2/28/2006

Porque teima o amor em tirar-nos a vontade de sonhar, em negar-nos o voo mais distante...
Porque afinal ser louco é bem mais facil, vem a vontade, e ela leva-nos lá, voamos, voamos e sentimos tudo, num só momento, é verdade, mas sentimos...
Porque afinal não te conheço, porque afinal o que vejo chega, mesmo não sendo nada, mesmo não vendo nada acabo por despertar. Olha o sorriso, ele é real... eu vejo, ele vai comigo, chega lá, é o resultado...e está ali para quem quiser olhar...
Não nego que a vontade de sonhar me leva um pouco além, mas o sonho é só memso isso, um empurrão, que damos a nós próprios, alimentamos na cabeça a loucura e depois vamos até lá, para a concretizar...
Mas o bom da vida é mesmo, o despertar, o andar com os pés no chão, sentir o chão que se pisa, e o calor que vem dele, sentir o agreste do vento, o frio das gotas da chuva no rosto, e depois, usar o tempo, e o momento que ele nos vai dar e, claro, passo a passo, ver, com os dois olhos abertos, como se "passa por lá..."

2/26/2006

O horizonte é tão longe, não sei se um dia vou poder passar por perto, do que ele é...
Trilhar todo o camino até lá, significa deixar de viver, para passar somente a caminhar...
Não preciso conhecer o sol para sentir o seu calor, não preciso de apanhar a chuva ao cair da nuvem, pois sei que posso esperará-la cá por baixo, não preciso de mergulhar em mar profundo para desfrutrar da leveza das sua água, no meu corpo...não preciso de te ter para saber que vais subtilmente, querer saber como está, como é, quem "passa por lá..."

2/21/2006

Flor(es)


Um dia tudo começa assim...o amor de uma mae, e de um pai, o inesperado do momento, a surpresa, o acidente, fazem brotar flores. Querem naquele dia, na aceitação de uma boa nova, transformar um mundo, seja ele qual for, num jardim...vãs vontades, afinal, já todos sabem que o mundo é justamente como não é.
Um dia ficamos crescidos, grandes, sempre pequenos perante o mundo, mas sempre maiores naquele canteiro...
Até gosto do cheiro, e do prazer visual, estético que uma ou outra flor podem proporcionar, mas as flores têm, por vezes, o dom de me mostrar, o efemero de uma vida, da minha e da dos outros...não somos sempre novos, não somos sempre belos, mas o pior é quando não somos sempre nós!!!!
Com estas palavras não viro costas a tudo o que uma flor pode ser, mas desvio um pouco o olhar, para não ver as flores, por aí, onde sei que não nascem, onde sei que não chegam, porque o frio não deixa, ou porque simplesmente, não eu não quero...
Desculpem-me as flores, se a elas faço alergia, desculpem-me os outros que acreditam que durante todo a caminho, elas vão estar por lá espalhadas...Gosto da utopia, mas recuso levá-la ao estremo, recuso que ela simplesmente me leve...
Adoro sonhar, muitos dos sonhos são desejos, são metas que até colocamos a nós próprios, principalmente quando se tratam dos sonhos que vamos tendo acordados...
Perdoem-me os sonhos, porque adoro viver, e escolho que seja o sonho quem "passa por lá", e não me reduzo a uma vida que passa pelos sonhos...

2/19/2006



Um dia, depois do outro, certo...
Noites a fio, tempos que não se contam, e memórias, essas tantas, que não se esquecem, não se afogam no pensamento, mas teimam em emergir.
Sempre o tempo, sempre o que ele trás com ele. Sempre o estranho sentir que nada é como queremos, nada sacia a nossa vontade, nem o mundo entende nossa forma de ser, de estar, recusa aceitar o nosso espírito assim, tal como ele é...
O que importa afinal, acabamos por nunca saber, ou melhor, preferimos nunca responder a essa pergunta. Uns dias, importa o sol, outros, importa ele, aquela coisa, e num instante fico baralhada! o que acontece afinal, quando algumas coisas mudam, mas continua a importar sempre a mesma coisa, porque está lá, não passa??
Não quero acreditar que existem coisas para sempre, não faz sentido, afinal, nem nós somos imortais.
Talvez fique sempre um pedaço de algo dentro de nós, fique um pouquinho capaz de nos ensinar algo, de nos confortar, de nos adormecer nas noites sós. Talvez fique connosco o único pedacinho que alguma vez ousou chegar mais além, aquele que com coragem assumiu, com subtileza, que até "passa por lá!"...

