
Seguro a tua mão e rezo...
Na porta de embarque sorrio
Olho o telemóvel, desligo o telemóvel...
Em silêncio falo com um Deus,
Não escolho um, normalmente é o primeiro a estar disponível...
Entre o vinho que vou beber e os comprimidos que já tomei... Começo a rezar...
Agarrada com toda a força ao teu braço, finjo que relaxo e rezo...
Senhor da vida, deixa-me partir depois, depois deste voo, de toda a turbulência que ele possa apanhar...
Senhor não me levais daqui, desta existência da qual ainda pouco sei, quero beijos nos meus lábios muitos, abraços no meu corpo, sol no meu rosto, chuva nos meus dias... Quero voltar para os meus amigos, sorrir-lhes (ainda) mais, tenho a vida dos Meus para fazer parte. Senhor não me levais desta vida, não me tirais esta mão colada à minha. Trazei-me o sono, a calma da travessia e toda a alegria de tantas viagens e mais aquelas que irei fazer...
Senhor fazei com que este vinho me embebede, eu durma, o avião não caia, e esteja tudo melhor daqui a umas horas... e me esqueça de ti a seguir, e me esqueça de ter rezado, quase como se não me fosse preciso.
Senhor não me queiras mal por te falar boazinha, sempre que me vejo atrapalhada dentro do avião, senhor sabes que quando estou bem a minha oração sai do meu sorriso e da minha gratidão com a vida.
Senhor poupei tanto para este caminho, deixa-me rezar no regresso, deixa-me gastar cada cêntimo, deixa-me rezar outra viagem...
Podia continuar, ou tentar porque a cada viagem de avião, barco, carro, a pé, no comboio há o melhor da descoberta, é a incerteza de vão sabermos como irá acabar...
Gosto que as minhas viagens de avião continuem a começar a cada aterragem, gosto de rezar para que assim seja, e reconheço estupidez porque sempre me esqueço do principal: pedir ao senhor para me levar o medo...
Ele não desiste e não se vai....tenho una mão para agarrar , não é. Tudo nas é bem melhor....que rezar sem ela!
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