, a escolhida da minha prima mais nova, gosto das covas no meu rosto enquanto me sei rir, gosto do vento na cara e da minha respiração de felicidade, gosto de pular no meu espaço, de dançar no pátio da minha solidão alcançada, gosto de ser livre, e gostava de o ser sempre, mesmo quando deliberadamente me amarrar, gosto de tudo isto, da minha timidez e de tantas coisas, mas detesto essa vergonha que está aqui, essa que sentes de mim, e acabas por me mostrar... Gosto quando me engano e aprendo, quando me ensinam e mostram tanto, gosto de descobrir de levar comigo e de levantar o véu de uma ou duas coisas, gosto de mãos entrelaçadas, gosto de companhia, mas gosto de espaço, nem sempre cem, nem sempre mil...
Sei que não sou assim tão fraca, tão pequena, tão pouco capaz, tão má, para me estar reduzida umas migalhas de pó de uma pequena e insiginficante ampulheta, às restias de um dia, ao som de uma ventania, ao sopro de um momento, ao canto de um quarto, ao pó que se acumula num espaço assim...
Vergonha de mim, porquê? porque passa ela por lá, porque a sinto assim... se no fundo ser como sou até te mostra que podes ser como és?!

5/28/2008

Os turbilhões de forma geral são indomaveis, acrescento ainda muito pouco lineares, carregados de emaranhados, como se de um cabelo aos caracois se tratasse.
As cabeças são estranhas, num mundo de todos iguais e todos diferentes, todas são cabeças e todas pensam por si, para além deste apontamento, a mesma cabeça pensa diferente, muitas coisas, muitas vezes e ainda tudo isto em alguns momentos ao mesmo tempo.
numa velocidade estranha mas rápida, em turbina, muitas coisas acontecem aqui, naqueles que se define como espaço a que me confino, ou alguem, ou ninguem me confinou, por onde passo, portanto, querendo simplificar.
Em poucas palvras se percebe onde está a nascer e a crescer o turbilhão.
Desconfio da minha existencia e do que ela me dá agora, devia acalmar, deitar-me sobre o colo, respirar e aproveitar...sentir por sentir...devagar, sendo eu...
Onde está o colo?
A chuva lá fora cai, não pára de cair, e deito-me com as palvras na almofada, adormeço só, na solidão da chuva, como se de falta de colo, não se tratasse...Mais uma vez sozinha, na solidão confinada do costume, me consolo, me esforço, me exorciso nas culpas e nas tormentas e me renasço, ou tento...
Entre um turbilhão e outro, entre as confusões e as angustias e as saudades, vou crescendo mais, esperando mais, sentindo mais, partindo um pouco...sei lá....e tudo, e sei lá e nada...
Há anos que não sentia falta da minha cama, da solidão da minha casa habitada, daquela que me mostra o silêncio da mãe na cozinha, do pai a chegar do trabalho e dos manos a jogar à bola mesmo em frente, ou fugidos para casa da tia; saudades do cheiro da comida da minha avó, saudades do colo, que não encontro e não tenho.
Grande turbilhão este, está aqui, mas vai passar, tenho o apoio na distancia, sinto o mimo por perto e tenho-me a mim...
Tenho mais e menos e tenho ainda as palavras, a almofada nestachuva e a musica do dia-a-dia, tenho a vontade e o sonho, tenho o poder de construir e turbilhar no meu próprio emaranhado de emoções.... tenho o meu passa por lá, e o meu coração confortado, tenho o colo da minha alma e os meus dedos que sempre me ajudam a escrever.

tenho um turbilhão cá dentro, que mais uma vez vou saber saltar, mesmo sem colo p me abrigar e fonte para carregar-me de forças, tenho o sonho do abraço que quero, a preocupação de quem incondicionalmente me ama e me move...tenho o que sou, turbilhão às vezes, mas não passa, permanece, não passa, porque sou mesmo assim...

Turbilhão?! ...tenho a esperança!!!

5/21/2008

imagem


Ombros destapados e decote acentaudo, dão brilho ao vestido branco que lhe escorrega até ao joelho, traz a ponta do pé descalça, e dança abraçada ao vento numa nuvem qualquer.

De mãos no vestido, vazias de cor, dança, observa as unhas tortas e de longe tão perfeitas e dança, encolhe os ombros e ri, ri muito, solta uma e outra gargalhada que se mistura com a musica que ouve.

Desamarra o cabelo que indisciplinado teima e esvoaçar, ligeiramente sobre os seus braços, ligeiramente sobre si, e ela toca-lhe, toca-lhe e dança, dança vestida de branco, dança com o vento e ri...

Num momento unico e descontrolado sabe que pode ser assim, respira o ar que é naquele instante só seu, respira e concentra-se em si, dança como se ninguem estivesse ali, pede como se ninguem a ouvisse, e ri, ri muito, fala com os olhos às suas gargalhadas e com os ombros ao seu desejo.

