2/02/2006



Por vezes os pés fogem do chão, e sem saber muito bem como, acabam num plano distante da realidade, mas muito próximo da nossa vontade. Acabamos por ir para lá, para aquele lugar onde queremos estar, onde é perfeito aquele momento, onde afinal está o que procuramos, onde esquecemos as dores, os buracos e as barreiras.
Pouco a pouco, regressamos para terra firme, os escapes dissipam-se, passam, ficam então as duras certezas de podermos ter errado, de siplesmente nos termos iludido, sem pensar no depois.
A vida também é isto, a vida também é bater de cabeça, no momento, no sonho e depois claro, no presente real. A vida é assumir o que se esconde, é depois sentir o peso da acto, a consequeência da acção.
Deixamos os pés fugir, porque queremos; mas naquele instante espiralizado, dizemos a nós próprios, que não, que não sabemos porque foi aquilo acontecer assim, porque se fez e se disse. O impulso às vezes serve para justificar a demora da hora, a brutalidade da coisa, a intencionalidade da actitude... o impulso que é nosso, e que por muito que queiramos negar é simplesmente o reforço de um vontade, recalcada, escondida, meia morta,ou (sei lá), seja porque motivo, mas existente, mesmo que no fundo dos (eus).
Hoje, sei, que muita coisa está mais longe, mas depois de pensar, percebo que pode nunca ter estado perto. Nunca soube bem onde esteve, como esteve, não vi a passar por aqui, não sei se chegou a passar.
Sei que já a procurei, muitas vezes a vontade de a encontrar aumenta, noutras quase que adoremece. Talvez já faça parte de mim, da minha busca diária, do meu caminho. O que sou já está lá nesse desejo, como está por aí, espalhado em outros. Todos buscamos um caminho capaz, não de nos fazer felizes, mas de nos oferecer momentos com felicidade, todos buscamos sonhar e concretizar sonhos, todos buscamos algo, alguém...Esta busca, diz de nós, fala do que somos, mostra o que não dizemos e muitas vezes o que não sabemos.
Sabe-se, ou pelo menos, julgo que sei, que em toda esta caça ao tesouro, há pistas falsas, há quedas e recuoos, há males necessários, há erros. A busca perfeita não existe, por isso, por ela, por tudo o que ainda procuro, pelo que também vou querer encontrar mas ainda não sinto vontade, e claro pelo que burbulha cá dentro há algum tempo, peço desculpa a mim...
Desculpa, para me desculpar de seguida, ou para pensar se deculpo ou não, sim a mim. Porque quem dá passos neste caminho sou eu, quem anda, recua, celebra, erra, sou eu...assim, se não me perdoar pelas passadas que dou, e ainda pelas que nego dar, já mais serei capaz de chegar ao fim do caminho, mesmo que não seja esse o meu designio. Se não o fizer, não serei capaz de prosseguir, progredir, andar. Imaginem um rio parado, não dá para imaginar, porque não faz sentido!
Pois então está aí a resposta, um caminho sem passos, sem caminhadas, não é um caminho, então faço-me a ele, e a unica maneira de o trilhar é não diexar nada por perdoar a mim mesma, porque só assim consigo dar sentido ao percurso, pois torno-me então capaz de perdoar os outros, aqueles que são vida, que são mundo, que exitem sempre, e que como eu, tenhas falhas de perfeição...
Então só assim posso convidar o mundo, a andar por ali, por aquele meu caminho que também é de outros, só assim posso esperar que algum dia o outro, que também tem o seu caminho, me faça um convite, e me diga- "Fico à tua espera, um dia destes, Passa Por Lá..."

1 comentário:

Unknown disse...

Não te arrependas, nem voltes lá para emendar...vive, que depois, numa ou outra escolha, tudo se encaminha, mesmo que de forma errada, mais uma vez...