10/15/2013

as coisas e o medo das coisas


há coisas que para lá de nós não têm fim, têm uma forma perene de estar por aqui e por ali, onde nós, ou outros para lá das coisas, simplesmente só passamos. 
há coisas que não passam por onde passam os nossos pés, mas vão onde eles nos levam ou se transportam pela essência para lugares onde são as melhores coisas do mundo.
as coisas por norma existem , teimosamente conseguem por vezes trocar de lugar, ou mover-se estrategicamente como se o mundo fosse um tabuleiro de xadrez, cheio de cavalos e rainhas. 
as coisas acontecem connosco e nós existimos por via delas, contribuímos fortemente na provocação das suas metamorfoses, porque nascemos com medo, medo das coisas. 
se as coisas não se explicam na sua essência, porque derivam de uma origem cuja forma, as coisas na totalidade não permitem explicar, o medo nasceu logo ali ao lado da primeira coisa, de forma vulgar e quase tão perene como as mesmas, não fosse ele extinguível na sua causa... o medo das coisas, é o medo que temos nas coisas, que é não só tanto como o de deixar de ser. 
as coisas são a imensidão que lhe damos, a importância que o mundo nos ajuda a empolar ou diminuir, a forma que lhe damos e o que a soma de todas elas que a nós chega, e em tudo isto, a forma redonda de nos subtrairmos de tudo, somos a coisa entre as coisas, que morre, para deixar de herança as coisas que não se levam... ou seja todas as coisas. 
existo certa da morte de todas elas, existo na força de fazer tardar a morte às que mais quero, e certa no medo que tenho de não a conseguir para prolongar...
nessa certeza encontro a razão de luta por tantas outras, e percebo muitas vezes que disso não passam, quando tenho que distinguir as que merecem o tempo que lhes dou, das que devo deixar para o tempo que não volta!
o medo das coisas que nos move, e nos diz que o amarelo é melhor que o azul e que viver vestido e numa casa é a indiscutível verdade é o medo que nos mostra a certeza de estarmos cá, coisa a coisa, para que em todas elas haja principio, meio e fim, até que um dia deixamos de assistir ao fim das coisas, para sermos nós mesmos o fim delas...
passaremos com o tempo em cada um delas, e aqueles que passarem nelas na ilusão perfeita de coisas não serem, serão entre todos os mais felizes, porque encontraram o lá das suas passagens e aqueles que passarão com eles coisas fora até ao dia em que conseguiram ser perenes num tempo que não passa mais! 

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