O seu corpo mexe descontrolado, o seus lábios espelham todas as suas vontades, mesmo quietos e delicadamente colocados no seu rosto...

Anda louca, dança, louca e ri...

Depois do sol, do frio que o vestido branco lhe irá causar, regressa a si, coloca os olhos outrora iluminados no seu espelho e vê se do jeioto que é, passa um risco negro por cima e por baixo e volta ao decote de algo que não é... despe e veste de novo, e não de branco...

Descança da loucura e controlasse para não rir, para não rir muito, volta a ser inócua de insanidade, fica mais seria, menos serena, deveria dizer, mais a serio. Vai pintar as suas palpebras de cinza, mesmo sabendo que dourado lhe fica melhor, vai pintar os lábios de roxo mate a olhar para um rosa brilhante que realçaria o seu rosto...Afinal é sempre mais facil esconder a fragilidade do que é dançar de noite, no negro de uma pista qualquer e guardar para os dias a solidão perfeita de um vestido branco que brilha no vento e rejubila numa luz fusca de um dia de inverno qualquer.

Doce, não?

Brilhante, nã0?

Fresca, Não?

Tenue, Não?

Perfeita NÂO?

imperfeita....com toda a cereteza
Acre...um pouco acida, por certo,

Fusca..claramente

Quente, talvez

Acentuada.... hehehh


Assim, porque de outra forma, não saberia dançar, de outra forma não é... esconde-se no toque dos ombros, na sua própria dança, nega-se ao brilho, porque se brilhar chegaria a ribalta que destesta...

Enquanto ela dança tantas passam por ali, por todos os lados onde gostaria que a vissem passar, mas prefere assim...

O vento sempre volta a passar, e poderá levar a menina do vestido branco à subtileza de ser uma mulher com coragem de dançar para ti...

5/19/2008

Saudade

Lembro com saudade...

Uma infinidade de coisas e outras mais, como tudo e como muito, o  lembrar é meu, lembrar sou eu...

As tuas palavras essas que  sempre me trazem saudade, sinto muita saudade; tenho suada de de as ver,  não de as ouvir mas de as sentir, de não as entender de me mostrarem mais do que aquilo que são.

Tenho saudades de quando escrevias, nessa altura sabia o que sentias e mesmo pequenina, mesmo reduzida a nada, sabia-te a amar, a gostar a sentir tudo pelo alguém que brilha em ti...
Agora não sei. Onde andam as tuas palavras ? 

Tenho saudade de quando dizias ter saudades de algo meu, ou mesmo de mim... 
De quando falavas e dizias algo, mesmo só para dizer estou aqui, ou pra não acrescentar nada com sentido para lá da tua presença. 
Tenho saudades e penso a quem escreves agora? de quem são as tuas palavras. 


Tenho saudades do teu olhar aquele que contemplava as minhas palavras tenho saudades assim como só eu sei ter, como eu sei que tenho, e do meu jeito..

Tenho saudades de ser para alguém o que és para mim. Saudades de dar tão pouco e tão pouco ter,  e esse pouco chegar, saudades de ser especial e de ser assim para alguém como sou. 

Tenho saudades do uníssono perfeito de um qualquer sentimento comum e saudades de me achar capaz de ser mais e maior para alguém, ser o amor. 

Tenho saudades de gostar de alguém que me goste assim.

Tenho saudades, mas vou sendo feliz.

Embora o meu coração se aperte e por vezes transpareça o meu temor, embora ele se doa por nada ser e por outras vezes ser tudo,  

Entre os lençóis e o conforto a presença e a distancia, os corpos e depois mais o que não sei, para lá do que sinto, estou eu, entregue à  incerteza do que sinto, à certeza da saudade,

E Tu por ai, perdido, na espera que ela venha, a dona das tuas palavras. 


O universo retorna tudo o que lhe damos e há quem diga que retorna em dobro, eu espero metade do mais brilhante que sei sentir, oferecer e embrulhar...sempre em êxodo de mim para o que se torna no meu mundo....
Sei que na minha espera posso encontrar mais força e mais brilho, sei que vou brilhar para alguém, como brilhará um dia um novo alguém para mim... sei como sou, e não me esqueço mesmo quando sofro, mesmo quando doí, mesmo quando me entrego nos teus braços a espera que digas é agora que vou embora, e levas contigo as tuas palavras.
Renascer doí, mas não é impossível, florescer brilha e é sempre possível...

Vá alguém entender-me, vá alguém entender a minha saudade, vá alguém entender-te.

Saudade?!(queres um motivo, eu dou-te dois....tal qual dizem os outros...)

#PassaPorLá

5/13/2008

O meu nome é Laura!