Porque é que o mundo entra em metamorfose sem dizer nada ao que eu sou.
Porque olhei para ti, e numa hora que passou, ficaste diferente?
Sem aviso, sem razão, sem sequer me ter dado tempo para esperar, para arranjar um espaço cá dentro, capaz de guardar tudo realmente!
Porque muda o céu, tantas vezes no dia, está diferente, porque muda o tempo, o mar, porque muda o meu rosto, o teu? Porque não sorris agora, para eu ver? Porque não me mostras o teu sonho?
Talvez na metamorfose que há em mim, neste sede de agarrar o mundo, se acabe por perder o encanto, o espaço para encontrar por aí no caminho, as razões especiais de uma existência não só. Talvez acabe por sentir que há estados em que somos só nós, em que acabamos por ser melhores, pessoas, melhores amigos, mais humanos... Talvez feche sempre as portas, porque teimosamente, quero abrir muitas, muitas janelas. Talvez perca tudo, porque quando a tua respiração se aproxima eu acabo por mudar de direcção, fecho e sigo. Tenho medo sim, de conhecer as metamorfoses que reservas para amanhã, não falo das que já conheces, daquelas que fases em consonância com determinados momentos, falo daquelas que nem tu sabes, nem sonhas como serão! Tenho de conhecer o espaço que falta, de saber se gosto ou não, de conhecer o sabor, de querer respirar e sentir aquela respiração; tenho medo de querer mais, de acordar amanhã, e sem explicar sentir que ele já não "passa por lá", porque afinal, foi ficando...

2/18/2006

Vou ficar assim, já estou assim...
Fico na janela, estou na janela...
Repara bem, está um barco lá
fora, eu vejo, ele passa...o tempo passa!
Posso não ver mais nada, mas sei que ele está sempre lá, não pará de passar, não se cansa, não se atrasa, o tempo é assim.
Mas hoje, agora, neste dia, resolvi, parar a vê-lo passar, em vez de passar com ele. não me perguntes porquê, não vou saber responder, não sei a razão, não sei o que me leva a estar imovel, como que presa a uma tela, que pouco diz, que tanto esconde, que guarda segredos em pinceladas, e que os tapa com os ultimos retoques.
O que sei hoje, para além de saber que é pouco, e que nada é, comparado com o tudo que não conheço, e se reduz na insignificância do nada saber, leva-me no entanto a afirmar, que vou continuar ali, por mais um tempo, à espera, quem sabe, ou somente a ver, o que passa, e quem "passa por lá...#

2/17/2006


Um dia e outro, uma voz e outra diferente. Os caminhos cruzados, as passagens secretas, e ainda os segredos.
Uma vez e outra, ali, parados, uma vez e outra além, em movimento. Tantas vezes sós...
Tantas diferenças, tantas angústias, tantas incertezas, tantas perguntas.
Poucas respostas, poucas escolhas, ou quem sabe, pouco de tudo isto.
Procuram-se metas, objectivos, estradas, procuram-se tudos e nadas, procuram-se medos, e alegrias, e durante a procura, nunca ninguém sabe o que encontra, o que vai estar lá, à espera! Nunca temos certezas de encontrar, nunca conseguimos saber ao certo até onde vamos, nunca conseguimos saber se aquilo que tanto almejamos, é no fundo o encontrar de isso mesmo, nunca sabemos se a felicidade de saber como é, o que é, como acontece um encontro, "passa por lá"...

2/12/2006

Estar acordada, nem sempre significa estar lá.
Em muitos dias acordamos só para sair do sono, só para largar o sonho, só para andar por aí, levemente, mas por aí.
Outros dias acordamos com vontade de voar, e também com a força de quem consegue rasgar o céu, razando as nuvens, olhando de lá para cá, sem medo, sem reservas.
Os dias não são todos iguais, o que os torna mais iguais é a forma como os lhe pedimos o mesmo, como lhe damos tão pouco do que verdadeiramente pedimos.
Os sonhos, o sono, a esperança. O nada, o vazio...
Nada pode ser melhor que a nossa vontade, nada pode ser melhor que a nossa força, nada poderá ser como nós, porque mais nada, mais ninguém, cometará os nossos erros, deixará para trás tamanhos sonhos, sentirá as mesmas pulsões, os nossos desejos. Nada sonha com a nossa mente, nada é como o nosso eu interior.
Ninguém sabe onde passo, ninguém sabe o que sonho, ninguém sabe, porque não quer, ninguém sabe porque não me olha, e se me olha não me vê.
Acordada estou, mas não o suficiente para deixar a nu todo o caminho...
O segredo de não desvendar toda a estrada, fará de mim mais forte, prepara-me para o dia, o dia que chegará, num amanhã qualquer, quando o vento de mudança se der a conhecer, quando eu acordar a rir por ter deixado de sonhar com o encontro. Afinal no momento que deixar de sonhar, vou saber que o sonho é absoleto, porque vou ter a audácia de o concretizar.
Mostrarei a estrada, mostrarei o caminho, mostrarei tudo, porque depois de ter passado por lá, vou saber lá chegar, vou saber lá voltar, e serenamente e muito acordada vou com mais força esperar que se ouça,na voz da própria vontade de um eu, vai, "Passa Por Lá"...

