2/03/2006

Há alturas em que nada corre de feição, em que o mundo redondo, parece que fica com bicos, deixa de ser uma esfera e passa a ser uma pirâmide, um cubo, um poliedro qualquer, cheio de bicos e irregularidades.
Parece que o céu fica mais pesado, cai sobre as nossas costas, o ar fica mais dificil de respirar, tudo fica dificil para nós.
Erro, atrás de erro, desgraça a puxar desgraça,inseguranças, medos e falhas, unem-se todas, juntas esforçam-se para tornar as coisas num castigo para nós, ou então querem apenas desafiar-nos, e fazem-no de forma tão subltil, que nem damos por isso.
Hoje, neste momento, que não se resume a este dia, a esta hora, sinto-me meia castigada, meia desafiada, ou seja confusa. Tenho sido tomada por inseguranças, por momentos em que penso e penso muito, em que paro para tentar perceber o que acontece à minha volta e tudo parece não fazer sentido, em que paro para chorar, para rir de mim, para ver mais, para conseguir fechar os olhos e passar sempre além do que eles me mostram.
Sinto, nessas paragens, nesses tempos fisicamente passivos,que mesmo naqueles instantes, naquelas situações, em que temos todas escadas necessarias para subir o muro e passar para o lado de lá, preferimos juntar todas elas num monte e depois subir, ficando pouco mais que a meio daquela barreira que se nos impõem.
Sinto que parti algumas dessas escadas, por isso, não me atrevo a uni-las, não me atrevo a subir o muro, a ir ao outro lado. Ou então prefiro vê-las partidas, para não ter de pensar...
Terei medo de ir sozinha, terei medo do que encontrar?

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