O meu nome é Laura, pode ser Patrícia, Maria, Ana ou outro qualquer... poderia ainda ser tanta coisa, coisas que não é...coisas que nem sequer são..
Sou desajeitada, trôpega e turbulenta, sou de carne e osso, parece-me pelo menos, pois nunca me vi por dentro, nunca me abriram, (que me recorde neste instante e noutros)...
O meu nome é Laura e tenho um vestido verde, que visto para me sentar na soleira da portada da minha janela, tenho um vestido verde que faço brilhar quase como ouro azul, sentada no parapeito da minha pequena janela...
Adoro aquele vestido, adoro a portada da janela e o parapeito que brilha de tanto verde...
Sou a Laura, hoje sou a Laura e pareço louca a repetir quem sou... vejo tudo a cinza, as cores da luz do sol, são prateadas, são pouco mais que cinzentas... olho para o horizonte onde nada está nublado mas tudo está cinzento, vou olhando para lá, voltando e repetindo o gesto simples de olhar...procuro no cinzento ofuscante as coisas que sempre quero.
Sou a Laura, a pequena Laura, a Laura que fica, a Laura que espera, a Laura que ouve, que sorri de alegria em qualquer rasgo de cor que tu pintas aqui...a Laura que te viu longe e não estando longe tu agora, não te vê perto, a Laura que chora, a Laura que tudo destrói por ter tanto medo...A Laura que às vezes não sabe o que fazer ...
A Laura da janela e da soleira da porta e que da porta nunca sai...
A Laura que acha que estás a chegar, a Laura que sabe que não vens... A Laura que nada sabe e pouco é...
A louca menina vestida de verde...e que de verde vai ficar até que o verde que passa rasgue o seu vestido e varra o seu coração...

#PassaPorlá

4/20/2008

desenho de palavras

As minhas palavras são de longe menos desenhadas que as tuas, alinhadas, simetricas, brilhantes e soltas as tuas são assim como que donas de uma beleza imperfeita...

Nas palavras, descubro como são diferentes as tuas, como são assim , desejadas, trilhadas, sentidas, caladas mudas e sincronizadas com este silêncio que me faz queimar num mudo desejo, que sei que descobres, mas esperas para o ver crescer....para veres mais desenhado na spalvras mais uma vez e outra vez...


O meu colo imperfeito aguarda o teu encosto, o peso do teu silencio, para se degustar de assombro calor e saborear o perfeito unissono de um momento vulgar, o meu colo imperfeito adora as tuas palavras, adoro embalá-las e acolhe-las, segurá-las e pautá-las numa melodia incerta que sempre conheces tao bem...

Acolhida num espaço diferente, vejo-me assim estranha como sempre fui, capaz de encontrar indefenições imensas para falar do que sou, para desenhar os traços e linhas do eu de palavras tortas, acolhida no quente do teu braço, no canto do teu olho, na macula do eu gesto, no fundo dos teus dedos, aninhada em ti, perdida no que sou e na chave qem que ainda não toco.

Acolhida no eu que não sei dizer...e sempre baloiçando no silêncio, neste que rejubila no canto dos meu solhos e os faz brilhar, no que não me exausta dizer que é doce e perfeito, e não como eu.... brilho como tu, espelhado de ti, que sempre estranho te encostas no mais estranho de mim, ficas e entranhas, crias raiz e como as folhas procuras a luz que poderá haver dentro de mim...

Poderia fingir muda e calada que nada passa aqui, que este desejo imenso que tantas vezes de tão intenso me afasta de ti, me dá medo e arrepios ao mesmo tempo...nos arrepios e nos medos, vou dançando nas tuas palavras, fazendo desenhos de histórias com elas, carregando a espera, a vontade de não te querer perder, a ansia de escrever sem parar de contar ao ventos estes todos os medos, de não querer fingir que és e continuar fingindo que não é louco o que alimento em mim, o que come este eu por ser para ti...

Afasto-me por instantes e transparente sentes, olhas nos meus olhos e sentes, a minha tez dispersa diz-te, perguntas porque, por onde ando e nada se responde, pois no fundo são os medos, medo que fujas, medo que vaz, medo de sempre esperar entre as tuas brilhantes palavras e os meus tortos pensamentos...
As perdas doem muito, e ás vezes antecipa-las também doí.... por agora nada dói...
O meu desejo recuperdao, ou melhor renascido, nas tuas palavras e nas cinzas de todo um passado, que tal como memso diz de um lá atrás, voltei a ouvir vozes, a sentir arrepios, a respirar a brisa da preocupação, voleti a ver dançar alguem até cair, voltei a saber esperar, voltei a não querer perder... trabalha tudo cá dentro, de uma nova forma, mas trabalha....

Fingir, falar, calar, esconder, não fosse real e transparente talvez...como não sou, vou balbociando nas tuas palavras, encantada com a sua textura, vou ficando aqui, passando notempo, regressando de cada vez que o medo e o desejo me afastam...


Tropega em palavras...como sempre eu...torta, pequena, rude e teimosa, como sempre assim, em mais uma e outra passagem...e como sempre tão pouco e tão pouca para dizer assim....para me desenhar em palavras que ainda não sei dizer!


4/11/2008

Angustia de uma semana que não esta, nem a outra que passou!