2/06/2006

Quando não te dás, não consegues alcançar a dimensão do que podes oferecer ao outro, quando não te dás, acabas por não te conhecer realmente, acabas por não saber o que és para aquela situação.
Se não me der, não sou eu.
Talvez nos últimos tempos, me tenha esquecido de como sou, ou melhor, talvez tenha reservado para ninguém a forma estranha que te tenho para me dar a ti.
Este lugar onde tudo e nada acontece, onde existem reticências em vez de vírgulas, onde o mar se confunde com a terra e o a ar com a àgua, algures por lá onde eu e as vontades que este mundo, neste tempo, não pode viver e assumir como suas, é o lugar que acolhe o que afinal dou, mas não chega a ti.
Anda alguém, ou a sua sombra a passar por lá, não pisa a areia para não deixar marcas. De quando em vez mergulha no mar, e logo se esconde... a terra, o chão, são áridos em demasia para uma pele assim.
Uma pele assim, que não sei bem como é, nunca lhe toquei, nem olhei. Ousar pensar saber como é, é quase impossivel.
Enquanto digo estas coisas, enquanto as verbalizo em frente ao espelho, descubro, como é tão gulosa a imaginação, como é doce, como nos leva para lá, num instante tão veloz e nos deixa por um só momento, mesmo que rápido, ser, tão melhores, tão mais leves e nos oferece um raio simples de felicidade, capaz de compensar todos os outros segundos de incerteza, de aperto, de vazio.
As coisas pequenas, são sem dúvida as mais prazeirosas, por isso, consigo encontrar nas lembranças vagas, do que experimentei sem viver, aquele sabor que procuro encontrar, e talvez um dia encontre, quando o alguém deixar de voar, mergulhar e resolver andar, na areia, na terra, daquele lugar, que simplesmente continuo a chamar "Passa Por Lá..."

2/03/2006

Há alturas em que nada corre de feição, em que o mundo redondo, parece que fica com bicos, deixa de ser uma esfera e passa a ser uma pirâmide, um cubo, um poliedro qualquer, cheio de bicos e irregularidades.
Parece que o céu fica mais pesado, cai sobre as nossas costas, o ar fica mais dificil de respirar, tudo fica dificil para nós.
Erro, atrás de erro, desgraça a puxar desgraça,inseguranças, medos e falhas, unem-se todas, juntas esforçam-se para tornar as coisas num castigo para nós, ou então querem apenas desafiar-nos, e fazem-no de forma tão subltil, que nem damos por isso.
Hoje, neste momento, que não se resume a este dia, a esta hora, sinto-me meia castigada, meia desafiada, ou seja confusa. Tenho sido tomada por inseguranças, por momentos em que penso e penso muito, em que paro para tentar perceber o que acontece à minha volta e tudo parece não fazer sentido, em que paro para chorar, para rir de mim, para ver mais, para conseguir fechar os olhos e passar sempre além do que eles me mostram.
Sinto, nessas paragens, nesses tempos fisicamente passivos,que mesmo naqueles instantes, naquelas situações, em que temos todas escadas necessarias para subir o muro e passar para o lado de lá, preferimos juntar todas elas num monte e depois subir, ficando pouco mais que a meio daquela barreira que se nos impõem.
Sinto que parti algumas dessas escadas, por isso, não me atrevo a uni-las, não me atrevo a subir o muro, a ir ao outro lado. Ou então prefiro vê-las partidas, para não ter de pensar...
Terei medo de ir sozinha, terei medo do que encontrar?
Se não consigo dizer, escrevo. Se não consigo escrever, penso. Se deixar de pensar, não sei.
Se não consigo lembrar, revejo, se não consigo rever, recordo. Se deixar de recordar, não sei...
Mas imagino...
Imagino que deixo para trás parte de mim, deixo um pedaço do que já sou. E deixar de pensar, nunca, pois estaria, como sabemos a negar a minha existência a mim mesma.
Isto tudo porque um dia, nasceu uma história, se me recordo, era inverno, sim porque as histórias não nascem nem acontecem todas na primavera. Nasceu de um acaso, sei lá, nasceu e pronto. Mas essa história cresceu, não tanto como estava previsto, como foi desejado, mas fez-se, em qualquer coisa, dificil de explicar. Construíu à sua volta um lugar, um mundinho pequeno mas peculiar, onde passeiam momentos, flutuam lembranças, sim, aquelas, que recusam o esquecimento, vagueiam "ses", e muitas, muitas dúvidas. Como em qualquer história, não faltam aqueles momentos trágicos, que nos fazem antever um final...e podia continuar por aí fora, pelo cenário, pelo enredo, pelo tempo de acção, até chegar finalmente às personagens.
Mas destas não posso falar, são muitos eus, muitos tus, são todos aqueles que já viveram, que vão viver uma história assim.
Do final, desse também não digo nada, e simplemente, porque não posso, porque esta história, não tem fim, talvez porque não se consiga definir um começo, talvez porque não se queira acabar, nunca, ou pelo menos agora...
Falo, sim, de Histórias de Amor, seja lá o que isso for...
Falo de Histórias de Vida, onde cada um tem as suas...
Falo de Histórias e de Vidas...
Falo dos outros a falar de mim, e de mim a falar de outros.
Olho o mundo lá fora, e depois olho o meu mundo, o de dentro, tudo pode sempre ser diferente, tudo pode mudar, tudo pode ser dito, desfeito, reedificado num instante, num segundo, e ao memso tempo, pode sempre ficar assim, quieto...
Talvez por isso, em cada dia que passa, eu acabe por expressar: "se não digo escrevo, se não escrevo penso, se não lembrar recordo(...)", se ficar aqui...não sei...não saberei se algum dia, decide, e "passa por lá"...

