6/08/2015

um quarto com vista... para um descanso

ouve-se o mar. a força das ondas a embater na rocha escura pro vezes parece uma chuva que não para de cair. 
as gaivotas cantam, ou choram, não sei bem, fazem-se sentir, misturaram-se com os sons do vento, de outros pássaros e o mais intenso de todos, o som do mar. 
ao longe a luz de um sol que se põe do outro lado da ilha, e o tempo, o tempo que não pesa, e não se sente. 

voltas na cama, dormir sem despertador, sem estores nas janelas, respirar devagar, correr de manhã, ou nunca, ou de tarde, ou talvez depois. aproveitar o despretensioso lugar com uma infame vista. fazer amor, rir do nada, gargalhar de um tudo que é estúpido, que só lembramos na ausência daquele misto de coisas e informações que deixámos em Lisboa...

respiramos devagar, ouvimos um cão que ladra ao vento que passa... saímos do quarto que também é casa, e lugar para ficar estes dias, olhamos o infinito... tão simples este lugar, tão imensa esta vista, vista para um descanso, um qualquer, simples e merecido. 
encontras um saca rolhas, abres um vinho da ilha, fresco com a brisa da noite que chega... com vista para este descanso vamos bebê-lo. 

olho-te,olho em frente, e penso tão bom este tanto nada para fazer... 


( e peço para a minha sede de energia não o esgote rápido)

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