A angustia passou....o misto turbilhão de emoções dos dias de uma semana que não esta, nem a outra que passou, mas a outra lá muito de trás, vagaram daqui...
a Angustia passou, foi-se, como olhar em frente agora, que parece facil, também facil foi a sua partida....
Não não foi, sei que não, senti que não.... foi, mas não queria ir, e lutei contra ela, mechendo em mim, buscando tanto esforço no fundo mais fundo deste baú que sempre me mostra as minhas fraquesas, desvirtudes e incapacidades, que me impedem tantas vezes de ser quem eu quero, de chegar ao lugar que escolho, encontrar a imensidão simples do meu destino, que não tem de ser necessáriamente angustainate....mas não o sendo sempre volta e meia passa por sê-lo.
Antes e lá atrás quando o tempo curto se mistura nas imensidões de tanto e de nada, fico arrumada numa nagustia passada, teimosa e forte, recuperavel, inegualavel, comcomitante que sabe de cor e de vendas no olhar o caminho até cá.
Nunca passa de vez, fervilha numa turbina junto com a minha insónia., apimenta os pratos de que me alimento, condimenta um espaço que nem sempre vejo, de qualquer forma e entre tantas palavras, diversas e dubias, ela foi-se...a angustia de um semana que não esta, saiu assim de forma nenhuma que se possa explicar para um destino nenhum de encontrar, sei lá mais o que dizer dela...talvez que não passe aqui de novo, que não regresse por mais nenhuma vez....
pasas e não passa nas voltas que passam por aqui, volta e não volta a angustia talvez doa, talvez se misture de forma estranha e dissipe no vapor condensado das nuvens.
O então não ....e talvez diferente... e talvez assim....e talvez nada....
Foi-se, ponto final... não espero que volte, não quero que volte, mas se o fizer, olhem se verá depois, não agora!

4/04/2008

Ironia

.... "Tu, estás de Passagem" ....

...Quantas vezes vais ser tu capaz de fazer sair quem por engano entrou ?!...
1:
Abra a tua porta,

Não tenhas medo...

Sorriso no rosto...Alguem te quer falar...

Tens o Mundo à espera para entrar
Deixa o mundo girar...para o lado que quer, não o podes parar, não tens nada a perder...
Tu estás de passagem...

Reflexos... ouve essa voz... é a tua voz...

... Não tenhas medo....Tu estas de passagem...
Vai a onde queres, sê quem tu quiseres...

(aos outros que sabem que de cada vez que se acorda, nunca mais se acorda assim, e que me lembram que viver é nada mais que passar de um estado para o outro... agradeço por terem dito tantas vezes o que agora copio, adapato, reescrevo... com uma nova melodia, a do meu caminhar....)

2.
Chegas-te..., passos apertados...olhos embragados, .... pedis-te que te tocasse a alma... olhando para os meus...

Apertei-te contra o peito....

A noite, como (minha) companhia.... Até mesmo indiferente a quem és de verdade!!

Esquece o Teu Mundo Lá fora... é Hora de ir Dançar....
Esta noite, dança só para mim... que és dança não tenha fim....
São assas que me dás, e me levam Alto, Para Longe.....

ATÉ de Mim!!!
Estou de passagem...

De uma forma ou de outra "passa por lá" é mesmo isso..... passar assim, com a voz dos outros, as palavras de todos e o sentido de mim...para mim...para fora, para e por dentro e para o Mundo....
Enquanto tudo isso... DANÇA....

3/26/2008

A descoberta de saber voar, mostra-me a clarividência da descoberta de eu assim.. mostra-me a importância de saber esperar, de saber viver agora, de saber parar, para não pensar de mais...e depois, e depois subir mais um pouco, respirar mais fundo... sentir ali...
Leve como quem passa pelo horizonte e o comtempla, calma porque afinal não comtemplo nem peço por angustia, ela nao veio, pelo menos não agora, quente porque sei sê-lo, fresca porque consigo respirar em mim, doce, porque te vejo passar, e eu, porque também já fui assim lá atrás, porque deixei de o ser, e porque regressei aqui, leve, porque leve vale a pena, porque leve posso ser como sou, porque a passar por lá posso encontrar-me contigo, posso ter-te comigo e posso sempre estar mais um pouco em mim! E tudo porque posso voltar a ser assim...
Voo leve, porque leve sei, que doi menos, porque leve as asas não pesam...porque sou eu, leve...

3/20/2008

...

Arde
aquece e queima,
chegou antes do tempo
Não fora pedido,
Era esperado...

Doce,
Ainda assim,
O que levas contigo
Não me deixa no vazio
Continua em mim
Permanece....

Crespo
Não devias voltar atrás
Ou quem saber terias,
Quem sabe se queres,
Se queres foi assim...
E deixa de o ser ...

Leve
Silêncio nosso em mim
Em ti não sei,
Aconchega e renova
E silêncio é....

Sonho,
Não quero adormecer,
Acordar será doer ,
Sonhar é assim
e o sonho és tu....

Sentir
mais que nunca,
Diferente de sempre,
com toda a força,
tudo isso
Sentir contigo....

