3/12/2014

divagações sobre o amor

o amor é parvo, 
pateta e torto, parecido com uma lata de tomates pelados de tão vermelho que é. 
o amor é um pimento assado e quente, 
que se separa da casca depois de tanto suar.
é um estúpido rapaz e uma mimada rapariga. 
o amor não existe, 
não se vê, não tem linha que se traça ou destino que se encontre; 
o amor é enorme
com as baleias e as pessoas altas e obesas; 
como tudo o que está para lá do mundo; 
o amor é às cores como uma montra de uma loja de verniz para as unhas 
e uma primavera de cores; 
o amor é calçar ténis sem ser ao fim de semana, 
e calçar uns stilettos para acompanhar a roupa interior.
o amor é um cão, 
ladra de encantos, abana o rabo de feliz, 
uiva de dor e magoa nas ruas da amargura; 
o amor é um cena estranha, 
uma cena sem filme, ou um filme sem cenas; 
o amor é uma girafa de cabeça no ar e uma avestruz de cabeça na areia;
é um puta que se dá por dinheiro e uma virgem que se dá por encantamento; 
é uma força, uma doença, um suspiro, um gemido; 
o amor é o perfeito silêncio, aquele que não incomoda quando se partilha, 
é o olhar, ultrapassa em larga escala a sua conjugação falada em verbo, 
é muita mais que o som da acção que promove; 
o amor é um bom dia, 
 e é um dia bom, 
é quase sempre um quase, e quase nunca um nada. 
o amor pode ser tudo o que quiseres e ainda o que não tens, 
pode ser o mais imperfeito dos caminhos 
a mais sinuosa estrada, o mais perfeito ideal 
e de certeza que no final de contas não é nada disto! 

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