
O dia e a noite em que descobri que tanta sensualidade e suavidade nada mais eram que a sombra duma imaginação, um pedaço que não se vê, e que sente dificuldades em existir de verdade, passei a sentir-me doce como o emaranhado de hidrogénios que agitados formam teimosamente o sol, solta como o reflexo da lua cheia, quente como todas as pintas do meu rosto...
O dia em que descobri que a incognita do teu pi era um sorriso que nunca foi para ti, abri o meu, atravessou-se no meu rosto de orelha a orelha, pintando de novo o meu jeito unico e mimado misturando-o com o leve tom de verde-água que carrega toda a esperança da humanidade. Dia sideral em si mesmo, fora desta orbita, desta terra, dentro de mim, 23horas, 56 segundos, 4 segundos e 9 centesimos, perfeitos no seu todo, incompletos na sua soma... O dia em que sobra o imperfeito para se transformar na nova manhã.
Nesse dia, contra a lógica das indefenições e os eternos arredondamentos numéricos imisciveis, ficou no ar o cheiro a terra molhada, ficou o ar revolto nos meus caracois e meu respirar de liberdade ... olhei o equinocio desta primavera lá fora, sem mais ninguem o conseguir encontrar...
Um dos 23 deixou de ser um ponto para num sopro serem três, alinhados e seguidos... ou seja, eu de novo, com o jeito do costume, eu ( com as reticências do que sou).
Fosse eu paranoica e continuaria a enunciar a perfeição de cada um dos meus sorrisos, o frescor de cada uma das minhas lagrimas e certamente chegaria sempre a incognita do 23 que todos somos, prefiro ao invés, ser assim de passagem a perfeita harmonia da certeza do que sou agora, e já não sou depois de o escrever, prefiro soltar um gargalhada na descoberta momentanea de ser tão pouco e mesmo assim ser.