Mulher
que descubro assim..
que construo de novo,
que renovo e reconheço
como??
no calor do teu aconchego...

Ficas
Estás, logo vais
Partes, quando?
sempre, agora,amanhã?
se voltas?
Sabes tu? eu não sei?

Aqui,
permanece como sempre
espero que passes
passo contigo
uma e outra vez...
Aqui é lá,
Para o eu que te aguarda....


Arde, doce e crespo o leve sonho de me sentir mulher quando ficas aqui!!

3/18/2008

sem dormir

Sobressaltos, espalho nos lençóis embora vazios, angustias que não sei explicar.
Tomada por um formigueiro febril que não larga os músculos do meu corpo, canso-me em voltas que não terminam, e tento dominar o sono que não chega com forças que não tenho, pouco sono que me rodeia, sem me deixar dirigir para o mundo dos meus devaneios pequeninos.
Sinto-me em pânico, o ar não chega aos pulmões, tenho em mim a leve sensação claustrofóbica, fico aterrorizada com medo de cair num fosso que de não anseio chegada.
Insónia, ou então não sei, sinto as horas a passar, rectificada na minha cama, sem movimentos viáveis e só voltas desconectadas e soltas de mim, desprovidas de real vontade e acolhidas numa noite estranha.
Num acto só, levanto-me abro a janela, sinto uma leva brisa estranhamente quente, e arrepio-me, sinto vontade de me aconchegar entre o macio do lençol, e mesmo  assim o sono não chega . Nas voltas que recomeçam já deitada uma outra vez, olho o tecto e ouço todos os sons da noite, estranhamente não consigo pensar em nada, estou oca e vazia, e sem sono...Insónias que me consomem e me tiram as forças noite fora e dia a dentro...
Não espero mais, só dormir, mesmo que saiba que sem ar vou andar perdida, entre as questões e dúvidas do costume, ando e não passo dali, o sono é assim estranho, como estranha esta vontade que tenho em dormir de tanta  dificuldade que carrego em operacionalizá-la.
Cada noite destas é uma batalha, umas vezes longa espiralizada e lânguida como muito do que partilho por aí comigo mesma. Perdida na insónia como sempre dissimulada em tempo nenhum, pois o tempo nestas noites não ousa aparecer para passar, ou melhor, cansa por não passar dali, daquele sofrimento e falta de solução. Não dormir, não dormir consome, não dormir destrói e não renova, abre o fosso e torna-o maior, o fosso que separa a noite do dia, o escuro da luz... e eu ali, passando e repassando nada mais  sou que vitima do formigueiro muscular, da inercia mental que teimosa não quer deixar-me dormir...passo a noite assim acordada, vitima de mim...

#PassaporLá

Lustro

Lustro e névoa, assombro e desespero...ou noutras vezes nada de todas as coisas pensadas, ditas, faladas, vagas, escritas...Eu e o eternos adjectivos que tudo escondem!!
Deixei de fugir, parei rumo ao encontro do que surgir, flutuo na água de nada, mas ainda assim flutuo. Flutuarei agora, e depois? depois tiras a tampa e a água se vai, caio assim de chapa, parto talvez pelo meio, talvez em pedaços, talvez sem arranjo!!
Veem e voltam as horas, veem e voltam os trapos que as envolvem, os segredos e as gargalhadas mudas, tão nossas. Veem e voam as coisas e nós ali, no alheio.
Eu pequema, mais pequena que nunca sou no destoado do mundo maior, pelos, por e nos instantes que roubas ao teu mundo. Ainda assim suspiro, milhares de vezes em milhares de espaços de tempo que cruzam os ultimos dias, ainda assim engrandeço um pouco mais, saio do chão habitual e vejo mais além, mais um pouco, com mais cor, naquele pedaço de tempo assim...Penso que não mereço, penso que sou tao pouco, penso que és demais, e mesmo assim fico assim...capaz de ficar, com vontade de ficar, presa no olhar...
Pedaço de tempo assim...assim de sal, assim sem espaço, assim sem repetição, assim de rever por mim algures no futuro próximo que se aproxima com passos mais largos que os largos habituais.
E os lustros que acendem e apagam, sempre se vão, partem, avariam, estilhaçam e me mostram que as minhas mãos são pouco delicadas para tomá-los entre elas, merecem velas que acendem e apagam com o sopro efegante da minha respiração descontroloda e pouco comedida, e mesmo essas com reticência, pois devem ser simples e rudes, para que não as fine, corroa e destrua com o meu dom natural de não ser brilhante, fina e luzente com o cristal, como as estrelas, mais a força que habita nelas.
Lustro para mim? não, eu não sou de luz, nem para a luz!!
Lustro e nevoeiro intenso, ele chega e debruça-se junto a nós, envolve-nos, leva o frio, volta a trazê-lo, quando o trás recorda-me sempre da minha pequenez, e faz-me sentir ainda mais teu calor, mostrando-me que depois se vai, e depois faz falta para abrigar do frio que continua e não passa.
Lustro de medo que nao tenho, ou terei? lustro de pano de seda que não sinto...afinal minha pele não merece seda, não merece escorregar e ficar ali envolvida nela. O meu caminho é quase algodão...só quase, porque o puro não mereço, para ele não chego...
Lustro de mim, nele vaguei-o, não penetro, suporto e não entro...
Lustro sem palavras mais porque tudo fica dito e carregado a negrito, no silêncio que nos acompanha, silêncio esse que é a calma deste meu mundo pequeno,onde mais pequena eu sou, que é de tudo e de todos, o lustro que mais sinto falta e entre tudo o que melhor me completa. Silencio em que me descubro em que me vejo longe de ver-me e em que me dou...silencio que pendurava no lustro por eternos momentos, silêncio que sem querer me mostra que há companhia na solidão e palavras na imensidao das moleculas do ar que nao vemos e respiramos.
Lustro de silêncio, que amarrava aqui, agora...até me embalar e adormecer...Silêncio que me mostra o melhor do mais pequeno que há em mim...que é simplesmente o prazer e recompensa de num instante, mesmo que breve, ainda que pequeno, poder estar assim, ali...

