11/06/2006

o doce do esquecimento

Andamos por aí a escutar as lembranças, a deitarmos janela fora a miragem do que passou com elas e do tanto que ainda assim elas nos trazem... diz alguém que ando por aí a partir as paredes e os telhados de tantos que no leito não encontram paz, ou melhor não se encontram, pois teem tudo, menos o que procuram...
Andamos por aí assim, tu além, muito além de mim, foges a cada passada de distancia que o tempo traz, esqueces tudo, porque afinal dentro de ti pouco deve haver para se lembrar.
Continuas por aí, como sempre, sim, sempre o mesmo sorriso, o mesmo jeito de pegar no copo, o mesmo estilo, a mesma presença apagada para tantas belezas, a mesma presença que se acende quando alguém se ousa a aproximar. Continuas assim, não confias no que és e por isso dás-te a quem te vai querendo e não a quem tu queres, continuas assim, incapaz de assumir que és mais que estilo, mais que camisas, mais que olhares, que és mais que esse tu banal, igual a tantos outros, continuas assim incapaz de sair da noite escura e claro das paredes.
Eu continuo por aí partindo e estrangando uma ou outra estátua dupla de coisas que julgam ser um par, continuo assim, gritando na minha independência, e cada vez mais lutando por ela.
Continuo aqui, igual, continuo a ser o doce esquecimento que de quando em vez o teu corpo te ajuda a recordar, o doce esquecimento que vive, que ri, que vai sendo doce na vida que tem, que escolhe e que vive mesmo, não só entre paredes, mas no mundo...
Agitada, parada, triste, contentente, eu, o eu que sente, sente também, que não pará de viver, que existe para além do que te dá, e do que sempre vai dando,mas que respeita...cada pedaço de cada alguem que passa pelo seu colo, que dá o que é, entre o mimo, o afecto e claro a amizade, sim, esta, que não tem de ser só noite escura, que existe aqui a acolá, sempre que alguem chama por um ombro...
Continuas aí e descobri que é somente isso...porque mais não queres, nunca quiseste, poque mais não sabes dar, porque talvez o possas dar alguém... ou talvez não, não sei...talvez...
Continuo aqui, doce como esse esquecimento onde sempre me guardas, porque afinal, não me conseguirás esquecer...presunção??!! não, sabemos que não, é a realidade do quente que sempre se guarda... do quente e doce, como eu um dia fui, (ou num dia sou), e claro como o teu doce esquecimento!

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