2/02/2006



Por vezes os pés fogem do chão, e sem saber muito bem como, acabam num plano distante da realidade, mas muito próximo da nossa vontade. Acabamos por ir para lá, para aquele lugar onde queremos estar, onde é perfeito aquele momento, onde afinal está o que procuramos, onde esquecemos as dores, os buracos e as barreiras.
Pouco a pouco, regressamos para terra firme, os escapes dissipam-se, passam, ficam então as duras certezas de podermos ter errado, de siplesmente nos termos iludido, sem pensar no depois.
A vida também é isto, a vida também é bater de cabeça, no momento, no sonho e depois claro, no presente real. A vida é assumir o que se esconde, é depois sentir o peso da acto, a consequeência da acção.
Deixamos os pés fugir, porque queremos; mas naquele instante espiralizado, dizemos a nós próprios, que não, que não sabemos porque foi aquilo acontecer assim, porque se fez e se disse. O impulso às vezes serve para justificar a demora da hora, a brutalidade da coisa, a intencionalidade da actitude... o impulso que é nosso, e que por muito que queiramos negar é simplesmente o reforço de um vontade, recalcada, escondida, meia morta,ou (sei lá), seja porque motivo, mas existente, mesmo que no fundo dos (eus).
Hoje, sei, que muita coisa está mais longe, mas depois de pensar, percebo que pode nunca ter estado perto. Nunca soube bem onde esteve, como esteve, não vi a passar por aqui, não sei se chegou a passar.
Sei que já a procurei, muitas vezes a vontade de a encontrar aumenta, noutras quase que adoremece. Talvez já faça parte de mim, da minha busca diária, do meu caminho. O que sou já está lá nesse desejo, como está por aí, espalhado em outros. Todos buscamos um caminho capaz, não de nos fazer felizes, mas de nos oferecer momentos com felicidade, todos buscamos sonhar e concretizar sonhos, todos buscamos algo, alguém...Esta busca, diz de nós, fala do que somos, mostra o que não dizemos e muitas vezes o que não sabemos.
Sabe-se, ou pelo menos, julgo que sei, que em toda esta caça ao tesouro, há pistas falsas, há quedas e recuoos, há males necessários, há erros. A busca perfeita não existe, por isso, por ela, por tudo o que ainda procuro, pelo que também vou querer encontrar mas ainda não sinto vontade, e claro pelo que burbulha cá dentro há algum tempo, peço desculpa a mim...
Desculpa, para me desculpar de seguida, ou para pensar se deculpo ou não, sim a mim. Porque quem dá passos neste caminho sou eu, quem anda, recua, celebra, erra, sou eu...assim, se não me perdoar pelas passadas que dou, e ainda pelas que nego dar, já mais serei capaz de chegar ao fim do caminho, mesmo que não seja esse o meu designio. Se não o fizer, não serei capaz de prosseguir, progredir, andar. Imaginem um rio parado, não dá para imaginar, porque não faz sentido!
Pois então está aí a resposta, um caminho sem passos, sem caminhadas, não é um caminho, então faço-me a ele, e a unica maneira de o trilhar é não diexar nada por perdoar a mim mesma, porque só assim consigo dar sentido ao percurso, pois torno-me então capaz de perdoar os outros, aqueles que são vida, que são mundo, que exitem sempre, e que como eu, tenhas falhas de perfeição...
Então só assim posso convidar o mundo, a andar por ali, por aquele meu caminho que também é de outros, só assim posso esperar que algum dia o outro, que também tem o seu caminho, me faça um convite, e me diga- "Fico à tua espera, um dia destes, Passa Por Lá..."