pequeno apontamento

...Nem uma pessoa tão estranha como tu, com toda a vontade imaginada, quebrará as amarras que estão em ti, se tu mesmo não as quiseres quebrar, pois só a tua vontade te mostrará de novo o quão simples é alguém estranho como tu, que na subtileza de ser como é, pode ainda ser também para ti!!

3/10/2008

Eternamente

Nada dura para sempre, nem para os teimosos que julgam que o sofrimento é constante, ou que a alegria é eterna, nada é pelo, por e para o infinito, nada é nada toda uma vida, nem tudo é sempre tudo para o tempo mais curto da existência humana.
muitas vezes poderá ser pouco, não sempre mas muitas vezes, quase nuca poderá ser sempre, não sempre mas quase nunca...
A eternidade nunca compensa, as palavras não se prelongam como imaginamos e os momentos fogem mesmo quando os agarramos com todas as forças, ou com toda a força nos agarramos há existência do que já foram, eram, são...
Os perfeitos mais errados de sempre, são talvez os pontos que três a três se juntam para nos dar a ideia continua de prelongamento rumo ao horizonte, que tal qual a eternidade não passam de miragens, seja lá elas o que o seu siginificadio dúbio queira que elas sejam.
Até os verbos mais ou menos complexos na sua forma, directso na acção a descrever se trocam e tropeçam no tempos, no qu eé agora, no que foi ainda agora, lá atrás, quase lá trás e mais ou menos lá à frente...
Nada vezes nada será sempre nada, bem como a somo de duas coisas enexistentes, nada é perfeito, mas nada não existe, nada não ode ser para sempre, porque simplesmente nada não pode ser!! Jamias será, nunca o foi!! Assim se tropeça no tempo a pensar. assim se acredita que tudo poderá durar, por certo até ao fim...Fim que depois de nada pode ser já ali, ainda agora ou lá atrás no momento em que eu o pensei escrever.
Depois no eterno risco de achar e sentir para sempre cozem-se linhas tortas, pois direitas de ,mais partem com o sol, descoloram com a chuva e voam com as tempestades de vento e granizo... estará tudo dito ao contrário?
Não!! Claro que não, afinal nada é para sempre certo!! Nada por nada será um avida toda...será que somos para sempre, será que de semenet voltamos a semente e assim sempre eternos...será que acreditamso no que no semeia, ou vicvemos porque afinal no slaimentamos em tudo e de tudo para io nosso sempre?
Não sei, jamais saberei...sempre e sempre enerva, sempre e sempre destrói, sempre e sempre possui, corroi..sempre e sempre não há, não dá, não serve...sempre e sempre devora, dfrena as veias do nosso corpo e não as trás de volta.
Até os teimosos o deixam de ser, até a dor passa, até o amargo gosto do fel muda no paladar... e assim é, por muito que se diga que é mais forte, que será para sempre.
Eascreves histórias sem fim? Contas segredos sem inicio, consegues ver para dentro de ti, sabes o que aconteceu atrás do tempo da tu aexistência e da existência dos teus...sabes porque não dormis-te há 20 anos atrás naquela noite de verão, lembras-te da cor da tua roupa, do cheiro da tua mãe a aconchegar-te?!!!
As memórias acabam por nos deixar, por mim vontade que tenhamos de estar eternamnete com elas, os sonhos repetem-se mas não para sempre, as vontades renovam-se dia ap
os dia de formas diferentes, para que eternamente não fiquem perdidas....
E eu? E tu? E nós?! Mais o eles e o vós...
Vamos sendo, vivendo, caminhando e fazendo tudo e tudo que acaba, que não volta, que não predura, vamos vivendo eternamente horas, minutos, segundos e dias...esperando somente pelos próximos, os que vão chegar, os que estã para vir...e o mais eterno de tudo é que esperamos sem saber porque...mas sabemos que vamos esperar...Gostamos da espera, do eterno nada que há dentro dela...
Assim vamos passando por lá...conscientes de que estamos ali parados e é sempre tudo que passa por nós....

2/28/2008

sei lá....e depois, depois não sei...

Sei lá porquê, até me parece vulgar e  banal resposta comum entre tantas outras de significado igual e possível.
Entre descobertas remanescentes de momentos vividos outras horas, não sei se por sei lá ser, te encontrei ou reencontrei, não sei bem...
Hoje, no meio, mais meio desta semana, crescida entre dias que trepidam e saltam, dei por mim assim, mais ou menos pensativa como de costume, entupida de lembranças que me reportam a um tu e a um eu, semelhantes e diferentes deste agora, de ontem, de sempre. Estive hoje em amena conversa com a suadade que senti de ti na segunda feira, com o teu cheiro entranhado de domingo, com a vontade de te ver na terça, e comigo hoje... com este meu eu que me reduz ao nada que sempre fui...
Andei a vagear no passado de lá para cá, no olhar que não conhecia e no espelho que se transformou, Andei....perdida nos beijos, talvez tanto nos primeiros como nos ultimos, perdida ainda nas palavras inigmáticas, nos tragos de ideias novas, no fascinio de entender tanto, sem saber nada, vageei no abraço, na chegada e no quente familiar que sei sentir. Andei por perto de passar pela falta de tudo, tudo o que sei porque já tive, tudo o que sei que não tive e que sinto que não vou ter, e no tudo, no qual, não quero pensar agora...nem agora, nem amanhã, nem depois, nem quando for mais tarde...
sei lá...
Sei lá...
Não sei...
E depois, depois não quero saber...
Descubro que sou pouco, muito pouco num universo onde tudo tem de ser brilhante, doce, sucolento e especial. Sou um risco numa folha pautada, sou uma linha banal, sem cor para ser distinta e assim sou assim, continuo assim, assim me desfaço e renasco, sem passar daí...
Sei lá porque...parece que a resposta é obvio, parace somente como qualquer resposta, parece portanto e só, e só portanto da mesma forma como troco as palavras...Os riscos e as silabas dificeis de traçar e dizer acabam por não me deixar crescer em tom, cor e espessura...
Não sei combater com soís, não sei ultrapassar estrelas, não sei derrubar os sonhos, não sou capaz de subir montanhas sem apoio...
Sei lá enfim..
E depois, depois não sei ...não sei...
Acabo reduzida, acabo como sou... limitada num espaço meu que me mostra a fragilidade de toda a minha incapacidade de chegar para ti ...
Angustiada, feliz, eu, espelhando o que há aqui por dentro sem medo que vejas, sem medo que nada possa ser para ti, sem medo de ser sei lá!!
E porquê?
Porque as espirais são faceis de copiar, faceis de decalcar, são faceis de observar...
Assim só! E chega...simples, básica, para ti...e depois...depois não sei...
Continuo agora assim, continuo eu, e de resto, sei lá...não sei...e depois, depois não sei...e depois também não...
Continuo... enquanto tu passas por lá...
Chega assim o dia em que regresso lá atrás, em que notas e moedas, sei lá, me voltam a reduzir angustiada a uma conta de substrair onde volto a ficar à espera, onde volto a não ser nada, onde me reencontro com a minha solidão de ser só eu...encontro o habitual silêncio...na descoberta renovada de me voltar a lembrar que não sou para ti...

2/25/2008

voltas

Ando as voltas com as palavras, como ando as voltas com o mais o mais soturno que passa em mim...
Leio, releio, procuro encontrar em todas as voltas das palavras que cruzam a minha retina as respostas que me tardam, que me esvaziam, que me corroem, que me deslizam nas mãos e nos dedos e me percorrem o eu!!
Ando volta e meia atrás, quatro passos a frente, 3 tempos idos esperando enfim a solidão que já tenho e que vou continuar a ter no fim!
Voltas pequenas, bem sei, voltas minhas, que me deixam às vezes ainda mais só, sem colo, sem ombros, sem peito, sem cheiro, sem ti.
Depois reflito nas voltas, reflito nos tempos, reflito e adormeço agarrada aos dias do nada, aos dias de sempre, reflito e retiro de lá o que nunca muda, o espelho do muro que criei, do mundo que aceitei e que no fundo quero que todos acreditem que é...
Ando as voltas comigo com o que sou, como o que mostro, como o que sei que se for é bem melhor para mim, nas voltas, quando quero ser eu, já ninguem vê, acredita, descobre ou encontra.
Perdida no chá, como de louca perdida no tempo, como louca em mim, de mim e depois...
Depois sei lá, depois talvez, depois enfim... enfim como sempre digo, enfim como sempre acaba, enfim como sempre vai ser...
Tempo a mais, tempo a menos, vai ser, quer eu queira, quer eu não queira...vai ser... contra todas as leis da vontade minha, contra toda a loucura, chá e palavras...Contra todas as voltas que dê, vais passar ali, longe....e eu continuarei olhando o vago, o peito, aos mãos...o que ficou assim, enfim em mim...sem fugir, sem passar...ou melhor a sombra que ficou, depois de enfim...de volta, nas voltas, a partida que sempre passa aqui, que sempre sai de mim e me vai mostrar que afinal será semre assim...mesmo que seja serio, nas voltas seja diferente, e seja o que quero para mim!

2/18/2008

talvez!

A mim, apraz-me dizer, guardar a sensualidade e suavidade num frasco de areia é conservar uma ilusão, e deixar de ser parte do mundo para ser parte do desejo de alguém..egoista talvez, mas profundo...transparente e talvez por isso..e talvez por isso...talvez....

Assim mesmo, talvez...de olhos suspensos e surpresos a dizer tudo sem medo, sem mais reticências e sem pontos finais!! Ali assim, talvez... talvez eu, talvez relusente, talvez espelho, talvez mais e menos, talvez um menos outro somado a dar nada!
Ilusão do momento quente e delirante e temporalmente perfeito, luz de qualquer sombra guardada até então, mesmo que resguardada regresse...enfim luz....
Desejo real... engarrafado em corpos e não em vidro, enebriante de gosto e não de pensamento, delirante de olfacto e não de cheiro a mar longuiquo...
Sensualidade não a relatada, mas a minha....tempo, não o do mundo, o nosso.. transparente eu ali... suave talvez mais que sempre, talvez como nunca....

Olha, vê... talvez por nada de tudo isto, talvez seja assim... a resposta é tao simples...não preciso de dizer porquê, pois afinal só temos de justificar as coisas para nos convencermos delas... e eu sei saber porquê sei que é assim...

e por isso talvez.... talvez nada, talvez nunca... talvez saiba que nunca mesmo e nao queira saber...
mas tambem, e por isso talvez eu espere sempre, de todas as vezes para passar por lá!

1/29/2008

Mudando de estação

Andas a fugir devegar...
Tens medo de mim...tens medo de ti, medo de quem tem te alterna os passos te faz lembrar e recordar o passado mais recente e te baralha trocadamente as ideias, metáforas e notas de um qualquer caminhoi confuso por si só, torto e desfigurado.
Andas a dar as cartas erradas, a fugir sem sentido ou melhor certo do sentido que corre, mas com medo de não conseguir correr mais.
Tiraste uma a uma as pétalas daquela flor, olhaste o estame e pensaste que era para ti, e que estava ali para ti, subitamente sem vento, sem chuva nem pó de restia seja lá do que for, trocaste a direcção do teu olhar e até agora não foste capaz de ver diferente, de reolhar o estame de o quer para ti, desejando assim, só e somente pegar-lhe... encurralá-lo em ti com a força que tens fingido não sentir...
Tentar arrumar portas partidas não traz flores a um sala vazia, não traz cor a um caminho pautado simultanemamente por escolhas novas e antigas, não traz nada de nada se não uma grande dor perto da fronte direita de qualquer parte externa da massa encefálica humana....
Enfim, tens medo, do som, do calor, do vermelho, do azul e do roxo... vais olhando o lilás descolorado, porque te dá com certeza a mesma música, o mesmo mais do mesmo, o mesmo sopro e a mesma brisa nem quente nem fria, a do costume....
E gelar??? tens medo...mas não doi, arrepia....
E aquecer??? Tens medo....mas não queima.... Inebria....
E suspirar? Tens medo....mas não enbaraça....exorcisa a alma...
E dar um pouco? Tens medo....mas não é para sempre....às vezes só vicia....
Enquanto a musica da manhã passa na radio, passas por aqui pelo meu dia, não porque queres, não porque pedis-te, não porque o saibas, talvez porque te cante, talvez porque te sorria, talvez porque ainda sou dona da minha vontade, porque posso ouvir esta musica em vez de outra qualquer.... Enquanto passas, não passas e perdes o medo....eu vou passando o tempo e mudando de estação...certa que lá longe....talvez venhas....talvez passes por lá!!

1/14/2008

(cheira-me)

Loucos os cheiros mágicos de um inverno "outonado", parente pobre de uma primavera curiosa que todos aguardam...
Sopram ventos, mudam-se os cheiros do tempo e dos segundos que correm...dos que não passam e dos que são tocados na caixa em vão!!
Trocamos os passos, e nos trocados sapatos, tu voltas e vais, e entras e sais, e passas e voltas a passar, eu te nego, eu te quero, não te esqueço, mas recomeço...reparo as feridas, reparo as mágos, alinhavo todo o processo, troco as linhas e cheiro verão, onde o inverno já está gelado de tanto correr, recorrer e contar a mesma história...

Cheira-me a esturro, cheira-me a sol, cheira-me a mim... e como sempre entre os cheiros de tantos, passa-me aqui, o cheiro igual, o cheiro de sempre, o cheiro de ti!!